sábado, 28 de março de 2009

Daqui até a Paulista

Pedalei 20 e poucos quilômetros até a Praça do Ciclista, sendo que demorei aproximadamente uma hora e meia. Peguei bem a hora do rush, a partir do momento em que entrei nas avenidas. Adotei uma estratégia diferente em cada uma delas.

Na Yervant parada, desci da bicicleta e a empurrei pela calçada. Na Santa Catarina, que tem espaço de uma faixa e meia, trafeguei tranqüila pela meia faixa (da direta) livre. Na Cidade de Bagdá ocupei a faixa toda, porque ninguém descia aquela ladeira sem freios, que nem eu. Na Corbisier me posicionei a meio metro da guia, de maneira que os carros que me passassem tinham que me ultrapassar invadindo a faixa à esquerda deles. Na Jabaquara eu já tive coragem pra trafegar entre os carros parados. Como o meu guidão é grande, os espelhos retrovisores dos carros se tornaram obstáculos que eu precisava considerar. Quando a Jabaquara passou a Domingos de Moraes, voltei à faixa da direta. Antes da Domingos virar Vergueiro, vi um ciclista vestido para a bicicletada. Tentei acompanhá-lo, mas ele costurava entre os carros e não parava no farol vermelho. Na Paulista fui fechada duas vezes pelo mesmo ônibus. Me enfezei e voltei a trafegar pelo corredor de carros, pra deixar o ônibus pra trás. E deixei.

Não me orgulho de pedalar entre os carros, no corredor. Mas com o trânsito parado, a faixa da direta não é uma boa opção: ocasaionalmente algum passageiro abre a porta do carro pra sair; o espaço que há entre o carro e a guia não pode mais ser negociado com o motorista, simplesmente está tomado; a fumaça que sai do carro da frente faz arder os olhos e fechar a garganta; alguns pedestres preferem caminhar na rua ao invés de fazerem ginástica nas calçadas. Costurar por entre os carros também não é ideal: existe a concorrência com os motociclistas, que não são solidários com ciclistas; os espelhos retrovisores dos carros; alguns motoristas são ótimos manobristas e conseguem mudar de faixa mesmo com pouco espaço.

Como eu tenho a pretensão de dar o exemplo de ciclista urbana que conhece seus direitos e deveres, vou tentar pedalar sempre pela faixa da direita. Assim estarei num lugar previsível e para mim destinado, segundo o Código de Trânsito. O que incomoda muitos motoristas é que os motociclistas estão em toda parte (buzinando). Continuo sinalizando com o braço que vou mudar de direção e parando no farol, antes da faixa de pedestres. E sei que sou olhada por muita gente com respeito.

5 comentários:

VagalumeVermelho disse...

Apesar de não ser explícito, nos dois últimos parágrafos você parece estar se justificando, quase se desculpando, por pedalar entre os carros.

Penso que não há necessidade de fazer isso, não me parece uma prática errada. Na pior das hipóteses é perigoso, mas aí o interesse de evitar o perigo é do ciclista, saberemos quando fazer isso.

Dei uma pesquisada no Código de Trânsito Brasileiro e não encontrei qualquer passagem dizendo que andar pelos corredores é errado, nem pra bicicletas nem pra motocicletas. Se você encontrar, por favor me passe o número do artigo.

Lembro-me até de uma revistinha que era distribuída em postos de gasolina nos anos 80, o Shell Responde. Uma delas tinha como tema a guerra entre motoristas e motociclistas. Posso estar muito enganado, mas pelo que lembro as motos eram incentivadas a ocuparem o espaço entre as faixas, o que me parece fazer bastante sentido.

Hoje se fala muito que é errado. Já ouvi isso inclusive de comentaristas de noticiários de rádio (e provavelmente de tv também, mas não sei porque não assisto), pelo jeito sem muito conhecimento da lei. Tal reação mais me parece ressentimento desses motoristas pelo fato de as motos poderem seguir seu caminho enquanto eles ficam completamente travadinhos.

(E olha que não sou motociclista, sou até alvo de algumas escrotices deles quando pedalo ou, raramente, quando dirijo; não estou defendendo eles, só estou dizendo que trafegar entre carros não me parece, em si, uma atitude errada.)

Você tem razão quanto aos inconvenientes de pedalar entre os carros e a guia, na faixa da direita. Mesmo assim, na maior parte do tempo isso é o mais seguro a fazer. Mas também não é raro que o fluxo de carros esteja abaixo dos 20km/h, e aí estamos em condições de igualdade. Aí acho que é o caso de pedalar nos corredores, sim, sem medo ou sensação de estar fazendo algo errado. É só voltar pra direita ao ver que os carros vão acelerar mais, pois aí além de atrapalhar os outros é perigoso.

É importante que quem já pedala bastante no trânsito ocupe corretamente esse espaço, demonstrando cuidado e preocupação para não atrapalhar os outros, coisa que de um modo geral não faz parte da conduta dos motoristas. O respeito vem daí, como vc bem disse.

Os motoristas aos poucos terão que aceitar que esse espaço também pertence ao ciclista por direito, e que haverá cada vez mais ciclistas pedalando no trânsito e não apenas nas ciclovias ou parques.

iglou disse...

Oi, Vagalume Vermelho

Agora, que já pedalei mais na cidade de São Paulo, inclusive em grupos de ciclistas que estão acostumados a enfrentar o trânsito pesado, concordo contigo.

Ainda tenho muito cuidado ao trafegar pelo corredor, porque andei reparando que os motociclistas, quando procuram brechas, se orientam muito pelo som (de outras motos). Como a minha bicicleta não faz barulho, sou ignorada.

Mas concordo que, como tenho a possibilidade e a vantagem de conseguir progredir no trânsito, não devo me deixar trancar e prestar solidariedade aos enlatados entalados. Hehehe. Trafegar pelo corredor ou faixa da direita é uma escolha que deve ser feita na hora, conforme a velocidade dos carros e o bom senso permitirem.

Uma coisa que teve efeito sobre mim foi pedalar na Paulista com os Lokobikers. De noite, o trânsito estava calmo, quase não havia ônibus. Trafegamos pela segunda faixa da direita, não pela faixa da direita, que é do ônibus. O símbolo da bicicleta está desenhado nesta segunda faixa da direita, mas eu não sei se foi o nosso número que fez com que nos dessem a faixa, ou se foi o pouco trânsito. Ciclistas solo provavelmente trafegariam pela faixa da direita. Não sei.

Olha como é a coisa da massa: um cara de patins entrou no nosso comboio de ciclistas na Paulista. No começo, mudava entre a calçada e a gente, mas já no fim da Paulista, esperou pelo farol verde com a gente, conversando. Exemplo literal de um cara se enturmando.

Mas só pra fechar, agradeço o teu comentário. Me mostrou que as regras do jogo não estão prontas, mas surgem a cada nova situação. Continuo me esforçando para respeitar e ser respeitada nesse trânsito tenso.

Anônimo disse...

Ontem de manhã, indo pro trampo na mesma av Tarujás ( deve ser isso ), aquela onde vc percebeu como ser pedestre aqui é pior do que tudo, sentido centro antes da ponte. O único corredor com espaço suficiente é o da esquerda all day( muitas faixas se transformam em poucas ) . Como dei sorte e peguei o farol abrindo , entrei na frente das motócas e fui socando a bota. Quase chegando na ponte eu mudei pro corredor imediatamente a direita. Fiquei esperando elas passarem e nada( tava realmente apertado). quase sempre não resisto e levantei as duas mãos em comemoração ( pura estupidez , mas adimito que sou normal e não perfeito ). Antes da ponte acabar o motoqueiro que puxava a fila emparelhou , levantou a viseira e disse :"- véio, sua bike é melhor do que qualquer carro ou moto aqui." Eu apenas sorri , ou tentei, e segui minha jornada diária.
Isso só pra dizer que independe do local ( direita ,esquerda, calçada etc's ). A velocidade dos obstáculos , educação e bom senso de bike nos levam além.
Então Lou , peço desculpas pelo seu câmbio dianteiro. Mas não pense que ele não conseguiria faze-lo funcionar...
Se vc soubesse como funcionam a maioria das " lojas " , entenderia por exemplo porque não se vê quase nenhum biker por aí.
Apenas pilotos de corrida de final de semana.

Valeu pela foto da Analu.
Ivan

iglou disse...

Salve, salve Ivan

Relax, eu não tinha reclamado pro Luciano que a coroa menor não era usada faz muuuuito tempo, portanto não se desculpe. Não tinha por que ele olhar ali.

A foto da Ana Lu não ficou tão legal assim, porque a minha máquina agora tem medo de luz, vê se pode.

Hehe, curti o teu relato exemplar de como a bicicleta é mais versátil no trânsito parado que qualquer outro meio de trasnporte.

Abraços

Anônimo disse...

Pior que tinha. Ainda mais se trocou os conduítes pelos apropriados.
Tudo de bom aí!