sexta-feira, 23 de maio de 2008

Fazendo a cicloviagem

Muito bem, defini que eu iria a Mogi Mirim, entraria pra Itapira, passaria por Amparo e Morungaba e voltaria pela D. Pedro, com vento nas costas.

O feriado tinha sido ontem. Contra as minhas expectativas, as ruas e rodovias estavam bem movimentadas hoje. Até Mogi Mirim fui pela Ademar de Barros, que eu já conheço e elogio porque tem um acostamento bom e limpo. Depois de Jaguariúna o número de saídas laterias diminui um pouco, o que me deixou mais à vontade.

Entrei pra Itapira e fiquei feliz com a qualidade do asfalto no acostamento. Mas logo o asfalto ficou poroso, apareceram pedrinhas e pedaços de cana de açúcar no acostamento. De repente o pneu trazeiro começou a chiar. Nem se eu quisesse, teria conseguido desviar do caco que furou o meu pneu e a câmara.

Troquei a câmara, fechei o pneu e pus a bomba em funcionamento. Puxa, empurra, vai e volta, e o ar saía por não sei onde. Quando decidi empurrar a bicicleta até Itapira, um carro de apoio (não lembro o que era ali: Eco Vias, Intervias, não importa, os caras que prestam socorro na rodovia) parou do meu lado. Precisa de ajuda? Tem bomba? Não, mas sobe aí, que eu te levo num posto.

Fui socorrida. Andamos poucos quilômetros até um posto em Itapira, e conversamos sobre o meu trajeto. Vou a Amparo, passo em Morungaba e depois volto pra casa pela D. Pedro. Mas Morungaba tem serra... Não é melhor você voltar por Pedreira, Jaguariúna e pegar a Ademar de Barros? Não, o plano é passar por Morungaba.

Sofri mais no trecho de Itapira a Amparo. Em primeiro lugar, eu não tinha encaixado a roda traseira na gancheira apropriadamente, e o freio, que é fixo, ficava fazendo o seu papel de freiar. Demorou até eu acertar a posição da roda e alinhá-la. Consertado o problema da bicicleta, tinha o problema da via. Não tinha acostamento na maior parte do tempo, e muito caminhão buzinando. Treminhões lentos subindo morro, ocasionalmente soltando varas de cana. Passei em cada buraco, que se eu mostrasse, até um cético acreditaria nos superpoderes na minha bicicleta.
O sol da 1 da tarde queimava nas costas e eu tinha pouca água (só levei meio litro e ia comprando nos lugares). Amparo não chegava nunca, e não havia placa indicando quantos quilômetros faltavam até lá. Só tinha morro, sol, caminhão e canavial. Nenhum sinal de cidade (moscas, bairros, cachorros, pedestres). Comecei a duvidar que eu estava no caminho certo. Duas pessoas me pediram informação, e os diálogos seguiram o mesmo esquema:

Sabe pra onde vai dar essa estrada?

Não.

NÃO?!?!?

Tenho esperança de chegar em Amparo, pelo menos estou seguindo as placas pra lá.

Amparo? Tá.

Cheguei, finalmente em Amparo. Os meus superpoderes tinham minguado e mudei o plano. Seguiria por Pedreira e Jaguariúna, e não pela serra de Morungaba. As duas rotas tinham mais ou menos a mesma extensão, e as duas não tinham acostamento. Então resolvi me poupar.

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