sábado, 10 de maio de 2008

Sandwalk de Darwin

Darwin tinha voltado de sua viagem de 5 anos em volta do mundo, tinha se estabelecido em Londres, onde tudo era próximo, a vida científica era intensa e os colegas se encontravam. Ele já tinha casado com sua prima, e se não me falha a memória, já tinham trazido ao mundo duas crianças. Ele escrevia papers sobre pássaros, moluscos, pedras e outras coisas, e, num caderno à parte, escrevia sobre a transmutação das espécies. Sua esposa o reprimiu, afirmando que seus escritos sobre a evolução das espécies eram anticristãos. Começaram as indisposições, dores de estômago, cabeça, irregularidades intestinais.
Mudaram-se para o campo, porque o espaço na capital era reduzido demais para pessoas que tinham passado apenas 3 anos de suas vidas na cidade grande. A princípio, a mudança de ares lhe fez bem. Conseguiu publicar seus artigos esparsos, que foram amplamente elogiados. Porém, logo em seguida começou a estudar as cracas. Não havia microscópio mais poderoso que o seu, e ainda assim ele não conseguia distinguir muito daqueles seres que se prendem aos cascos dos navios. Encomendou um microscópio mais potente e descobriu que uma craca é composta de três partes, uma reviravolta no mundo das ciências naturais, porque ninguém tinha visto uma craca com tanta precisão antes. As cracas lhe deram motivos para continuar desenvolvendo sua teoria sobre a evolução das espécies por meio da seleção natural, agora trancada numa gaveta, junto de seu testamento.
Seu escritório era o lugar onde passava a maior parte de seu tempo. Tinha quatro pernas, um acolchoamento confortável, e como mesa usava uma tábua sobre os braços da poltrona. Para não se confinar na poltrona-escritório, projetou o Sandwalk. Trata-se de um percurso retangular, arborizado de aproximadamente 1km, com chão de areia. Para estabelecer o número de voltas no Sandwalk, ele enfileirava um determinado número de pedrinhas pretas ao pé de uma árvore. A cada volta que dava, chutava uma pedrinha. Essa idéia de esquematizar as voltas no Sandwalk foi da Emma, sua esposa.
O Sandwalk ficou famoso: toda vez que Darwin recebia visitas, convidava seus hóspedes para um passeio no Sandwalk. Assim mantinha sua disciplina de caminhar todo dia. O Sandwalk não o curou das dores de estômago, mas lhe dava tempo para sacudir seus fantasmas de sua mente.

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