segunda-feira, 9 de junho de 2008

Susto

Recentemente, preguei dois sustos memoráveis em dois meninos daqui de casa. Não que eu tenha planejado assustar os dois, mas não consegui parar de rir depois.

Estava escuro. Saí do meu quarto, fechei a porta e caminhei no corredor escuro até a porta pra cozinha. Fui tateando no escuro, abri a porta e ouvi o som de alguém roncando na sala. A um passo de mim, estava o Caldo, que tinha acabado de desligar a luz da sala, deixando o Sales dormindo lá. Os olhos do Caldo não tinham se acostumado à escuridão, e ele estava tateando em direção à porta que eu tinha acabado de abrir. Antes que ele encostasse em mim, eu disse

oi

sorrindo, baixinho. O menino se retraiu, deu dois passos pra trás e exclamou:
AI, QUE SUSTO!!!!

* * *


Estava escuro. Eu estava lá atrás, onde fica o varal, alongando o meu tendão de Aquiles no degrau. Faço isso todo dia, e tem que ser lá, porque lá consigo me segurar na coluna. Sales estava a caminho do seu quarto, e quando passou por mim, eu disse

oi

assim, sorrindo, e baixinho. O menino parou, arregalou os olhos, sugou todo o ar que seus pulmões foram capazes de administrar, e, soltando metade do ar, disse:
cê gosta de assustar as pessoas?

Puxa vida, os dois tomaram sustos parecidos, mas reagiram de formas diferentes. Eu imaginava que o susto fosse uma reação instintiva, biológica, incontrolada, meio universal pra todos. Consultei a Wikipédia em línguas diferentes e descobri que quando tomamos um susto, nosso corpo libera um monte de adrenalina no sangue, ficamos instantaneamente alertas, inspiramos um montão de ar, e todos os músculos do corpo necessários para uma reação ficam de prontidão, porque a adrenalina direciona a corrente sangüínea do intestino para estes músculos. Ou seja, tomar um susto significa que o corpo se prepara rapidamente para fugir ou atacar.
Pronto, entendi por que o Caldo recuou e o Sales ficou parado.
Falta entender por que eu fiquei dando risada da cara deles.

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