segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pra me convencer

Eu estava guardando o aparelho de som no armário, quando uma outra professora me perguntou se eu não me interesso por cosméticos. Como eu sei que ela é americana e fala e entende mal português, achei que ela estivesse precisando de ajuda para comprar cosméticos.

Respondi que não uso cosméticos, ao que ela replicou: Why not? Expliquei que eu não tenho o costume de investir nisso. Oh, but you should! Ah, é? Então me diz por que eu deveria usar cosméticos. Porque toda mulher usa.

Se ela quisesse mesmo me convencer a usar cosméticos, ela precisaria usar outros argumentos. Dizer que eu devo fazer o que todo mundo faz 'porque todo mundo faz' não convence. Se ela me convencesse de que o uso de cosméticos é vantajoso para a minha pessoa, ela teria mais sucesso. Para demonstrar que os cosméticos me fariam bem, ela teria que provar que os produtos não provocam câncer a longo prazo, e isso é difícil de provar. Além de me convencer de que os cosméticos podem ser bons para mim e minha imagem, ela teria que me convencer de que os produtos não são miraculosos, mas naturais. E que a extração da matéria-prima não é predatória.

Respondi que não é toda mulher que usa, porque eu, que me encaixo no grupo das mulheres, não estou no grupo das mulheres que usam cosméticos. Ok, ok, eu acho que você deveria se interessar por cosméticos porque eu estou vendendo.

Esse argumento pessoal de 'pra me dar uma força' não me convence a fazer algumas coisas. Por exemplo comprar cosméticos, ou casar com o Esteves pra ele conseguir visto de permanência, ou ainda comprar uma jóia de 5 mil reais da vendedora mais simpática do mundo. Sinto muito. Entendo seu problema, mas não posso resolver.

Cheguei em casa com o folheto da Mary Kay, a tal linha de cosméticos. Não se trata de um catálogo, mas de um incentivo a você, dona de casa, que quer
(a) independência financeira,
(b) satisfazer a sua curiosidade e poder testar produtos de maquiagem e aprender sobre eles; e
(c) crescer na vida, trabalhando para uma empresa que coloca Deus em primeiro lugar, a família em segundo e a carreira profissional em terceiro.


Se aquela professora americana realmente quisesse me vender cosméticos, teria ao menos me dado o catálogo, pra eu secretamente saciar os olhos com todas aquelas coisas brilhantes e decorar os nomes dos produtos (não sei o que é rímel, onde passa delineador, que cor tem um corretivo).

Perguntei pra Monica se ela estava interessada em cosméticos, e mostrei o folheto. Ah, ela disse, ontem uma mulher tentou me vender esses cosméticos enquanto eu tava esperando na fila do banco.

Qual será o treinamento que essas vendedoras independetes recebem? Venda pelo menos 40 produtos por dia e para tanto aborde qualquer pessoa que tiver cromossomos xx?

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