sábado, 1 de agosto de 2009

Akari e a mudança


Akari saiu de uma casa em que ela tinha 6 companheiros de pêlos, 4 patas e rabo que sentem o mundo através do faro, dos bigodes e da audição, além das maneiras convencionais de perceber o mundo. Ela saiu de uma casa em que havia pelo menos duas pessoas que conversavam com ela, pra entrar numa caixa.

Demorou a sair da caixa no quarto na casa da Olga. Com o corpo quase tocando o chão, explorou aqueles poucos metros quadrados do quarto. Não comeu, bebeu, mijou ou cagou. Dormiu na cama comigo e não arranhou nada. Acordamos cedo e antes de entrar na caixa, ela foi sedada com 4 gotas de um remédio que a Mônica me deu.

Ela e a caixa pesam 6kg, que eu carreguei pelos aeroportos. Muitos passageiros sorriam pra mim, enquanto eu conversava com a minha gata ou tentava tocá-la por entre as grades da caixa. Outros me perguntavam se era um cachorrinho. Tinham me designado a poltrona 1 A em ambos os vôos, mesmo sabendo que ali não pode haver obstáculos obstruindo a saída de emergência. Em ambos os aviões, tive que trocar de lugar com gente.

Até Brasília a Akari e a caixa foram no meu colo, o que restringiu em muito o meu espaço. Ela deitou a cabecinha nos meus dedos e fomos assim, quietas e apreensivas. Eu sempre checava se ela estava respirando. Achei importante. De Brasília a PVH ela foi no assento do meio e eu no corredor. É que uma gorda sentada na janela se recusou a mudar de lugar. Akari já estava mais esperta, olhando tudo com a pupila menos dilatada. Foi ali que caiu a ficha: essa gata é linda e eu sou responsável por ela.

Chegando na nova casa, foi aquela decepção poeirenta e suja. Tive que colocá-la no banheiro. Não comeu, bebeu, mijou ou cagou nada. A cada duas horas eu entrava no banheiro e tirava ela de trás da privada. Pegava no colo e conversava com ela. Quando ela afundou a cabecinha no meu braço, toda resignada, bateu um desespero. Pra onde foi que eu trouxe essa gata?
De noite apresentei a casa pra ela. Ela não gostou muito de ficar na rede. Quando eu achei que precisava deitar na horizontal, estiquei o meu colchonete isolante, e ela já quis arranhá-lo. Sinal de que está se acostumando com o local e marcando território, mas no meu isolante, não. Começou a correr pela casa e até fez xixi e cocô, ói que maravilha.

Dia seguinte já não ficava mais atrás da privada, mas dentro da pia. De noite se espichou, rolou na sujeira, se lambeu e pulou dentro e fora da rede sem eu perceber. Quando já tinha apagado as luzes e só a iluminação pública entrava na sala, ela começou a mordiscar a embalagem de ração. Abri o pacote e ela ficou na expectativa. Pus um punhado na minha mão e ofereci pra ela. E ela comeu! Mostrei a água saindo da garrafa e entrando na tigela dela e ela bebeu! Ela ainda está comendo feito passarinho, mas pelo menos se alimenta, brinca e corre atrás de grilos, besouros e mosquitinhos. Como não tenho móveis que ela possa arranhar ou usar como trampolim, ela fica cheirando paredes, portas e chão. Estamos nos adaptando.

2 comentários:

Juliana Reis disse...

É ser mãe de gata não é fácil não mulher! mas vcs vão se adaptar bem...

Mônica disse...

Nossa, Lou! Li todos os seus posts, mas resolvi postar meu comentário aqui porque já estou morrendo de saudades dessa gatinha linda e das conversas que tínhamos nos finais de semana. Que aventura, hein? Mas amei a casa! Acho que está no tamanho certo!
Pedreiros são assim mesmo, Lou. Cheios de imprevistos... Mas, depois que tudos acaba, ficamos mais felizes.
Vc ainda toma seu chá à noite? Mande seu endereço porque eu quero te mandar um bule...

bjs