segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Conhece-te a ti mesmo

Normalmente, quando ouvimos, lemos, escrevemos ou dizemos esta frase, pensamos num conhecimento da psiqué. Pensamos que o imperativo é voltado ao conhecimento da alma, do espírito, do caráter, da personalidade da pessoa humana. Mas não pensamos nunca na parte fisiológica do homo sapiens.

O que me interessa no momento são as relações entre as manifestações observáveis no corpo e seus processos internos, e chego à conclusão de que tudo seria mais fácil se o nosso corpo falasse uma língua que compreendemos, tipo português. Não entendo o que o meu corpo quer dizer quando tenho dores de cabeça. Não entendo o que foi que eu fiz de errado quando vomito de hora em hora, inclusive quando já tenho o estômago vazio. Não consigo interpretar a informação que o medidor de pressão sangüínea da Oma me dá. Por que tenho uma média de 50 batimentos cardíacos, quando o normal para uma pessoa da minha idade é 65? Não sei até onde posso forçar o meu tendão de Aquiles, antes que ele se rompa. Devo tentar correr?

Se o meu corpo falasse português, eu talvez pudesse previnir mal-estares. Mas ele não teria autorização pra me falar tudo o que acontece (hm, oxigênio e gás carbônico entrando pelas fossas nasais, ai, bexiga enchendo rapidamente, ui, batimentos cardíacos acelerados), porque aí eu teria uma sobrecarga de informações e ficaria louca. Não, ele teria que apenas responder às minhas perguntas. Hm, mas se fosse assim, eu não descobriria nunca que tenho uma baixa taxa de batimentos cardíacos, porque eu nunca pensaria em perguntar ao meu coração como ele está.

Pelo visto, conhecer-se a si mesmo no sentido fisiológico depende da ajuda de profissionais que ajudam a pessoa a interpretar os sinais que o corpo dá.

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