quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Will

Cheguei tarde em Curitiba. Tarde demais pra pegar um ônibus a São Paulo e chegar num horário em que houvesse qualquer meio de transporte à disposição de uma Pequena Lou cansada. Duas possibilidades se abriam diante desta viajante sonolenta: procurar um hotel em Curitiba e seguir pra Sampa no dia seguinte, ou pegar um ônibus mais tarde ainda, que chegasse em SP de manhãzinha. Optei pela segunda alternativa e comprei passagem pras 22:30, botei a mochilona no malex e peguei um taxi pro centro.
O taxista ia me mostrando a cidade: aqui é muito perigoso andar de noite, aqui, moça sozinha, nem pensar, esse shopping fica aberto até às 22:00, aqui também não é legal de andar mais à noite, mais pra baixo tem outro shopping, e aqui é o calçadão.
Desci no calçadão e fui até uma ponta. Passei por um clown interagindo com a galera de um bar. No fim do calçadão, resolvi voltar e filmar o clown.
Caminhei em sua direção, ele tinha acabado de brincar com um casal e estava à procura de sua próxima vítima. Nossos olhares se encontraram. Não, peraí, eu vim pra ser público, pra te filmar, não pra me expor. Rapidamente identifiquei um banco vazio. Caminhei até o banco tão concentrada no banco, que não percebi que um moço fazia o mesmo. O moço hesitou, eu olhei pro palhaço e o moço disse: Bitte, setzen Sie sich. Olhei pro chão, sentei. Sprechen Sie Deutsch? Woher kommen Sie? Olhei pro moço. Um mulato com herança genética bem misturada: pele de negro, olhos de índio e sorriso amarelo. Conversamos sobre como ele foi parar na Alemanha, rap, hip hop, pixação e graffiti, projetos sociais e como passar o tempo sem muito esforço. Num dado momento, decidimos que era hora de ele voltar pra casa e eu pra rodoviária. Will me acompanhou pelo calçadão inteiro até o ponto de ônibus dele, e no caminho ia cumprimentando os mano, as mina, os tio e as prima. Um barato, caminhar com tão ilustre figura pelo calçadão de Curitiba que ia se desertificando lentamente.
Depois de me despedir do Will, andei por todos os lugares desrecomendados pelo taxista.

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