sábado, 14 de março de 2009

Imprudência

Um Ka branco seguia a 120 por hora na pista do meio, com o pneu de trás (e da direita) furado. Várias opções de explicação para esse fato passaram pela minha cabeça:
- a pessoa atrás do volante não tem nenhuma noção de física e não sabe que esta situação não é sustentável por muito tempo.
- a pessoa que está dirigindo não ouviu o barulho que o pneu furado está produzindo porque é surda, porque está ouvindo música no último volume, porque não acha que é com ela.
- a pessoa com o pé afundado no pedal está morrendo de pressa pra chegar num lugar em que alguém troque o pneu, ou para o compromisso marcado.

Um barulho de estouro. Vi a borracha do pneu furado arrancando parte da lataria do carro. O Ka mudou de faixas até chegar no acostamento e parou. Um caminhão passou por cima daquela parte que cobria a parte superior do pneu. A porta do Ka se abriu e a mulher recolheu a parte arrancada e amassada de seu carro. A outra porta se abriu e as duas foram apreciar a destruição, com as mãos no rosto.

Passei por elas, e quando vi um telefone SOS, voltei até o Ka. Uma estava com o celular na mão, a outra me deu atenção. Avisei que tem um telefone ali na curva, e que é melhor elas pedirem ajuda por aquele telefone que pedir ajuda pro marido, pai ou irmão.

Saí de lá me sentindo uma sobrevivente. Imagina se o pneu arranca a lataria do carro do meu lado e as coisas voam pra cima de mim?

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