domingo, 29 de junho de 2008

Bicicletada Junina

Vestidos de caipiras, muitos ciclistas foram se ajuntando na Praça do Ciclista, que fica ali onde a Av. Paulista junta com a Consolação. Bandeirinhas foram estendidas, biribinhas foram distribuídas e o povo foi chegando aos poucos.

Algumas pessoas trouxeram comida (principalmente bananas, a comida de ciclista por excelência) pra compartilhar. Também tinha pé de moleque e paçoca, claro.

Caixas de madeira (restos de feira) encontradas nos arrdores foram reduzidas a tábuas e foi feita uma fogueira de São João.

Apareceu um sanfoneiro ciclista, que animou a galera a dançar e teve quadrilha, claro.

As pessoas se divertiram dançando, se pintando de caipira, conversando com velhos conhecidos e conhecendo pessoas novas. Eu, por exemplo, conheci a organizadora de um grupo de mulheres que pedalam de noite chamado Saia na Noite. A mulher era muito simpática, mas o esquema do grupo não me agradou. As mulheres que pedalam uma média de duas horas num determinado dia da semana chegam de carro, pedalam, e voltam pra casa de carro. Elas só pedalam neste grupo, contam com a obstrução de algumas vias (ou a CET ou a monitora trancam o trânsito) pra que possam passar 'em segurança' e não têm autonomia para pedalar na cidade e fazer da bicicleta seu meio de transporte.
A noiva teve uma chegada triunfal, o noivo já estava esperando.Enquanto 300 ciclistas deram uma volta na Av. Paulista, algumas pessoas, que ficaram na praça, prepararam um quentão.
A volta ciclística contou com algumas bicicletas chamativas, como esta, por exemplo. Reparem que há duas telas mostrando o que toca no DVD do homem. Isso é o que dá pra ver. O sujeito também pode fazer a sua bicicleta tocar um som super alto. (Uma bateria de carro alimenta o DVD e as lâmpadas de árvore de Natal.) Durante o passeio pela Paulista, o homem deixou rolar um funk dos infernos (em que créu créu créu era repetido ad absurdum). Eu não queria ser relacionada a essa poluição sonora.
Enquanto pedalávamos, algumas coisas me incomodavam: por que andamos no lado esquerdo da via? Ariel respondeu que do lado direito tem os ônibus. Reparei que am alguns momentos, ocupamos todas as faixas da Paulista. Se eu estivesse dentro de um carro, eu sentiria raiva destes ciclistas que não sabem respeitar o trânsito e ficam gritando que carro faz trânsito, que vão tocar fogo nos carros. Percebi que a grande motivação dos ciclistas é tomar as ruas, se posicionar contra os carros. Notei que as travessas da Paulista eram obstruídas por ciclistas que faziam o 'corking'. De novo, se eu estivesse dentro de um carro e o farol abrisse e fechasse três vezes e eu fosse incapaz de sair do lugar porque tem um ciclista parado na minha frente, eu teria muita raiva dos ciclistas. Os pedestres, no entanto, eram respeitados. Os ciclistas paravam no farol até que o último pedestre tivesse atravessado a rua, mas não esperavam que o farol abrisse, para continuarem seu passeio.
Estes ciclistas não são capazes de se integrar ao trânsito. Ninguém sinaliza que vai virar, muitos não tinham luzes em suas bicicletas e muitos não sabem que ciclista nunca deve andar na contramão e nunca deve pedalar na calçada.
Enfim, de volta à Praça, o herói já estava à caráter e as pessoas se divertiram ao som da música tocada pelo sanfoneiro. Percebi que o que importa pra bicicletada é agregar gente, não educá-los pro trânsito. Estes ciclistas querem ciclovias e não consideram que esta é uma solução cara, que apenas segrega motoristas e ciclistas, mas não faz com que um respeite o espaço e a velocidade do outro. Muitos destes ciclistas são ativistas contra o carro e se orgulham de não possuir uma lata poluidora.
A bicicletada agrega gente de diversas camadas sociais. Vem o gari que pedala todo dia porque não tem dinheiro pro ônibus, vem o maluco que quer exibir a sua bicicleta toda incrementada, vem os mano que são mestres em se equilibrar na roda traseira da magrela, vem os bróder skatista e os mano de patins, vem os doido das bike irada e vem até gente sem bicicleta. A integração desse monte de gente em volta da bicicleta é um fenômeno louvável. Mas o abuso do espaço na rua durante um breve passeio na Paulista é condenável porque não consegue passar ao mundo a mensagem de que a bicicleta é um meio de transporte que pretende ser visto como tal.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Quem te viu e quem se vê

Teve festa de encerramento das atividades do semestre no Centro de Convivência de Afásicos (CCA) e eu fui, pra ver OJ. Mas ele não foi. Os sujeitos afásicos que freqüentam o CCA e participam das atividades do grupo da minha orientadora já me conhecem porque eu fui lá uma vez pra falar de bicicletas e outra vez pra falar da Holanda e mostrar algumas fotos. Bom, aos olhos das pessoas deste grupo (afásicos e estagiárias da Fonoaudiologia) eu sou 'a ciclista'.

Conversei um tempão com uma mulher que faz musicoterapia com alguns sujeitos afásicos. Esta mulher já me conhecia (como ciclista) e quis saber mais de mim. Falei da minha ligação com o CCA e que eu analiso a fala de uma criança e dois sujeitos afásicos à procura de preposições. Quem são os sujeitos afásicos? MS e OJ.

Ai, menina, eu conheci o MS porque ele foi casado com uma amiga minha. Ele era cultíssimo, uma pessoa carismática, sempre rodeado de gente, muito conversador, sempre tinha estória pra contar e vivia no meio dos jornalistas. Aí ele separou da minha amiga e eu nunca mais ouvi falar dele. Daí eu vim pra Unicamp, assisti umas aulas de Neuro e a professora mostrou um vídeo dos sujeitos afásicos e eu reconheci o MS! Menina, cê não sabe como eu chorei de ver aquele homem daquele jeito! Nossa Senhora, que agonia.

No fim da minha tese, aponto para a necessidade de considerarmos a relação que o sujeito tem com a linguagem. Não só elencando suas atividades lingüísticas antes do AVC (derrame), mas também como o sujeito avalia a sua própria fala. Na primeira sessão que eu tive com MS, mais pro final, ele vira, de peito estufado, e com um sorriso no rosto, pra minha orientadora e diz: Melhorei!

OJ já é um caso diferente. Depois do derrame, ficou mudo por 6 anos. OJ está se comunicando através da linguagem faz 8 anos. Quando OJ fala de sua linguagem, diz: Antes, antes, antes? Mudo. Hoje, hoje, hoje? Conversa.

Na festa junina, conversei também com CL, que teve um rompimento de aneurisma no cérebro e, na cirurgia, teve parte do crânio (na têmpora esquerda) removida. O cirurgião tinha lhe informado que ele tinha 1% de chance de sobreviver, e que precisaria usar uma cadeira de rodas se saísse vivo. Um mês depois da cirurgia, CL estava andando. Hoje, 5 anos depois da cirurgia, lhe faltam palavras (mas ele descreve o que quer dizer e fica feliz quando alguém adivinha a palavra que ele procurava) e apresenta algumas estereotipias (usa 'cê não acredita' em cada início de conversa, 'vamo se dizê' cada vez que as palavras não vêm a tempo e assim adiante). Como CL se vê? EU TÔ VIVO! exclama, levantando os braços e sorrindo de orelha a orelha.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Super-heróis

Eu tava caminhando por Barão Geraldo, quando passei por um pai caminhando ao lado de sua filha que andava numa bicicleta de rodinhas (como aquela em que aprendemos a pedalar).

- Eu tenho cinco anos e não sei andar de bicicleta, pai!
- Ah, filha, mas eu acho que quando você tiver seis anos, você vai saber andar de bicicleta.
- Você sempre ACHA as coisas, nunca SABE das coisas.

Meus pais sempre souberam das coisas. Por isso eram os meus heróis. Foi difícil pra mim sacar que o que eles defendem como 'a verdade' é apenas uma opinião pessoal. Foi difícil convencê-los de que há mais de uma maneira de se encarar um problema. Foi difícil encarar o fato de que não eram mais super-heróis.

* * *

Fui dar plantão no curso de Neuro, pra quem tivesse dúvidas quanto ao trabalho de avaliação final. Vieram poucos, mas tivemos boas conversas. Uma guria reclamou das condições atuais de sua vida: mora em Campinas e pega ônibus de manhã pra vir pra Unicamp, e aquele ônibus vem lo-ta-do, a pessoa se sente literalmente numa lata de sardinha. E o pior é ver o Angel lá, todo dia, esprimido. Como que pode? Professor universitário vem que nem uma sardinha, no ônibus.

Professor universitário, no nosso imaginário, é o intelectual que não pega fila de banco, não faz compras no supermercado, não pega ônibus lotado. Professor universitário está acima dessas coisas, porque é meio super-herói. Professor universitário a gente encontra em ópera, cinema, exposição, museu e sala de aula. O Angel, no entanto, é um professor universitário que come no bandejão como a gente e toma ônibus lotado, como a aluna. Foi difícil pra aluna encarar o fato de que o Angel não é um super-herói.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ponto de vista

A 'bicicletada pelada' que aconteceu no sábado passado, dia 14 de junho, foi muito mal noticiada. Todo mundo ficou sabendo que aconteceu uma passeata na Paulista e que um ciclista foi preso. Mas essa não é a história toda.

Em primeiro lugar, o número de ciclistas varia de acordo com quem faz as estimativas. Os ciclistas que estavam lá contam entre 400 e 500 participantes.

Em segundo lugar, o homem que foi preso não foi preso porque estava nu: muitos homens ficaram nus em suas bicicletas, e fiquei sabendo de duas mulheres que ficaram completamente sem roupa. O homem que foi preso somente foi preso quando, no meio de tantos outros pelados, juntou-se a eles em sua nudez. O homem que foi preso estava marcado pra ser preso. A Rede Globo estava lá pra filmá-lo de frente e apresentá-lo no Jornal Nacional, como o homem que ficou nu no meio da Av. Paulista.

Em terceiro lugar, os motivos pra 'bicicletada pelada' não foram divulgados. As pessoas nas ruas foram pegas de surpresa, não entendiam contra o que estávamos protestando. De noite, na frente da TV, as pessoas interpretaram aquela passeata como um disparate, não conseguiram ligar a bicicleta a um meio de transporte sustentável, que talvez deva substituir o carro que polui, faz barulho, causa congestionamentos, estresse.

Os dois pontos de vista são diametralmente opostos, porque os interesses de cada um que publica o seu ponto de vista são diferentes. A mídia quer sensacionalismo. A mídia quer ser imediata, e só descreve parte da situação, não discute as motivações dos participantes da 'bicicletada pelada'. A polícia tem que fazer a sua parte, trazendo pra delegacia um troféu. O homem que foi preso era tido como o líder da manifestação. André Pasqualini, o homem que foi preso, expressa o seu ponto de vista aqui.

Quem olhou pra foto da árvore e da mata-figueira certamente reparou na árvore-parasita. Olha como os braços se estendem em volta da árvore, olha como o parasita está em todo lugar. Estou te convidando pra olhar pra outra árvore, a árvore-suporte, pra tomar conhecimento de um outro ponto de vista.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Papo de homem

Pequena Lou vai ao bandejão, senta numa mesa cheia de homens e se põe à escuta do que conversam.

- Que parada lôca é essa?
- Suco de pêssego.
- Véio, pêssego num tem essa cor nem fudendo. Deve ser uva.
- Uva é roxo. Isso num é roxo, cara.

- Cê num foi fazê prova hoje?
- Eu não, desisti dessa matéria. Tirei um e meio na primeira prova, num ia nas aula, tranquei, meu, já era.

- Que diabos de suco é esse?
- Pela cor deve sê uva.
- Mas num tem gosto de uva, meu. Tem gosto de manga.

- Caralho, fui comemorar o gol e quebrei a mesa.
- Ai, amor, como cê quebrô a mesa?
- Ah, me empolguei e deu merda. Agora tenho que comprá ôtra mesa, e é mó caro!

- Ôh, ninguém vai comê as laranja? Dá aqui pra ele, que ele faz suco.
- Num é laranja, cara, é limão.
- Ah, é. Só lembro que cê tava empolgadão com um suco aí.
- Suco de limão, bicho. Rende pra caramba.

- Aí eu entreguei a prova e o professor perguntô se eu ia num seminário lá.
- E aí?
- Aí que eu respondi que eu ia sentar ali e dormir. Puta, varei a noite estudando praquela porra daquela prova, eu tava sem condição, precisava dormir.

- Amanhã tem feijoada.
- Como cê fica sabendo dessas coisas?
- Hahaha.

- Cara, num agüento mais, tem testinho todo dia essa semana!
- E aquele professor filha da puta dando aquelas aulas de merda. Muito ruim!
- Pode crê, eu quero que o semestre acabe logo, sem eu ter que fazer todas as provas que tão agendadas.

Pequena Lou conclui que os meninos gostam de falar palavrão e estão estressados com as provas de fim de semestre. Os engenheiros mais que os meninos das humanas, que não sofrem tanta pressão de nota, prova, meio ponto, professor sádico, ficar de exame e essas coisas que fazem mais parte do universo de quem faz exatas.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Pra vida toda

Andei reparando que as pessoas à minha volta estão assumindo compromissos pra vida toda. Meu irmão casou, Stephanie está grávida, Caldo vai noivar e a Livinha comprou uma casa.
E eu não sei o que será de mim a partir de janeiro do ano que vem. Defendo em dezembro e depois presto qualquer concurso que abrir. Se eu passar num concurso pra professora universitária na federal de Manaus, estarei no meio da floresta amazônica, tendo overdoses olfativas; se eu passar na federal de Natal estarei na praia, pensado no centro de primatologia e na possibildade de estudar linguagem em macacos; se eu passar na federal de BH, estarei comendo pão de queijo e falando mole; se ...
Não quero nem continuar na Unicamp nem voltar pra USP: essas são as minhas certezas pra vida toda.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Composteira

Na nossa última assembléia discutimos muitas coisas, dentre elas a implantação de uma composteira, captação de água da chuva, horta de ervas e a mudança da função do Caldo, que não quer mais saber de telefone. O problema do Caldo foi fácil de resolver: a função dele agora é o lixo e o Gustavo está no telefone. Mas pra implantar as idéias naturebas do Junior, a gente precisava de ajuda externa.
Dois casais de amigos do Junior vieram pra ensinar a fazer uma composteira que não fede e não atrai bicho. Passaram o dia aqui, e quando saíram, tínhamos uma composteira. Restava ensinar pros moradores como proceder com o lixo orgânico. Não é só jogar o lixo orgânico acumulado na cozinha na composteira e boa. Tem que cortar o lixo em pedaços menores e revirar o conteúdo da composteira numa massa homogêna, ocasionalmente adicionar mais serragem e pronto.
A idéia de captar água da chuva também precisa ser estudada mais a fundo e pra implantar uma horta, os hábitos dos meninos precisam mudar. Até agora só eu como os maracujás doces, salsinha, cebolinha, alecrim e hortelã que eu plantei. Os outros moradores não têm o costume de consumir essas coisas, nem nunca tinham visto uma composteira.
Bom, o lixo orgânico parece funcionar bem. Os outros, o reciclável e o imprestável estão temporariamente abandonados. Tudo uma questão de adaptação.

Em tempo: Percebi que muita gente cai aqui atrás de informações sobre composteira e que esse post talvez não seja exemplar. Pra ajudar, vão outros links:

Composteira

Projeto HortOca
Projeto Canto da Horta
Horta em garrafas pet
Horta no cano de PVC
Plantio
Finalizando

Self made jardineira
Telhado pra composteira

Dois anos depois

Lixo

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Pequena Lou dobrando panfletos

Ariel achou uma foto minha no flickr de uma cicloativista. Obrigada, Ariel!

domingo, 15 de junho de 2008

World Naked Bike Ride

São Paulo, 14 de junho de 2008, 14:00.

Vamo pedalá pelado!
Como assim?
Assim, tirando a roupa.
Mas por que?
Pra demonstrar como ciclista se sente no trânsito. A gente não tem a lataria do carro, não tem vidro blindado, não tem air bag, cinto de segurança, ou qualquer outra proteção a não ser o capacete e roupas coloridas e luzinhas de noite pra se proteger. E isso parece não ser o suficiente, porque ciclista não é respeitado no trânsito. Então a gente está tirando a roupa pra chamar atenção pra nossa fragilidade.
Renata Falzoni estava lá, concentrando atenções no seu corpinho de 54 anos, como gostava de enfatizar. Arturo Alcorta também estava lá, me reconheceu de cara, mas não sabia de onde. Achei que essa velha guarda cicloativista seriam as únicas caras conhecidas, mas me enganei. Mais disso depois.
A imprensa estava em peso na Praça do Ciclista. Havia vários carros estacionados embaixo da placa de proibido estacionar. Um cicloativista perguntou pros policiais: não vai multar? Não, eles são imprensa.
Esses dois, entrevisando o André, que é o cara que foi preso, são de um programa de humor histérico. André tava sem cueca, com uma tanga feita de capas da Playboy. Indecência não é eu aqui pelado, é motorista tirando fina da gente. A lei exige que a ultrapassagem seja feita com um metro e meio de distância do ciclista.Do meio dia às duas da tarde de sábado, ficamos na Praça do Ciclista dando entrevista, servindo de alvo pras lentes dos fotógrafos, pintando os corpos dos ciclistas. Além de florzinhas, copos quebrados (frágil) e bicicletas, as pessoas escreveram mensagens umas nas outras: vá de bike, sou trânsito, pedale, não buzine.
Eu tinha duas preocupações: arranjar uma bicicleta e arranjar uma forma de passar o tempo até às 14:00. Parei do lado de um cara que eu não conhecia, dando entrevista e falando sobre o excesso de carros na cidade de São Paulo e como essa situação de trânsito trancado está ficando insustentável. Acabou a entrevista, e eu continuava lá, só olhando. Você é de onde? Campinas, e vim sem bike. Tem idéia de como posso arranjar uma? Opa, peraí. Foi atrás de bicicletas de aluguel da Porto Seguro, e voltou dizendo que só assegurados podiam emprestar bicicletas. Puxa.
Reparei num moço de rosto conhecido. Sentei do lado e fiz o que ele tava fazendo: dobrando panfletos. Cê fez Porto? Fiz, cê também? Não, fiz Humboldt. Cê fez USP? Fiz. Você já me deu carona na USP. Sério? É, tinha um monte de bambu ou palmito no carro, até foi difícil de entrar no carro. Pode crê! Isso é da época que eu era escoteiro, junto com os alemão batata da Igreja da Paz. É, Mathias, nossos caminhos se cruzam mais uma vez.
Perto das 14:00 passei por mais um rosto conhecido. Passei de novo e a ficha caiu: Ariel! Cê mora em São Paulo? Não, vim de Campinas e tô sem bicicleta. Vem comigo. Fomos até a casa do Ariel e buscamos mais uma bicicleta. Ariel caiu do céu! Sem bicicleta eu provavelmente não teria acompanhado a galera, porque eles seguiram rápido pela Av. Paulista.
Aí o André foi preso por atentado ao pudor. A Renata Falzoni tava do lado dele, dizendo então me leva junto. Você não! Claro que não. Renata Falzoni é quase celebridade, sendo apresentadora de um programa esportivo, não pode ser presa. Os ciclistas que estavam na frente do grupo decidiram: Vamo pra delegacia! Todo mundo pra delegacia! Eu aproveitei o momento de desorientação pra distribuir os panfletos que eu tinha dobrado com o Mathias. As pessoas recebiam os papéis com gratidão, acreditando que aquele papel lhes revelasse por que um bando de ciclistas resolveu tirar a roupa numa tarde de sábado. Foram decepcionados porque o panfleto era referente ao movimento da bicicletada em geral e em específico à inauguração dia 10 de maio de uma ponte. Nada que explicasse nossa falta de roupa.

Fomos até a delegacia. Paramos o trânsito, provocamos buzinadas, sirenes, admiração. Ôh, seu delegado, solta o pelado! Ficamos um tempão na frente da delegacia, atentos pra deixar que os carros passassem por nós na Av. Estados Unidos, mas não recuperamos o André.
Voltamos pra Praça do Ciclista subindo morro, sendo a subida da Augusta a mais cruel. Ah, Mathias tá à esquerda na foto aí em cima. Na foto de baixo está o Ariel.
O evento foi noticiado no Jornal Nacional: 100 ciclistas pedalaram nus pela Av. Paulista, um foi preso e liberado em seguida. O Estadão publicou que 200 ciclistas complicaram o trânsito e que um foi preso porque estava nu. Pelo visto, só nós sabemos por que quisemos pedalar pelados.



sexta-feira, 13 de junho de 2008

Culpa

Agora eu entendi qual era a daquele outdoor horroroso que anunciava "Você não tem culpa se o trânsito não anda" e "Você não tem culpa de estar na TPM." Era propaganda prum suco (light) em pó. Agora tudo faz sentido.

As pessoas hoje consomem muito mais que antigamente. E parecem não ter freio para o consumo de gorduras e açúcares. O que dá prazer é consumido em grandes quantidades. Álcool entraria nessa lista também, porque seus efeitos imediatos são (imagino) prazerosos, e as pessoas consomem muito álcool. Só que, combinada com hábitos de vida sedentários, a ingestão desmedida de doces, gordura e álcool deixa suas marcas no corpo. A pessoa engorda. No caso de alcoólatras, não só o corpo é afetado, mas também a mente (seja lá o que isso for).

Então, quando a pessoa se compara com o ideal de beleza, saúde, personalidade que ela tem para si, ou que é veiculado pela mídia, a pessoa fica frustrada, porque não corresponde a este ideal que é culturalmente construído. Dessa frustração vem a culpa: onde foi que eu errei?

Podemos dizer que os obesos e alcoólatras são um produto desta sociedade que estimula o indivíduo a consumir sem restrição. Todavia, também podemos dizer que a culpa por esse consumo desmedido é atribuída ao indivíduo, e não à sociedade. E aí o indivíduo precisa achar soluções para reverter sua obesidade ou seu alcoolismo. Obesos vão a Spas, academias, fazem dietas, tomam laxantes. Alcoólatras precisam primeiro admitir que são dependentes, depois visitam as AAAs de suas cidades. E, pedalando por aí, notei que na entrada de qualquer cidadezinha, por menor que seja, tem lá a plaquinha da Associação dos Alcoólatras Anônimos.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Sweet Dreams & Das Kapital

Li este livro do Dennett com o dicionário. Se eu lia na rede, os dois livros vinham junto, se eu lia na cama, o dicionário vinha atrás do Dennett. Não tive sweet dreams, como promete o título, porque a leitura é densa.

Quando Julio, mecânico de avião, leu O Capital (em português, claro, porque nem todo mecânico de avião brasileiro sabe o suficiente de alemão pra acompanhar a discussão de Marx), tudo fez sentido. Julio é o cara que voltava pra casa com as mãos tão sujas de graxa, que não adiantava esfregar com sabão em pó pra limpá-las. Julio é o caçula que sustentava os pais com o seu trabalho sem reclamar. Julio é o cara que gostava do trabalho braçal, mas queria a oportunidade de refletir sobre as coisas antes de meter a mão na graxa. A leitura foi penosa. Não só pelos termos técnicos, que o levavam constantemente ao dicionário, mas pelo tempo de digerir as informações contidas no texto.

Li Sweet Dreams com ajuda não só do dicionário, pra entender as palavras que não fazem parte do meu vocabulário ativo nem passivo ou virtual; mas também com ajuda do Philosophy Talk. Foi através de alguns episódios deste programa de rádio que pude perceber como o debate acerca da consciência é visceral, e por que o Dennett soa tão arrogante e certo da 'verdade', e como esses caras tipo Chalmers e Dennett são inimigos mortais, academicamente falando.

Não se sabe como O Capital caiu nas mãos do Julio, mas a leitura mudou sua vida. Entendeu como a maquinaria do capitalismo funciona e decidiu estudar pro vestibular.

Sweet Dreams é mais um livro da estante do Renato. Assim como pro Julio, no fim, as coisas fazem sentido. Não há nada para além da matéria, e uma filosofia da consciência é impossível, porque o que há são sinapses, neurônios e essas coisas que são analisáveis através das neurociências, não da filosofia. A filosofia pode considerar os avanços no campo das neurociências e tecer discussões a partir destes resultados, mas não pode, por si, avançar nos estudos da consciência, porque toma a consciência como um primitivo irredutível (assim como matéria ou tempo) e porque usa conceitos intuitivos e mal definidos como qualia e zombies.

O contato com a filosofia muda a minha vida acadêmica, no sentido de me dar mais instrumentos para argumentar, analisar e interpretar textos, sejam eles meus ou de outros. A correção dos trabalhos dos alunos do curso de que sou PED, por exemplo, foi uma bela demonstração das minhas capacidades críticas.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Ex-professor eventual

Aquele post sobre professor eventual, postado muito tempo atrás, provocou uma reação. Junior, sobre quem eu escrevia, se manifestou, e como a postagem está deveras escondida neste blog, resolvi publicar aqui o texto do Junior (acrescentei uns espaços, pra facilitar a leitura, mas de resto é o texto original).

Pessoal, a Lou deu um resumo do que ocorre, mas muitos detalhes faltaram. Ela escreveu isto logo no início desta experiência e muitas coisas mudaram depois disto. Sugiro que vocês me escrevam e posso dar mais informações e sugestões e compartilhar melhor esta experiência. juniortcc@yahoo.com.br
Implantei aulas de lógica, praticas de discusaão sobre asuntos polêmicos que até eles mesmo sugeriam.Fizemos assembéias na sala para resolução de problemas do grupo. Convermos sobre sexo, drogas, fizemos jogos, fizemos nada, fizemos enrolação.Tudo foi possível e até impossível. Muitos pontos são extremamente desmotivantes, como por exemplo você receber R$ 5,00/ hora. Receber o salário três meses depois. Não saber se vai receber. Não saber se vai dar aula. Que aula? quantas aulas ? Ficar de plantão e não dar aulas. Aguentar um monte de professores fumando e falando elas costas um dos outros. A maioria desanimado e cansado co o sistema, com o salario etc. Ser obrigado a dar aulas de matérias que você desconhece, que você não teve condições de preparar.
O sistema de substituição é péssimo. Os alunos não merecem este sistema. A experiência pessoal é ótima para quem deseja ser professor. Indico a todos que desejam entender melhor o que é o sistema educacional do país. Resumindo, parei de dar estas aulas a pouco tempo e decidi prestar outros concursos na área para ver se é possível fazer um trabalho de construção. O trabalho eventual não permite uma verdadeira construção com os alunos. Se quiser saber mais estou a disposição. Agradeço a Lou por abrir este espaço de discussão, assim podemos compartilhar isto.
Um abraço a todos.
Junior

terça-feira, 10 de junho de 2008

Ipê roxo

As chuvas fortes de duas noites levaram quase todas as flores pro chão, mas continua sendo época de ipê roxo.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Susto

Recentemente, preguei dois sustos memoráveis em dois meninos daqui de casa. Não que eu tenha planejado assustar os dois, mas não consegui parar de rir depois.

Estava escuro. Saí do meu quarto, fechei a porta e caminhei no corredor escuro até a porta pra cozinha. Fui tateando no escuro, abri a porta e ouvi o som de alguém roncando na sala. A um passo de mim, estava o Caldo, que tinha acabado de desligar a luz da sala, deixando o Sales dormindo lá. Os olhos do Caldo não tinham se acostumado à escuridão, e ele estava tateando em direção à porta que eu tinha acabado de abrir. Antes que ele encostasse em mim, eu disse

oi

sorrindo, baixinho. O menino se retraiu, deu dois passos pra trás e exclamou:
AI, QUE SUSTO!!!!

* * *


Estava escuro. Eu estava lá atrás, onde fica o varal, alongando o meu tendão de Aquiles no degrau. Faço isso todo dia, e tem que ser lá, porque lá consigo me segurar na coluna. Sales estava a caminho do seu quarto, e quando passou por mim, eu disse

oi

assim, sorrindo, e baixinho. O menino parou, arregalou os olhos, sugou todo o ar que seus pulmões foram capazes de administrar, e, soltando metade do ar, disse:
cê gosta de assustar as pessoas?

Puxa vida, os dois tomaram sustos parecidos, mas reagiram de formas diferentes. Eu imaginava que o susto fosse uma reação instintiva, biológica, incontrolada, meio universal pra todos. Consultei a Wikipédia em línguas diferentes e descobri que quando tomamos um susto, nosso corpo libera um monte de adrenalina no sangue, ficamos instantaneamente alertas, inspiramos um montão de ar, e todos os músculos do corpo necessários para uma reação ficam de prontidão, porque a adrenalina direciona a corrente sangüínea do intestino para estes músculos. Ou seja, tomar um susto significa que o corpo se prepara rapidamente para fugir ou atacar.
Pronto, entendi por que o Caldo recuou e o Sales ficou parado.
Falta entender por que eu fiquei dando risada da cara deles.

domingo, 8 de junho de 2008

Fim de semana no IEL

Resolvi apresentar o IEL em toda a sua esplendorosidade. Minha mãe não sabe como é o lugar onde passei tantos anos da minha vida. Eu gosto do IEL nos fins de semana, porque quase não há pessoas lá e posso trabalhar tranqüila. O tempo apagou a inscrição 'não entre' que alguém tinha escrito neste forno. Não sei pra quê nem quando fizeram o forno, ou se ele de fato foi usado, mas quando voltei da Holanda, ele tava aí.
A arcádia, um lugar fresco nos dias de calor, lotado no horário de almoço e deserto nos dias de chuva. A vida social dos ielinos se passa aqui.
E aqui, na sala de computadores vazia, eu passo alguns dos meus fins de semana em intensa atividade de ler, escrever, mover, apagar, contar, pensar e reescrever. Hoje, por exemplo, teve bacalhoada em casa. Quando a minha barriga emitiu sinais de fome já eram 17:00 e eu lembrei que esqueci de almoçar. Fui pra casa antes de escurcer e jantei sobras do bacalhau que os outros almoçaram.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Você é rapaz?


Eu estava sentada num dos bancos do vestiário da academia de natação, enxugando o pé. Entra uma senhorinha. Aquela que eu vejo todo dia sentada no banco do jardinzinho da academia, conversando com outras velhinhas. Imagino que ela faça hidroginástica e seja daquelas que chega uma hora antes de começar a aula.
A senhorinha passa por mim, a caminho do banheiro, me olha e pára. Fica visivelmente desconcertada e me olha nos olhos por um período de tempo longo, que chega a me causar desconforto.

Você é rapaz?

Alongo o 'n' de não e termino numa curva entonacional ascendente. A outra guria sai da ducha neste instante e dá risada. A senhorinha, no entanto, fica completamente sem-graça. É que você tá me lembrando alguém que eu conheço.
Vai para o banheiro, dizendo que uma grande amiga dela morreu.

Será que dá pra analisar esta cena bizarra?

Imagino que, quando a senhorinha me viu, várias dúvidas passaram por sua cabeça: esta pessoa é homem ou mulher? Devo checar? Será que eu entrei no vestiário certo? Devo ir até a porta e checar? Até ela tomar uma decisão, ficou me olhando fixamente. A decisão tomada foi checar se eu sou uma mocinha ou um rapaz, ao invés de duvidar de sua escolha de porta de vestiário. Ela fixou o meu rosto, e não procurou por sinais no meu corpo que lhe indicassem que não sou um rapaz. Em seu campo visual periférico não entraram informações sobre o meu vestuário que pudessem ajudar a decidir o meu sexo (roupa cor de rosa, elementos cintilantes, desenhos de bichinhos ou formas arredondadas, tipo coraçõezinhos).

Quando eu respondi sua pergunta, ela justificou a sua dúvida: você me lembra alguém que eu conheço. Provavelmente a memória dela evocou todas as vezes que eu passei por ela, ao sair da academia. É possível que ela sempre tenha assumido que aquela pessoa mexendo naquela bicicleta diferente seja um rapaz, porque rapazes andam em bicicletas deste tipo.

Depois que eu respondi e a outra mocinha riu da pergunta da senhorinha, surgiu um mal-estar. A senhorinha ficou sem-graça por ter me classificado erroneamente, eu fiquei sem-graça por ter evocado tal situação. Ela não pediu desculpas, mas desconversou, comentando a morte da amiga.

Em outras situações parecidas (entro no banheiro do IEL e uma menina se sobressalta, ai meu Deus! aqui é banheiro de homem?!; o policial rodoviário me vê pedalando em cima da faixa que separa o acostamento da pista e grita, de peito estufado: ôh, meu irmão!) o mal-estar foi tão grande, que os pedidos de desculpa foram constrangedores.

Nossa herança genética traz capacidades que não precisamos aprender do zero: achar comida (food), decidir se lutamos ou fugimos quando confrontados com situações novas (fight or flee), decidir quem é amigo e quem é inimigo (friend or foe) e escolher um parceiro para reprodução (finding a mate, ou simplesmente fucking). Nos três casos relatados acima, as pessoas não foram capazes de usar os mecanismos básicos para realizar a quarta capacidade com competência, ou seja, identificar o sexo do outro; e isso lhes causa desconforto.

Admito que não tenho a estatura típica de uma mulher brasileira. Admito que não me visto como a maioria das mulheres brasileiras (roupa apertada, cor de rosa, estampas de bichinhos ou outras coisinhas fofinhas, roupas com fitas, brilhantes ou palavras tipo 'girl' ou 'sexy', saia, vestido, sandálias ou sapatos de salto alto) e que não me pinto como a maioria das mulheres brasileiras (não uso maquiagem nem pinto as unhas. Quando pintei as unhas de vermelho, me supreendia toda vez que as minhas mãos entravam no meu campo visual: isso é sangue? Essa mão é minha?). Imagino que os brasileiros (ao menos os campineiros) se orientem por estes sinais que eu não dou, porque fora do Brasil nunca fui confundida com um homem. Ou pelo menos nunca assumiram verbalmente que eu fosse um.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Brabuleta


Ladrão camarada

Faz um tempo, Sales contou uma estória de assalto que aconteceu na Bahia, que foi engraçada: Sales tava no ponto de ônibus, de noite, sozinho, esperando. Apareceu um cara dizendo que a vida não tá fácil, que podia tá matando, mas que é um cara bom e prefere usar outros meios pra conseguir uns trocados pra sobreviver. Aí o cara mexeu no bolso, indicando que tinha uma faca ou outra arma. Sales disse que lhe daria dinheiro, e tirou os trocados do bolso. O cara, ao ver o dinheiro, arrancou-o da mão do Sales e saiu andando.

Sales levantou, deu dois passos e gritou na direção do camarada: ei! como é que eu vô pegá ônibus agora que eu tô sem grana?
O sujeito parou, separou uma nota de dois reais e a devolveu: ôh, foi mal aê.

Hoje o Junior me contou uma estória do mesmo naipe. A câmera digital dele tinha sumido, e ele não sabia ao certo se tinha sido roubada ou se ele a tinha esquecido em algum lugar. Não fez caso do ocorrido. Eis que vem um amigo dizendo que tinha um CD do Junior na FEF. Estranho, pensou, faz um semestre que me formei e não freqüento mais a FEF. Foi conferir o que era. Eram as fotos que estavam armazenadas no chip de sua câmera digital, gravadas em CD. Em cima de tudo, uma foto revelada em papel de um colega do curso de chinês, segurando um diploma, todo orgulhoso.

O camarada que roubou a câmera do Junior se sentiu na obrigação de devolver as fotos que o Junior tinha feito e as gravou em CD. Como o Junior tinha feito muitas fotos de um evento que aconteceu na FEF, o cara deixou o CD na Faculdade de Educação Física. Como a única foto em close era do colega de curso de chinês, o camarada pensou que aquele fosse o dono da câmera e imprimiu a foto, pra que o dono das fotos fosse identificado mais facilmente.

Os dois ladrões camarada dessas estórias singulares roubam, sim, mas se empenham em não ferrar a pessoa roubada.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Automania 2000

Coloquei em dois lugares esta animação de 1963 sobre o uso abusivo de carros. Não sei qual dos dois é melhor, mas já aviso que o rapid share permite o download em dois passos. E no meu computador aparece tudo em alemão.

http://rapidshare.de/files/39597933/John_Halas__1963__Automania_2000.avi.html

http://www.mediafire.com/?4zbmzszttom

Talvez o media fire seja mais imediato pra fazer o download, não sei.

Em todo caso, divirtam-se!

Manual sustentável

Aconteceu aqui em Campinas um evento chamado Sustentar, que pretende discutir sobre formas de desenvolvimento sustentável. Não fui a nenhum projeto, mas o Junior foi, e voltou trazendo muitas informações e material.
Um dos materiais era um manual de etiqueta de uma organização chamada Planeta sustentável com 33 dicas de como enfrentar o aquecimento global e outros desafios da atualidade.

A dica que mais me impressionou foi a dica 31:

Conscientize seus filhos dos problemas com o aquecimento global sem fazer terrorismo. A idéia não é deixá-los sem esperança, mas bem informados e dispostos a cuidar melhor do planeta que as gerações passadas.

Caramba. E quem ainda não tem filhos? Melhor não tê-los, pra poupá-los do trabalho de salvar o mundo? Será que o mundo tem salvação? Toda vez que eu vou ao supermercado, eu sou a única pessoa que recusa as sacolas plásticas. O número de ciclistas em Barão Geraldo pode até ter aumentado, mas os congestionamentos em São Paulo estão aumentando exponencialmente. No bandejão tem muita gente trazendo a sua caneca de plástico, mas os copinhos de plástico estão em todos os outros lugares onde há um filtro ou garrafão de água. Num dos 3 bancos em que tenho conta, não consigo ver o saldo da conta na tela do caixa eletrônico. A máquina imprime um papel. Precisa mesmo usar detergente pra toda a louça lavada? Precisa mesmo deixar o aquecedor do banheiro ligado o dia todo, pra não sentir frio na hora de tirar a roupa, antes de tomar banho? Precisa mesmo passar todas as noites na frente da TV ligada?

Estamos muito habituados a certos confortos, pra sermos capazes de mudar nossas atitudes. Estamos muito acomodados pra contribuirmos pra preservação do planeta. O futuro a gente faz agora, mas bateu uma preguiça... tá bom, eu vou já, já.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Philip Szymanski

Hoje é o dia de casamento do meu grande irmão com a Julia. Os dois decidiram que queriam ter o mesmo sobrenome. Os dois concordaram que Julia Kleppa é feio (gosto não se discute). A alternativa, então, era Philip Szymanski. E assim foi decidido.
Philip abdica do sobrenome numa boa, porque ele quase não conheceu o pai que lhe deu este sobrenome. Além do mais, quer subverter a obviedade da mulher aceitar o sobrenome do marido, aceitando o da esposa. Por fim, acha Szymanski um nome engraçado.

Que Philip e Julia sejam felizes juntos! Se a distância entre nós não fosse tão grande, eu adoraria presenciar o casamento do meu irmão mais novo, que mais uma vez inverte a ordem natural das coisas (saiu de casa antes de mim, por exemplo, apesar de ser mais novo).

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Memória e epilepsia

Iván Izquierdo é um cara que dedicou 40 anos de sua carreira ao estudo da memória e tem muito a dizer sobre ela, numa prosa solta, o que prezo muito. Não farei uma resenha do livro sobre como a memória se desfaz, porque as estratégias são muitas. Na verdade, aprendi que a função primordial da memória é esquecer.

Uma surpresa, pra mim, foi descobrir que memória e epilepsia estão intimamente ligadas. Uma crise epiléptica nada mais é do que uma descarga não-controlada no cérebro. Para conter a crise, o corpo se defende matando neurônios ligados ao foco da crise. Com a morte de neurônios, a memória fica comprometida.
Terminado o livro sobre a memória, passei ao primeiro volume de uma estória em quadrinhos, chamada 'Epiléptico'.


Trata-se de uma biografia. David B. é o irmão mais novo de um epiléptico, numa época em que o distúrbio ainda é tabu. O estilo de desenho é bem francês, e até mesmo lembra um pouco Persépolis (também é preto e branco tipo xilogravura e também é autobiográfico, contado por uma criança que amadurece).

Num dado momento, o irmão está tendo três crises convulsivas por dia, e os pais procuram ajuda médica. São encaminhados a um renomado cirurgião que fica enumerando quais as possíveis seqüelas de um erro durante a cirurgia. Se eu errar aqui, seu filho pode ficar cego. Se eu cortar demais pra cá, seu filho pode ficar paralisado etc. Antes de marcarem a cirurgia, o menino epiléptico vê um anúncio de cura macrobiótica e pede para tentarem a macrobiótica antes da cirurgia. A família toda vira macrobiótica, estuda o equilíbrio entre ying e yang e várias doutrinas que se baseiam neste equilíbrio e passa as férias em comunidades macrobióticas.
É uma leitura visceral, porque as imagens de uma criança sobre o que se passa no mundo do irmão epiléptico são muito expressivas. Pena que essas leituras me dão sonhos conturbados e dores de cabeça logo cedo... Mas são fascinantes!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Für dich, Ma


Disque M para Marmitex

Coisas de Barão Geraldo. Na propaganda para entrega de marmita vem a referência à cozinheira: Tia Rita das trufas do bandex. Não é a Rita, ou Dona Rita. É, num tom íntimo mesmo, a Tia Rita. E não faz referênca ao bandejão, ou o restaurante universitário, ou mesmo o RU. É o bandex. Bom, podia ser o bandeco, o que pode soar de maneira depreciativa. Por fim, é preciso saber que a Rita vendia trufas na saída do bandejão. Não vende mais, porque agora cozinha pra fora. As trufas são a sobremesa. Enfim, uma entrega de marmita que faz sucesso em Barão Geraldo, porque as pessoas da Unicamp podem se lembrar da Tia Rita das Trufas do Bandex.

Esse é outro flyer anunciando marmita, mas vejam o diferencial: a comida é lacto-vegetariana. Não sei se em Campinas um marmitex lacto-vegetariano faria sucesso. Creio que em Barão tem mais chances de dar certo. Não só pelos alunos da Unicamp se descobrindo como diferentes (dos amigos, pais, de si mesmos) e talvez querendo experimentar coisas novas, mas pelo tom pró-saúde de Barão.

domingo, 25 de maio de 2008

Discreta

Pequena orquídea que notei por acaso no nosso jardim de 2m x 1m. A poeira na folha indica quanto tempo faz que não chove por aqui...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Depois da cicloviagem

Foram nove horas na estrada. Saí de casa às 8:20 e cheguei às 17:20. Bebi um litro de caldo de cana e um e meio de água mineral morna. Comi duas barras de cereias e uma esfirra. Cheguei em casa melecada e faminta.

Depois do banho, fui pra sala.

- Oi, Lou.

- Oi, Sales.

- Cê tá usando a mesma roupa que ontem de noite?

- Sim, é de propósito, pra você me reconhecer.

- Como assim?

- É que hoje eu já não sou mais a mesma pessoa que ontem. Hoje eu pedalei uns 170km em nove horas. Nunca tinha feito isso. Esse fato faz de mim outra pessoa.


Fazendo a cicloviagem

Muito bem, defini que eu iria a Mogi Mirim, entraria pra Itapira, passaria por Amparo e Morungaba e voltaria pela D. Pedro, com vento nas costas.

O feriado tinha sido ontem. Contra as minhas expectativas, as ruas e rodovias estavam bem movimentadas hoje. Até Mogi Mirim fui pela Ademar de Barros, que eu já conheço e elogio porque tem um acostamento bom e limpo. Depois de Jaguariúna o número de saídas laterias diminui um pouco, o que me deixou mais à vontade.

Entrei pra Itapira e fiquei feliz com a qualidade do asfalto no acostamento. Mas logo o asfalto ficou poroso, apareceram pedrinhas e pedaços de cana de açúcar no acostamento. De repente o pneu trazeiro começou a chiar. Nem se eu quisesse, teria conseguido desviar do caco que furou o meu pneu e a câmara.

Troquei a câmara, fechei o pneu e pus a bomba em funcionamento. Puxa, empurra, vai e volta, e o ar saía por não sei onde. Quando decidi empurrar a bicicleta até Itapira, um carro de apoio (não lembro o que era ali: Eco Vias, Intervias, não importa, os caras que prestam socorro na rodovia) parou do meu lado. Precisa de ajuda? Tem bomba? Não, mas sobe aí, que eu te levo num posto.

Fui socorrida. Andamos poucos quilômetros até um posto em Itapira, e conversamos sobre o meu trajeto. Vou a Amparo, passo em Morungaba e depois volto pra casa pela D. Pedro. Mas Morungaba tem serra... Não é melhor você voltar por Pedreira, Jaguariúna e pegar a Ademar de Barros? Não, o plano é passar por Morungaba.

Sofri mais no trecho de Itapira a Amparo. Em primeiro lugar, eu não tinha encaixado a roda traseira na gancheira apropriadamente, e o freio, que é fixo, ficava fazendo o seu papel de freiar. Demorou até eu acertar a posição da roda e alinhá-la. Consertado o problema da bicicleta, tinha o problema da via. Não tinha acostamento na maior parte do tempo, e muito caminhão buzinando. Treminhões lentos subindo morro, ocasionalmente soltando varas de cana. Passei em cada buraco, que se eu mostrasse, até um cético acreditaria nos superpoderes na minha bicicleta.
O sol da 1 da tarde queimava nas costas e eu tinha pouca água (só levei meio litro e ia comprando nos lugares). Amparo não chegava nunca, e não havia placa indicando quantos quilômetros faltavam até lá. Só tinha morro, sol, caminhão e canavial. Nenhum sinal de cidade (moscas, bairros, cachorros, pedestres). Comecei a duvidar que eu estava no caminho certo. Duas pessoas me pediram informação, e os diálogos seguiram o mesmo esquema:

Sabe pra onde vai dar essa estrada?

Não.

NÃO?!?!?

Tenho esperança de chegar em Amparo, pelo menos estou seguindo as placas pra lá.

Amparo? Tá.

Cheguei, finalmente em Amparo. Os meus superpoderes tinham minguado e mudei o plano. Seguiria por Pedreira e Jaguariúna, e não pela serra de Morungaba. As duas rotas tinham mais ou menos a mesma extensão, e as duas não tinham acostamento. Então resolvi me poupar.

Planejando uma cicloviagem

Pergunto pro Sales se ele quer ir pra Andradas no feriado de Corpus Christi.

- Talvez, não sei ainda.

- Ah, eu queria alguém que fosse pra lá, pra levar a minha bagagem, porque eu quero ir de Caloi 10 e ela não tem bagageiro, portanto não dá pra pôr alforje.

- A minha mãe quer ir visitar um irmão lá, mas voltar no mesmo dia.

- Não, mesmo dia não rola, porque eu não agüento pedalar 260km num dia. Eu tenho que dormir lá. Por isso que eu queria alguém que levasse coisas de banho, uma muda de roupa, pijama, essas coisas. Porque eu vou chegar lá melecada, pra não dizer coisa pior.

- O que pode ser pior que isso?

- Os detalhes da meleca.

Bom, pra mim tava claro que Andradas era longe demais. Olhei no mapa, à procura de um destino a 50km daqui. Assim eu faria 100km de Caloi 10 num dia.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Dreaming

"Welcome to Philosophy Talk, the program that questions everything, except your intelligence."

O programa intitulado 'Dreaming' não é típico. O convidado não conseguiu - sabe-se lá por que motivos - chegar à rádio, de modo que Ken e John abriram o programa muito mais pros ouvintes que o normal, e de fato conversaram com os ouvintes, não só agradeceram pela contribuição e depois continuaram suas conversas, ocasionalmente remetendo à fala de um ou outro ouvinte.

Vários aspectos dos sonhos foram levantados: qual a diferença entre sonho e realidade, o que causa os sonhos, como interpretamos os sonhos, por que precisamos dos sonhos e assim adiante.

Um dos ouvintes lembrou um escritor que fazia os seus personagens terem pesadelos depois de comer queijo. Lembrei, imediatamente, da noite quente e cheia de mosquitos, em que fui jantar na churrascaria com os meninos. Comer carne de noite no verão desde então é crime para mim. Às 3 da madrugada eu levantei da cama por causa de um sonho em que as pessoas da minha família morriam e apagavam lentamente, ficando cinza dos pés à cabeça. Havia armas, sangue, tiro na cabeça e um cinza se apoderando da pessoa. De mim também, e apaguei lentamente. Em seguida, tudo recomeçava, mas em outro cenário. Quando estava prestes a morrer pela terceira vez, saí da cama. Bom, posso explicar isso de duas formas: (1) a janta foi pesada; (2) os meninos daqui de casa estavam quase todos viciados num jogo de video game em que é preciso matar zumbis com tiro na cabeça, que eles jogavam na sala. Ah! E já que estamos no campo do sonho biologicamente motivado, lembrei do sonho mais nítido e 'real' que já tive na vida (talvez porque eu me questionasse durante o sonho se aquilo era um sonho, talvez porque a história fosse longa e coerente). Foi depois que coloquei pilhas de livros embaixo dos pés da cama. Com o cérebro mais irrigado, tive um sonho mais parecido com a realidade. Mas, como nem tudo são rosas, a experiência não se repetiu nas noites seguintes. E quando dormi de pernas pra cima no hospital em Bremen, acordava com dor de cabeça.

Uma ouvinte comentou que acredita que os sonhos nos interconectam, e outro ligou pra confirmar essa hipótese através de um exemplo: ele sonhou com um colega de escola, e no dia seguinte, enquanto ele tava sentado no escritório dele, tocou o telefone e era justamente aquele colega de escola, que ele tinha visto a última vez 15 anos atrás. Lembrei de despertar de pesadelos escuros e sufocantes numa época em que eu sabia que o cara pelo qual eu estava apaixonada (mas não era correspondida) estava passando por maus bocados. Acordava do pesadelo pensando nele e pedindo pra ele voltar a dormir, dizendo que tinha só sido um sonho ruim, e voltava a dormir. Era como se eu sonhasse os pesadelos dele.

Outra ouvinte disse que entende que os sonhos não significam em si, mas o que vale é como você se sente em relação a eles. Estou parafraseando: se você acorda perturbado depois de sonhar que mata pessoas violentamente e se lembra desse sonho com um certo grau de horror, então isso diz algo sobre você. Se você acorda de um sonho em que voa e acha o sonho o máximo, então é possível saber outra coisa sobre você. Se você acorda de um sonho em que cai desenfreadamente e acha o sonho legal, você precisa de mais adrenalina na sua vida. Imediatamente me lembrei dos sonhos em que desço ladeiras sinuosas deitada de barriga num skate ou rolemã, pedalo na Caloi 10 pelo mundo com uma galera sorridente, conto estórias geniais prum monte de gente à minha volta e acordo feliz da vida.

Um dos moderadores lembrou que nós, seres humanos, somos significadores compulsivos. Precisamos interpretar e atribuir significado a tudo, queremos dar sentido às coisas que nos afetam. Lembrei de um sonho meu que serviu de consolo pra minha mãe. Eu tinha morado na casa dos meus pais (metaforicamente falando, porque mudamos de casa várias vezes) por 21 anos, e era chegada a hora de eu tomar o meu rumo. Eu não só sairia de casa, como voltaria ao Brasil. Talvez meus pais até tivessem medo que eu me casasse com um certo menino. Pros meus pais, a separação não seria fácil. Mas, como já anunciei, um sonho amenizou o medo do desconhecido. Sonhei que a minha mãe e eu entramos num carro conversível dando risada, esticando braços e pernas, e que eu tinha jogado pra fora um novelo de lã e explicado pra ela que através do fio poderíamos retraçar o caminho. Ah, vale lembrar que ninguém, exceto eu, confiava nas minhas habilidades de motorista na época. Sonhar que eu dirigia o carro foi convenientemente didático: eu era capaz de enfrentar o desconhecido.

Ainda tinha aquela outra ouvinte que contou que tinha ficado cega por um tempo, e que seus sonhos eram visuais do tipo em que era preciso escolher elementos (um monte de pedrinhas coloridas, roupa, xícaras de formas e cores diferentes, ou seja, que demandavam acuidade visual). Como nunca fiquei cega, não pude lembrar de nenhuma experiência semelhante. Hm, vasculhando um pouco mais na memória dos sonhos, lembrei de um sonho que tive quando a Stephanie estava aqui, pedindo café várias vezes por dia. No sonho, eu me convencia de que café preto é gostoso. Na manhã seguinte, não pus nem leite nem açúcar no meu café. Tomei ele quente e preto. E gostei.

"Thank you for listening and thank you for thinking."

terça-feira, 20 de maio de 2008

Dor de cabeça com a Telefonica

Nosso telefone é da Telefonica. Internet e TV são da Net.

Em Dezembro, Caldo perguntou pra nós, moradores da Oca, se concordávamos com a instalação do Trio da Telefonica. Internet, Telefone e TV seriam todos da mesma empresa, a Telefonica. Cancelaríamos a Net. Contanto que ele assumisse as transações, concordamos, porque a Telefonica tinha preços promocionais.

Em Janeiro, Caldo ligou na Telefonica e pediu o Trio. A moça anotou o pedido, depois informou que o Trio está indisponível para a nossa região, mas que poderíamos ficar com o Duo. Não, eu queria o Trio, e se não tiver, cancela o pedido. Desligaram.

Em Fevereiro recebemos um modem Speedy (internet da Telefonica, pra simplificar). Uai, a gente não pediu isso. Caldo ligou na Telefonica numa segunda-feira (ele tem folga nas segundas) e pediu esclarecimentos. A moça não quis acreditar que o modem não havia sido encomendado, e disse que estaria verificando as ligações, procurando pela ligação em que o Caldo diz que é pra cancelar o Trio. Caldo pensou um pouco e quis evitar gastos desnecessários de energia. Peraí. Se vocês puderem me oferecer o Trio, ficamos com o modem e tudo bem. Ah, o Trio continua indisponível para a sua área. Ahá! Se ainda tá indisponível, prova que eu cancelei o pedido do Trio. A gente vai estar verificando aquela ligação. É de arrepiar.

Em Março veio uma conta de telefone astronômica. Além de multa contratual, cobravam pela instalação do Speedy (que não foi instalado, aliás, não saiu da caixa) habilitação do Speedy (que continua inerte na caixa), duas mensalidades do speedy (que nem sabe o que está acontecendo aqui fora) e os juros de multa. É de assustar qualquer cristão.

Numa outra segunda-feira, Caldo ligou lá, dizendo que não íamos pagar por um serviço que não recebemos. A prova de que não recebemos o serviço estava naquela ligação em que o Caldo cancelava o pedido do Trio, que ninguém conseguia localizar. Não pagamos a conta e o Caldo passou por todas as atendentes da Telefonica. É de comer sopa com garfo.

Em Abril veio uma outra conta, igualmente cobrando a mensalidade do Speedy e multa e seus respectivos juros. Já éramos considerados inadimplentes. Caldo voltou à sua ocupação de segunda-feira, passando raiva com as atendentes da Telefonica que passam a ligação adiante, desligam na cara e usam um vocabulário próprio. A novidade era que nosso telefone seria desligado por falta de pagamento. É de gritar com surdo.

Em Maio veio uma oferta de parcelamento de dívida. Somando as nossas contas não-pagas, dava 517 reais e uns trocados. O parcelamento da dívida não discriminava a que se referia a dívida, apenas indicava o total (504) e as parcelas (126 e uns trocados). Inferimos que a Telefonica estava nos concedendo um desconto de 13 reais. Mas 13 reais não equivalem à instalação do Speedy, mensalidades, multa e juros, que insistíamos que não nos cobrassem indevidamente. Caldo passou a encarar as segundas-feiras como dias tensos. É de confundir os loucos.

Junior, o titular do telefone, ligou na Telefonica e quis cancelar o telefone. Falou com inúmeras atendentes, foi transferido várias vezes e a ligação foi interrompida (desligaram na cara dele) muitas vezes. Não é fácil cancelar um telefone. Mas seus esforços surtiram efeito: encontraram aquela ligação em que o Caldo cancela o pedido do Trio. Mas, para confirmar o perdão parcial da dívida, eles precisavam analisar a tal ligação. É de chorar na pia.

Era segunda-feira, e Caldo teve que ouvir da atendente que aquela ligação apresentava inconsistências. É de subir pelas paredes.

Hoje, depois de cinco meses, vieram as contas de março e abril sem a cobrança do Speedy (que continua dentro da caixa). É de dormir no chuveiro.

Acompanhando a flor