segunda-feira, 23 de junho de 2008

Super-heróis

Eu tava caminhando por Barão Geraldo, quando passei por um pai caminhando ao lado de sua filha que andava numa bicicleta de rodinhas (como aquela em que aprendemos a pedalar).

- Eu tenho cinco anos e não sei andar de bicicleta, pai!
- Ah, filha, mas eu acho que quando você tiver seis anos, você vai saber andar de bicicleta.
- Você sempre ACHA as coisas, nunca SABE das coisas.

Meus pais sempre souberam das coisas. Por isso eram os meus heróis. Foi difícil pra mim sacar que o que eles defendem como 'a verdade' é apenas uma opinião pessoal. Foi difícil convencê-los de que há mais de uma maneira de se encarar um problema. Foi difícil encarar o fato de que não eram mais super-heróis.

* * *

Fui dar plantão no curso de Neuro, pra quem tivesse dúvidas quanto ao trabalho de avaliação final. Vieram poucos, mas tivemos boas conversas. Uma guria reclamou das condições atuais de sua vida: mora em Campinas e pega ônibus de manhã pra vir pra Unicamp, e aquele ônibus vem lo-ta-do, a pessoa se sente literalmente numa lata de sardinha. E o pior é ver o Angel lá, todo dia, esprimido. Como que pode? Professor universitário vem que nem uma sardinha, no ônibus.

Professor universitário, no nosso imaginário, é o intelectual que não pega fila de banco, não faz compras no supermercado, não pega ônibus lotado. Professor universitário está acima dessas coisas, porque é meio super-herói. Professor universitário a gente encontra em ópera, cinema, exposição, museu e sala de aula. O Angel, no entanto, é um professor universitário que come no bandejão como a gente e toma ônibus lotado, como a aluna. Foi difícil pra aluna encarar o fato de que o Angel não é um super-herói.

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