sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Em bicas

Não sou uma pessoa que sua fácil. Lembro do meu parceiro de escalada, Tanguy, com inveja de mim nos dias quentes de alta umidade na academia de escalada holandesa. O francês não invejava as minhas habilidades de montanhista, porque nunca passei de uma mera iniciante (com potencial, vá lá, mas ainda assim aprendiz). O moço que nasceu aos pés dos Alpes e que pode se considerar ótimo escalador invejava a capacidade do meu corpo para lidar com o calor e a umidade sempre alta na Holanda. Eu conseguia segurar as agarras, ele escorregava. Todos os seus poros transpiravam. Quando voltava a tocar os pés no chão, estimava quantos litros tinha perdido no caminho vertical e observava gotas de suor pingando pelo queixo. Eu só dava risada e seguia sem suar.

Mas aqui não tenho mais superpoderes. Enquanto não houver vento na minha cara, vou sentir pérolas de suor na ponta do meu queixo e nariz. Os outros usam toalhas para se enxugar, eu fico passando a mão. Se eu me movimentar muito dentro de lugares fechados e sem ar condicionado, tipo a minha casa, e tipo fazendo faxina, meus braços e pernas vão começar a brilhar. Não ando de cabelo solto nem depois do banho gelado, porque o calor na nuca é molhado.
Mudei os meus hábitos alimentares porque achei muito desagradável comer suando em bicas. Porque a via que a comida quente faz dentro de mim é retraçável por fontes instantâneas de suor que brotam na superfície da pele. Agora troquei o almoço pela janta, como fazem os holandeses. De noite não é tão quente assim. De noite faz uns 24°C. De madrugada deve fazer 20°C. Ou seja, a minha mínima está acima da sua máxima, se você estiver em São Paulo.

2 comentários:

Mônica disse...

Gente, eu só fico me imaginando aí. Se há uma coisa que eu odeio é suar.

iglou disse...

Não pense que eu estou gostando da experiência...
Mas veja, em dias nublados ou de chuva, consigo usar calças...