quarta-feira, 10 de junho de 2009

293 quilômetros

Foi o que a CET registrou de congestionamento hoje. Nem todas as vias estão monitoradas e entram nesse cálculo, portanto o número de quilômetros parados é na verdade mais alto. Mesmo assim, é o recorde de lentidão na cidade. Pra ilustrar a situação, imagine uma fila de carros parados daqui até Paraty. Agora adicione 11km a essa fila e pronto! 293km de congestionamento.

Aconteceu uma convergência de fatores: chuva (todos sabemos que deveria ser proibido chover em São Paulo), acidentes, panes, véspera de feriado. Segundo matéria publicada pelo G1, foram registrados 187 incidentes. Eu mesma vi um acidente com vítima pouco antes da ponte da Vereador sobre a Vicente Rao, um ônibus sendo rebocado na Sto. Amaro e minha aluna cuja aula começa às 7:00 chegou às 8:00 devido a um acidente na Dutra.

De noite, eu não quis pedalar os 7km até Vila Campo Grande. Uma porque ainda não achei a melhor solução pra não encharcar um par de tênis e meias e outra porque eu tava com preguiça de fazer força, sentir frio e calor.


Liguei na escola avisando que eu ia de ônibus e provavelmente ia me atrasar uns 15 minutos, porque eu já contava que o ônibus ia demorar 1 hora (de bike eu demoro cerca de 26 minutos). O ponto de ônibus parecia um poleiro de gente usando roupas escuras. Os ônibus tinham os vidros embaçados, e quando dava pra ver dentro do ônibus, via-se muitas caras sérias. O primeiro Guacuri demorou a passar e parou lá na ponta do ponto só pra desovar um monte de gente: não deixou ninguém subir. O segundo Guacuri estava apinhado de gente. Fazia calor dentro daquela lata. Os caras na catraca pediam passagem avisando que iam descer no próximo. E o mais maluco é que deu tempo deles progredirem até a porta de trás, porque o ônibus não conseguia chegar no ponto. Pessoas reclamando que ninguém respeita nada, o cobrador contando estória de gente não oferecendo lugar pra velhinha sentar, um celular tocando música sertaneja pra todo mundo ouvir e um filme de Charlie Chaplin passando na TV Bus Mídia. Quando tudo isso se acaba, um silêncio resignado deita sobre todos. Perco a noção do tempo e do espaço. Pára de chover e lentamente algumas janelas são abertas. O vapor condensado começa a pingar, pinga até do teto do ônibus. Ocasionalmente tenho pensamentos malignos contra as pessoas gordas que me esmagam ao passarem por mim e volto a reparar no mundo lá fora do ônibus quando uma dona de casa comenta com a amiga que já devem ser 20:00. A amiga suspira e diz, com desprezo: quando chove, todo mundo acha que tem que ir de carro. Dá nisso!

Desço do ônibus e sou envolvida pelo ar frio e úmido. Subo a ladeira até chegar na escola e converso com a secretária. Juntas, olhamos no relógio e constatamos que eu demorei 2 horas pra chegar. A pé eu teria chegado antes. Meus alunos tinham desistido de mim e ido pra casa, se enfiar debaixo das cobertas. Ainda nos teriam restado 1 hora e meia de aula, mas não quiseram esperar.

Na noite em que São Paulo parou, eu estava em pé num ônibus lotado. Por quê? Porque achei desconfortável molhar o pé.

3 comentários:

O Bicicletista disse...

Amei este texto! Parabéns por ele e condolências pelo trânsito...
Paulo

Joao Lacerda disse...

Saudosa Galocha!

Na próxima, improvise com sacolas plásticas. :) e boa sorte!

iglou disse...

Salve, João!

hm... sacolas plásticas. Você já experimentou? Não tem perigo do pé escorregar do pedal? Quem põe sacola plástica por cima do sapato é motociclista, mas eles não precisam fazer força sobre o pedal.

Já me sugeriram chinelo Havaianas, mas outro já me convenceu de que não é uma boa idéia.

Talvez papete ou algo do gênero seja uma boa solução, porque tem o solado mais duro e não expõe tanto o pé.