quarta-feira, 4 de junho de 2008

Ladrão camarada

Faz um tempo, Sales contou uma estória de assalto que aconteceu na Bahia, que foi engraçada: Sales tava no ponto de ônibus, de noite, sozinho, esperando. Apareceu um cara dizendo que a vida não tá fácil, que podia tá matando, mas que é um cara bom e prefere usar outros meios pra conseguir uns trocados pra sobreviver. Aí o cara mexeu no bolso, indicando que tinha uma faca ou outra arma. Sales disse que lhe daria dinheiro, e tirou os trocados do bolso. O cara, ao ver o dinheiro, arrancou-o da mão do Sales e saiu andando.

Sales levantou, deu dois passos e gritou na direção do camarada: ei! como é que eu vô pegá ônibus agora que eu tô sem grana?
O sujeito parou, separou uma nota de dois reais e a devolveu: ôh, foi mal aê.

Hoje o Junior me contou uma estória do mesmo naipe. A câmera digital dele tinha sumido, e ele não sabia ao certo se tinha sido roubada ou se ele a tinha esquecido em algum lugar. Não fez caso do ocorrido. Eis que vem um amigo dizendo que tinha um CD do Junior na FEF. Estranho, pensou, faz um semestre que me formei e não freqüento mais a FEF. Foi conferir o que era. Eram as fotos que estavam armazenadas no chip de sua câmera digital, gravadas em CD. Em cima de tudo, uma foto revelada em papel de um colega do curso de chinês, segurando um diploma, todo orgulhoso.

O camarada que roubou a câmera do Junior se sentiu na obrigação de devolver as fotos que o Junior tinha feito e as gravou em CD. Como o Junior tinha feito muitas fotos de um evento que aconteceu na FEF, o cara deixou o CD na Faculdade de Educação Física. Como a única foto em close era do colega de curso de chinês, o camarada pensou que aquele fosse o dono da câmera e imprimiu a foto, pra que o dono das fotos fosse identificado mais facilmente.

Os dois ladrões camarada dessas estórias singulares roubam, sim, mas se empenham em não ferrar a pessoa roubada.

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