sexta-feira, 20 de março de 2009

Ramona

No Natal, cheguei pra minha vó e lamentei o fato de não ter trazido nenhum livro em alemão pra ela. Lépida e faceira, ela respondeu que tudo bem, porque tinha morrido uma senhora na comunidade, e alguns dos livros da falecida estavam agora numa caixa, na garagem. Se eu quisesse, podia escolher alguma coisa.

Fui na garagem e pesquei esses dois. Reparei como são parecidos: as mocinhas são loiras, estão usando vestidos vermelhos e estão quase derretendo nos braços de seus mocinhos, que estão em posturas muito similares, têm expressões parecidas e biotipos semelhantes. Ambos os livros foram escritos por mulheres que adotam nomes pouco prosaicos.


Escolhi a Ramona, porque me lembrava a banda de rock Ramones. Eu achava que ia ser um romance picante, mas me decepcionei. Na minha lista de livros ainda não lidos continuam os romances pornográficos e manuais de auto-ajuda.

Vou explicar por que ainda não me considero iniciada nos romances de banca tipo Sabrina. Toda atração física da Ramona pelo Kirkby Welford (se liga no naipe dos nomes!) é descrita em termos anatômicos. Não tem graça:

Jetzt schien sein Herz - dieses verräterrische Organ - nicht mehr imstande zu sein, seine Lungen mit Sauerstoff vollzupumpen, so dass er nach Atem ringen musste. Seine Fingerspitzen brannten, wenn er Ramona nur berührte, und seine Stimmbänder versagten zuweilen den Dienst. (p. 247)

Agora seu coração - este órgão traiçoeiro - não parecia mais ser capaz de bombear oxigênio para os seus pulmões, de modo que respirava sofregamente. As pontas de seus dedos queimavam ao simples toque de Ramona, e suas cordas vocais falhavam por breves instantes.

Nesse quesito a biografia inventada da Maitê Proença era mais sutil e sugestiva. Mas em termos de planejamento da narrativa, ambos merecem a mesma avaliação.

Hm, parece que, depois dessa excursão, está na hora de voltar à boa literatura!

Nenhum comentário: