segunda-feira, 29 de junho de 2009

Divulgando a bicicleta

Em 2006, ano em que comprei a Amarilda, fiz uma cicloviagem solo pelo litoral paulista. Com a bicicleta no bagageiro, fui de ônibus a Paraty. Já no ônibus as pessoas vinham conversar comigo sobre uma mulher viajando sozinha de bicicleta.

Fiquei em Paraty por 3 dias, no albergue (da juventude) e fiz amizade com o povo de lá. Durante o churrasco para os hóspedes do albergue que eu ajudei a preparar, apareceu um amigo do churrasqueiro que tinha voltado da Praia do Sono porque tinha acabado a comida dele lá. Ficou sabendo que eu estava de bike e teve vontade de fazer a trilha à Praia do Sono de bike. Fomos os dois pegar trilha punk rock. Eu mais carreguei a bicicleta que pedalei sobre raízes, buracos, pirambeiras e pedras. Lucas foi que se divertiu à beça.

Peguei a estrada e lamentei as condições do acostamento. A paisagem, por outro lado, era fantástica.
Em Ubatuba voltei a ficar em albergue. Eu pedalava um dia - o dia todo - e descansava as pernas e a coluna no dia seguinte, caminhando pela praia. Enquanto pedalava, fazia pausas de uns 20 minutos pra comer nozes, frutas secas, doce de leite. Não era almoço, e não dava tempo do corpo esfriar. Pedalava entre 70km e 90km nos dias em que pedalava.

No albergue de Maresias fiz amizade com dois paulistas que não acreditavam que eu sabia trocar pneu. Muita gente vinha na minha janela pra conversar com aquela doida que tinha vindo de bicicleta. Tadeuzinho estava em pé na manhã em que fui embora de lá. Mas duvido que tenha sido difícil pra ele varar a noite.

Em São Vicente eu parei porque estava escuro, não porque tinha albergue. O hotel que tinha escolhido pra dormir era tão furreca, que nem descansei na cidade. Pedalei dois dias seguidos e peguei aquele retão até Peruíbe. As praias ficaram cinzas, não tinha diversidade na estrada, a posição na bicicleta não mudava. Em Peruíbe fui adotada por um casal hospedado no albergue.

No penúltimo dia cruzei as serras e fui a Barra do Una, visitar o Zeca e a família. A gente sempre acampava no 'Camping Familiar Bar do Zeca'. Ficaram todos felizes com a minha visita, mas o Zeca só falava mesmo era do meu pai. Voltei pra Peruíbe antes de escurecer e na manhã seguinte acomodei a minha companheira amarela no bagageiro do ônibus.

Voltei à vida normal, mas quis falar dessa viagem solo. Fui no jornal da Unicamp e publicaram a minha estória.

* * *

Outra vez que fui parar em jornal por causa de bicicleta foi agora, no jornal do bairro que a Mônica, dona da casa em que moro, edita. Ela queria colocar a bicicleta na 'Coluna Verde' do jornal 'Mais ação', que tem uma tiragem de 4 mil exemplares. Pediu que eu pensasse em algo do tipo 'bons motivos para ir de bicicleta'. Consegui juntar uns argumentos, mas me dei conta que só urgir para as massas que vão de bicicleta para os lugares não era o suficiente. Era preciso informar essas pessoas sobre como se comportar no trânsito.

Numa folha elenquei alguns bons motivos para a pessoa usar a bicicleta como meio de transpote, já que o ciclista faz exercício, não polui o ar e respira menos poluição que alguém preso num carro, não faz barulho, não gasta com estacionamento, gasolina, licenciamento etc., desenvolve outra relação com a cidade e suas rotas, ocupa menos espaço nas ruas, é mais ágil em horários de pico e tem autonomia em relação a conserto.

Numa segunda folha, listei algumas regras e dicas de comportamento no trânsito voltadas para ciclistas: a bicicleta tem todo o direito de trafegar na via, não deve circular pela calçada ou contramão, o ciclista deve respeitar pedestres e parar no farol antes da faixa de pedestres, sinalizar com o braço que vai mudar de direção ou manter a reta num ponto em que muita gente vira à direita, prestar atenção em portas de carros estacionados, usar luzinhas de noite para se fazer visível e compartilhar a via.

Numa terceira folha, enumerei regras e dicas para motoristas. Coisas do tipo
a bicicleta é um veículo e não deve trafegar pela calçada ou contramão, portanto não buzine para ciclistas. Use o freio, não a buzina. Não feche ciclistas. Compartilhe a via. Olhe pelo espelho retrovisor antes de abrir a porta do seu carro, para certificar-se de que não está colocando a vida de nenhum ciclista em risco.

As duas primeiras folhas foram publicadas na página central. Quando o jornal que tenho impresso à minha frente tiver sua versão em pdf, puxo um link pra cá.

Um comentário:

pedalante disse...

Lou,

legal conhecer sua história com o ciclo turismo.

p.s Notícias nos chegam, que estão a 'preparar' a linha verde, que deverá ligar S.Sebastião até Parati - uma ciclovia na estrada.