terça-feira, 13 de maio de 2008

Por que quem segue as regras se ferra?

Coletando os meus pensamentos agora (puxa, em inglês collecting my thoughts soa tão mais natural), penso que o que estou prestes a relatar não pode ter acontecido com a mesma pessoa na mesma manhã, num trajeto de ida e volta. É muito azar transitar por vias que as pessoas insistem em não respeitar.

O meu primeiro susto foi na rua mesmo, quando um cara encostou o carro e em seguida abriu a porta. Quase em cima de mim. Não gritei pro homem que espelho retrovisor serve pra se ver ciclistas silenciosos. Não sou de gritar.

Há uma parte da ciclovia que é separada em duas vias (a que vai e a que vem). É um trecho curto, cruzando uma praça. Na via que vai, que eu ia pegar, havia dois rastafaris em pé, parados, conversando. Um estava de bike e capacete, o outro só tinha os rastas. Diminuí a velocidade, mas eles não se ligaram que eu queria passar. Parei a bicicleta e pedi licença. O do capacete me disse: Vai do outro lado, querida! Sorrindo, respondi: É contramão. O dos rastas deu uns passos pra trás e eu passei. O do capacete deu risada, e repetiu, pro colega: Vai do outro lado, querida. Eu não parei e disse pro do capacete que não era pra ele me fazer sentir culpada por um erro dele. Quem está parado no meio da via é ele, e eu não tenho que me adaptar a isso, afinal, existem regras. Mas eu não falei nada disso, porque eu não sou de reclamar com estranhos. O rasta de capacete furiosamente me ultrapassou na subida da ciclovia.

Mulheres, mais que homens, transitam a pé em toda a extensão da ciclovia. E andam em bandos, e são obesas e ocupam todo espaço que é, em tese, do ciclista. Como elas estão de costas e são patricinhas, já grito de longe LICEEEEENÇAAA, pra dar tempo de elas perceberem o que está acontecendo e me darem passagem. Dão risada e pedem desculpa. Ou seja, sabem muito bem que estão me atrapalhando.

O ponto mais perigoso da ciclovia é o cruzamento lá embaixo, perto do Tilly. Especialmente na volta, o ciclista vem descendo uma ladeirona a uma certa velocidade considerável. Há placas avisando aos motoristas de que a preferência é do ciclista. Quem tirou carteira de motorista e teve que ler o Código de Trânsito sabe que quando uma via cruza com uma ciclovia, o ciclista tem preferência. Os motoristas não olham pra ciclovia. Muitos entram no cruzamento sem dar seta, alguns entram no cruzamento pela contramão. Um desses, que entrou pela contramão, o fez olhando fixamente no meu olho. Medindo forças. Fiz cara de brava e soltei três palavrões, mas ele não ouviu nada. Eu não sou de gritar.

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