domingo, 8 de março de 2009

Cicloturismo?

No primeiro posto em que parei, reparei que havia muitos ciclistas. Homens magros e paramentados, pedalando suas speeds em grupos coloridos pra cima e pra baixo. Mas ninguém parava ali onde eu estava. Apareceu um casal de ciclistas. Descliparam as sapatilhas, endireitaram a coluna, sorriram pra mim e se separaram: ela foi no banheiro, ele veio conversar sobre os meus alforjes. Perguntou se eu tava fazendo cicloturismo. Respondi que eu tava fazendo mudança. Ah, mas pedalar com esses alforjes é ruim por causa do peso deles, não dá pra chimbar. Pelos gestos dele, imaginei o significado do que ele dizia e respondi que eu costumo pedalar sentada no selim.

O cara era careca e não usava capacete ou óculos de sol. Ele disse que pedala faz 40 anos e só usa essas coisas quando é obrigado, porque passou mais tempo da vida sem esses confortos que com eles. E fora isso, capacete machuca a careca. Me ensinou o melhor caminho da Bandeirantes até uma estação de trem e nos desejamos um bom pedal. Apesar do papo de competidor de elite dele, curti o cara.

Minutos depois, o casal me ultrapassa de speed. Muito tempo depois, os dois me passam numa van. Pararam no acostamento, deram ré e me ofereceram carona. Muito obrigada, mas eu vou pedalando, especialmente agora que já sei o caminho. Cê não tá sofrendo? Hehe, não.

Viu? Tem gente que a gente vê mais de uma vez na vida.

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