Ferrone tinha me dito no meu aniversário que talvez teria um ingresso sobrando pruma ópera no dia 15 de maio. O ingresso continuou dando sopa, então fui a Sampa, pra ver uma ópera moderna. Me preocupei por meia hora com a roupa mais adequada pra ocasião, mas cheguei à conclusão de que ninguém ia me jogar pra fora se eu aparecesse lá de Kichute. Chegando lá, Lígia e Ferrone me avisaram que o espetáculo seria O Castelo do Barba Azul, uma composição do húngaro Béla Bartok. Em alemão. Fiquei feliz, mas lembrei que o gênero ópera não é lá muito facilitador da compreensão do texto. E eu não podia contar com o fato de que os cantores líricos tivessem alemão como língua materna. Já fiquei preocupada. Mas se eu, que entendo alemão, corro o risco de não conseguir entender o que eles estão cantando, como é que o resto desse Teatro Municipal lotado vai entender? Ferrone me tranqüilizou: a gente lê a legenda. Não dei risada, porque eu nunca tinha ido à ópera e não sabia como as coisas funcionam. Legenda...A apresentação foi um deleite para os olhos. O cenário é super simples, mas muito bem explorado. Espelhos, projeções de luz em formas (uaaau) e cores (vermelho e branco) diferentes são o diferencial. O resto, fora a legenda, era como eu imaginava: música tocada pela orquestra, estória cantada pelos cantores, com gestos vocais, faciais e corporais, além de estilo levemente rebuscado: Bangt dir, Judith?
A estória é originalmente um conto de fadas: um homem muito rico e assustador (de barba azul) casa-se com uma mulher jovem. Antes dessa, ele já tinha tido seis outras esposas, que desapareceram no Castelo do Barba Azul. Quando o aristocrata viaja, a jovem esposa inspeciona os cômodos do castelo e descobre (e aí o cenário diz mais que o texto) cada uma das mulheres. Barba Azul volta e tenta assassinar a esposa curiosa.

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