sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ponto de vista

A 'bicicletada pelada' que aconteceu no sábado passado, dia 14 de junho, foi muito mal noticiada. Todo mundo ficou sabendo que aconteceu uma passeata na Paulista e que um ciclista foi preso. Mas essa não é a história toda.

Em primeiro lugar, o número de ciclistas varia de acordo com quem faz as estimativas. Os ciclistas que estavam lá contam entre 400 e 500 participantes.

Em segundo lugar, o homem que foi preso não foi preso porque estava nu: muitos homens ficaram nus em suas bicicletas, e fiquei sabendo de duas mulheres que ficaram completamente sem roupa. O homem que foi preso somente foi preso quando, no meio de tantos outros pelados, juntou-se a eles em sua nudez. O homem que foi preso estava marcado pra ser preso. A Rede Globo estava lá pra filmá-lo de frente e apresentá-lo no Jornal Nacional, como o homem que ficou nu no meio da Av. Paulista.

Em terceiro lugar, os motivos pra 'bicicletada pelada' não foram divulgados. As pessoas nas ruas foram pegas de surpresa, não entendiam contra o que estávamos protestando. De noite, na frente da TV, as pessoas interpretaram aquela passeata como um disparate, não conseguiram ligar a bicicleta a um meio de transporte sustentável, que talvez deva substituir o carro que polui, faz barulho, causa congestionamentos, estresse.

Os dois pontos de vista são diametralmente opostos, porque os interesses de cada um que publica o seu ponto de vista são diferentes. A mídia quer sensacionalismo. A mídia quer ser imediata, e só descreve parte da situação, não discute as motivações dos participantes da 'bicicletada pelada'. A polícia tem que fazer a sua parte, trazendo pra delegacia um troféu. O homem que foi preso era tido como o líder da manifestação. André Pasqualini, o homem que foi preso, expressa o seu ponto de vista aqui.

Quem olhou pra foto da árvore e da mata-figueira certamente reparou na árvore-parasita. Olha como os braços se estendem em volta da árvore, olha como o parasita está em todo lugar. Estou te convidando pra olhar pra outra árvore, a árvore-suporte, pra tomar conhecimento de um outro ponto de vista.

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