sábado, 28 de março de 2009

Bicicletada violenta

Não via a cena, mas a coleção de pequenos atos de violência gratuita e total desprezo pelo coletivo começou com um cara brincando de luta com outro, na concentração que era pra ser lúdica. O cara caiu de cabeça no chão. Quando ele sentou na calçada, segurando a cabeça com as mãos, seu agressor veio, deu um tapinha nas costas e se desculpou: Foi mal, cara, eu achei que você lutava.

O mesmo cara atravessou o meu amigo duas vezes, sem considerar que a rua não estava vazia e que havia mais gente além dele ali. Não pediu desculpas, apenas olhou pra trás, como se procurasse pelo djin que deu um tapa na sua roda traseira.

Numa bicicleta de downhill, o cara vinha velejando pela rua, gritando numa voz de Tim Maia Racional que estava sem freio. Foi esbarrando nas pessoas que não desviavam dele. Quando se cansava da brincadeira, ficava empinando a traseira da bicicleta: freiando o pneu da frente. Sim, no meio da rua, sem olhar se vem vindo alguém atrás.

O cara tava filmando a bicicletada rumando para o centro de São Paulo em cima do seu skate em movimento. Ele girava o tronco segurando a câmera e registrava tudo. Um ciclista de camiseta verde atravessou a massa de gente que passava, se posicionou na rota do cinegrafista de skate, sorrindo, esperando o momento da colisão. O skatista foi pro chão e a câmera também.

Há momentos em que a bicicletada pára. Num desses momentos, um bonitão não quer parar e me ordena que eu lhe dê passagem. Faz um gesto indicando que é por ali que é a sua rota que eu estou interrompendo. Dou um aceno e um sorriso pro moço bonito, mas ele não quer ser gentil. Quer passar. Urgentemente.


A bicicletada invadiu a zona de pedestres ali na Praça da Sé. Vi que um ciclista procurou uma rota alternativa, pela rua mesmo, pra chegar ali, mas ele não foi seguido por muitos. Muitos se empolgaram com o espaço vazio e completamente desrespeitaram o fato de que a praça é para pedestres e tem muitos moradores.
Perto do Teatro Municipal, a bicicletada voltou a parar. Me disseram que um cara tava jogando cuecas no prédio da CET. Vi como alguém tentava jogar um tecido no alto de um estabelecimento. Hoje soube que esse cara tinha recebido uma multa da CET por ter pedalado pelado na Paulista e ter sido preso. O trajeto do passeio passou pelo prédio da CET e a bicicletada ficou estacionada lá por pelo menos 10 minutos para que um cara ficasse tentando jogar uma cueca na CET.
*
Como considero qualquer falta de respeito como um ato de violência, esta é a minha coleção de violências da bicicletada de ontem.

3 comentários:

newton granado disse...

Olá, tudo bem?
Também vi a cena de 'briga' entre dois ciclistas antes do começo da bicicletada.. Cena patética e de muito mal gosto..

vagalumevermelho disse...

Pois é, também vi a cena...

Um evento que se pretende sério, até se auto-intitula "movimento", mas em que se vêem cenas de tchurma de faculdade, e em alguns casos, de colegial.

Se o grupo não começar naturalmente a inibir esse tipo de coisa, vai logo logo perder completamente o respeito.

Anônimo disse...

Logo logo ?
...
Boicote já !
Educação e cidadania "é" todo dia.
Pedale, cuide de sua bici e coma fibras.
sensibilidade as vezes é mais importante que conhecimento.
Não use drogas pesadas pra depois perceber que não vale a pena