domingo, 22 de março de 2009

Encanando com a água

Informe publicitário da Folha de hoje
Vivemos num país em que havia recursos naturais em abundância. Foram tão explorados ao longo dos anos, da forte migração do campo para a cidade e da explosão demográfica, que agora estão escasseando. E não é a falta de chuva que causa a falta de água em cidades como São Paulo. É o desperdício. Hoje é dia mundial da água.

São Paulo já passou por um memorável apagão em 2001. Faltou energia e faltou água também. De repente eram feitas as contas de quanto se gasta em atividades (domésticas) diárias. A população foi esclarecida sobre como o custo da água é calculado na conta que vem todo mês. As pessoas aprenderam a fechar a torneira enquanto escovam os dentes, lavam a louça ou o cabelo. Em algumas pessoas, o efeito do apagão foi permanente, em outras não. Há maneiras diferentes de fazer um uso racional da água encanada: reduzir e reaproveitar.

Reduzindo

Não uso mais mangueira pra nada. As plantas eu rego uma a uma, com uma garrafa pet ou regador. Se tivesse carro pra lavar, usaria um balde e panos. Tenho a impressão de que a mangueira convida mais a esbanjar água que as constantes idas e vindas e carregamentos de baldes.

Torneira pingando
Aprendi que goteiras desperdiçam água e não me contenho quando vejo uma: vou lá e aperto a torneira, mesmo que não seja na minha casa. Se não adiantar, converso sobre o vazamento e divido o problema com mais gente.

Embaixo da ducha
Morei numa casa em que a resistência da ducha só dava conta de aquecer a água por 15 minutos. Depois disso, ouvia-se um estalo e a água vinha fria. Foi assim que aprendi a tomar banhos de 15 minutos ou menos.

Fui num albergue na Europa (não lembro mais onde foi) e o chuveiro era um esquema parecido com aquele que temos nas torneiras de muitos banheiros públicos. O fluxo de água pára sozinho, depois de x tempo. Para acionar a água novamente pelo mesmo tempo, é preciso apertar a torneira. Quando a água do chuveiro do albergue acabou a primeira vez, fiquei surpresa e com frio. Instintivamante, apertei o botão de novo e o meu problema foi resolvido por x tempo. Quando a água acabou de novo, achei que a brincadeira não tinha graça e apressei o meu ritual sanitário.

Dividi quarto com uma moça de Cuiabá, que tinha o hábito de tomar 3 banhos diários. Apesar de Campinas não fazer tanto calor e ter um ventinho soprando, ela manteve o hábito. Nas nossas assembléias de república, discutimos formas de conter gastos da casa e ela entendeu que três banhos eram psicologicamente requeridos, mas fisiologicamente desnecessários. Reduziu pra 2.

Reaproveitando
Se é inevitável consumir um certo tanto de água, isso ainda não quer dizer que a água que sai da torneira deve ir direto ao esgoto. Ouvi dizer que na Alemanha a água que sai da torneira custa x e a água que entra no ralo custa 4x. Além do consumo humano e irrigação das plantas, há uma alternativa para mudar o caminho entre a torneira e o ralo: coletando a água e usando-a em outro lugar.

Máquina de lavar roupa
A máquina de lavar usa muita água, porque enxágua a roupa mais de uma vez. Dependendo do programa, nível de água que estabelecemos e produtos que colocamos, o consumo de água flutua. Mas essa água, depois de usada, vai pro nosso sistema de esgoto, onde é contaminada pela a água da privada, pia e tal. Ainda dá pra captar essa água no tanque, em baldes, e usá-la pra lavar quintal. Assim não é preciso usar produtos de limpeza agressivos para limpar o quintal.

Na pia da cozinha
Nem toda louça suja precisa ser lavada. Migalhas de pão no prato não precisam ser removidas com água, bucha e detergente. Nem toda louça precisa ser lavada com detergente. Detergente serve para remover gorduras e fazer espuma. Por mais que gostemos de espuma, precisamos ter a consciência de que estamos poluindo a água com detergente. Quando lavamos vegetais, podemos muito bem coletar esta água para depois regar as plantas de vaso.

Um comentário:

Mazu disse...

O título devia ser "encanado como água". rsrsrsrs