sexta-feira, 16 de maio de 2008

Placas que me revoltam

Algumas placas são tão mal-desenhadas, que sugerem interpretações das mais variadas. Algumas, muito boas estão aqui, no Kibeloco. As que eu fotografei não são do tipo cômico pra mim. Me reviram as entranhas por causa de seu texto.

Esta placa está na divisa entre as duas vias da Anhangüera. Em vez de colocar uma passarela, um túnel ou mesmo um farol que favoreça o pedestre que precisa atravessar a rodovia, colocam uma placa pedindo ao pedestre que não tenha pressa. Sabe com que freqüência passa carro lá? Tem que ser muito zen, pra atravessar com segurança. Ou muito disposto para caminhar até a passarela mais próxima.
A rodovia está aqui e o fluxo não pode ser interrompido, portanto, caro pedestre, vire-se para exercer o seu direito de ir e vir!


Esta placa não tem efeito sobre um pedestre ou ciclista que a lê quando passa na AV.1 (Romeu Tórtima), na altura do Colégio Rio Branco. Talvez o motorista, na hora do rush, sinta que a placa se dirige a ele. Se eu fosse motorista na hora do rush e lesse essa placa infeliz que é propaganda para algum produto que a propaganda não anuncia, eu sentiria a minha inteligência agredida (Digressão: vi outra do mesmo tipo, em verde: Você não tem culpa de estar de TPM. Homem nenhum se sente aderessado por esta placa, porque nenhum homem sofre de tensão pré-menstrual. Meninas que ainda não menstruaram e mulheres na menopausa tampouco se sentiriam afetadas. Resta uma fatia razoável de mulheres, que precisa ser diminuída para incluir somente as mulheres que de fato estão na TPM. Isso é loteria. Que produto é esse, que não estão anunciando?).

No momento em que alguém se coloca na rua, com ou sem seu meio de transporte, a pessoa produz trânsito. Meios de transporte que páram o trânsito são os auto-motores com mais de 2 rodas. Porque ocupam muito espaço e costumam transportar pouca gente. Desconsideremos as latas de sardinha (os ônibus!), maior dos meios de transporte coletivo rodando nas ruas em horário de pico. Como um horário de pico é definido pelo número de pessoas que querem ocupar as ruas ao mesmo tempo, podemos inferir que há um certo número de pessoas ocupando um espaço descomunal em suas latas poluidoras particulares.

Os ônibus são lotados e têm baixa freqüência e dão volta e páram em todos os pontos e demoram para transportar as pessoas. Em vez de exigir melhorias no sistema de transporte coletivo (implementação de transporte sobre trilhos, educação dos motoristas estressados, tarifas mais baixas etc.) as pessoas resolvem seu problema de transporte individualmente.

Compram carros e motos e morrem acidentados e se estressam no trânsito trancado. E o trânsito tranca porque tem carro demais nas ruas. Está muito fácil comprar carro. São Paulo está um inferno. Excesso de contingente.

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