quinta-feira, 15 de maio de 2008

Toque o sino

Nossa casa nunca teve campainha. Já fizemos assembléias em que discutimos qual campainha instalar, se sino era mais legal, ou se a criançada ia se divertir mais que nós, e sempre optamos por deixar as coisas como estavam. As pessoas chegavam em casa e tinham que bater palmas, gritar, buzinar, enfim, inventar alguma coisa pra chamar a nossa atenção. Reconhecemos facilmente as palmas do carteiro, do leitor da luz e dos mendigos. Reconhecemos o assovio do homem que traz a marmita dos meninos. Reconhecemos claramente a voz da Livinha chamando o nome de cada um dos moradores. Mas os mais tímidos não eram ouvidos. Renato já esperneou mais de uma vez no nosso portão e ninguém que tava dormindo na sala acordou. Também houve outras reclamações do mesmo naipe, mas agora não lembro de quem eram.

Resolvemos o problema de quem está do lado de fora do portão. A pessoa toca o sino e faz barulho. Ainda não tenho certeza de que nós reconhecemos o som do sino como indicativo de que há alguém no portão. Hoje o carteiro, o primeiro a tocar o sino, foi ignorado por mim. Junior teve que me avisar: tem gente no portão. Ué, não ouvi nada. O sino! Aaaaaaaaaah! O sino!!!

2 comentários:

Carlos Teixeira disse...

Lou, eu era um que reclamava quando chegava na Oca e não tinha campainha nem era ouvido. Mas com o sino do lado de fora, será que vai resolver o problema?

iglou disse...

Vixe, mas vc está sugerindo então que a gente arme um esquema intricado de a pessoa acionar o sino do lado de fora da casa e o sino tocar dentro da casa? Não tem nenhum engenheiro morando na Oca.
O som do sino é mais agudo que o som das palmas, portanto é mais facilmente identificável. Cabe a nós interpretar o som do sino não como ruído, mas como um toque de campainha.