sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pequena Lou vai à ópera

Quando o Leo morreu, decidi que eu nunca mais escalaria com mais ninguém. Voltei a escalar por um tempo, mas nunca mais fui à montanha pra escalar. Decidi também que eu nunca iria a uma ópera. Ele me falava tanto das óperas italianas, que eu havia me convencido que eu só poderia ser introduzida ao gênero através dele.Ferrone tinha me dito no meu aniversário que talvez teria um ingresso sobrando pruma ópera no dia 15 de maio. O ingresso continuou dando sopa, então fui a Sampa, pra ver uma ópera moderna. Me preocupei por meia hora com a roupa mais adequada pra ocasião, mas cheguei à conclusão de que ninguém ia me jogar pra fora se eu aparecesse lá de Kichute. Chegando lá, Lígia e Ferrone me avisaram que o espetáculo seria O Castelo do Barba Azul, uma composição do húngaro Béla Bartok. Em alemão. Fiquei feliz, mas lembrei que o gênero ópera não é lá muito facilitador da compreensão do texto. E eu não podia contar com o fato de que os cantores líricos tivessem alemão como língua materna. Já fiquei preocupada. Mas se eu, que entendo alemão, corro o risco de não conseguir entender o que eles estão cantando, como é que o resto desse Teatro Municipal lotado vai entender? Ferrone me tranqüilizou: a gente lê a legenda. Não dei risada, porque eu nunca tinha ido à ópera e não sabia como as coisas funcionam. Legenda...

A apresentação foi um deleite para os olhos. O cenário é super simples, mas muito bem explorado. Espelhos, projeções de luz em formas (uaaau) e cores (vermelho e branco) diferentes são o diferencial. O resto, fora a legenda, era como eu imaginava: música tocada pela orquestra, estória cantada pelos cantores, com gestos vocais, faciais e corporais, além de estilo levemente rebuscado: Bangt dir, Judith?

A estória é originalmente um conto de fadas: um homem muito rico e assustador (de barba azul) casa-se com uma mulher jovem. Antes dessa, ele já tinha tido seis outras esposas, que desapareceram no Castelo do Barba Azul. Quando o aristocrata viaja, a jovem esposa inspeciona os cômodos do castelo e descobre (e aí o cenário diz mais que o texto) cada uma das mulheres. Barba Azul volta e tenta assassinar a esposa curiosa.

Nenhum comentário: