sexta-feira, 13 de junho de 2008

Culpa

Agora eu entendi qual era a daquele outdoor horroroso que anunciava "Você não tem culpa se o trânsito não anda" e "Você não tem culpa de estar na TPM." Era propaganda prum suco (light) em pó. Agora tudo faz sentido.

As pessoas hoje consomem muito mais que antigamente. E parecem não ter freio para o consumo de gorduras e açúcares. O que dá prazer é consumido em grandes quantidades. Álcool entraria nessa lista também, porque seus efeitos imediatos são (imagino) prazerosos, e as pessoas consomem muito álcool. Só que, combinada com hábitos de vida sedentários, a ingestão desmedida de doces, gordura e álcool deixa suas marcas no corpo. A pessoa engorda. No caso de alcoólatras, não só o corpo é afetado, mas também a mente (seja lá o que isso for).

Então, quando a pessoa se compara com o ideal de beleza, saúde, personalidade que ela tem para si, ou que é veiculado pela mídia, a pessoa fica frustrada, porque não corresponde a este ideal que é culturalmente construído. Dessa frustração vem a culpa: onde foi que eu errei?

Podemos dizer que os obesos e alcoólatras são um produto desta sociedade que estimula o indivíduo a consumir sem restrição. Todavia, também podemos dizer que a culpa por esse consumo desmedido é atribuída ao indivíduo, e não à sociedade. E aí o indivíduo precisa achar soluções para reverter sua obesidade ou seu alcoolismo. Obesos vão a Spas, academias, fazem dietas, tomam laxantes. Alcoólatras precisam primeiro admitir que são dependentes, depois visitam as AAAs de suas cidades. E, pedalando por aí, notei que na entrada de qualquer cidadezinha, por menor que seja, tem lá a plaquinha da Associação dos Alcoólatras Anônimos.

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