sexta-feira, 26 de junho de 2009

Carrocracia

Vá ver qual é o assunto principal na pauta dos cicloativistas de São Paulo. A mídia alternativa (blogs e afins) está expressando sua indignação com a derrubada de árvores no canteiro central da Marginal Tietê, primeira parte do programa de ampliação da Marginal.

Quando paulistano reclama de sua cidade, menciona o trânsito. Não é mais a violência, a poluição, a superpopulação. É o trânsito que não flui, que não anda, que causa estresse, que é um atraso de vida. Quando político quer ser lembrado e ter seu nome vivo na posteridade, manda fazer túneis, pontes, avenidas, cebolões e outras 'soluções de trânsito'. Na contramão de tantos outros países com culturas mais antigas (tipo a Europa) ou mais voltadas para uma boa qualidade de vida (penso em Bogotá), São Paulo investe na estrutura viária para carros.

Ninguém nunca se pergunta aqui por que usamos carros. É automático, faz parte da vida. As casas já têm garagem, o espaço para o carro já está previsto. O dono da casa que compre um carro para preencher esse espaço. O presente para o filho de classe média que faz 18 anos (ou passa no vestibular) é um carro. A carteira de motorista é o documento mais bem-visto por aqui (porque contém os números de RG e CPF e prova que o portador é um cidadão encaixado no sistema). O carro faz a economia girar: caminhe um quilômetro numa avenida e conte estabelecimentos ligados ao carro. Borracharia, mecânica, posto de gasolina, concessionária, som, insul film, autopeças, martelinho de ouro, funilaria & pintura, lava-rápido, drive-in, drive-thru.

Não nos damos conta do tempo que perdemos no trânsito ouvindo notícias sobre o trânsito. Não percebemos que respiramos a poluição que sai dos carros. Não nos tocamos que estamos ficando sedentários e obesos. Não nos ligamos que o consumo de carros está ligado a danos ambientais (desde a produção do carro: extração de metais, até a poluição do ar: emissão de CO2, impermeabilização do solo: asfalto). Não percebemos que o carro oferece, a curto prazo, o prazer da velocidade, conforto e status social; mas a longo prazo mata pessoas em acidentes, desequilibra eco-sistemas, reforça o aquecimento global.

Tirinha de ontem do Yehuda Moon
Quando foi que os carros começaram a rodar com os faróis acesos o tempo todo?
Houve um tempo em que deixavam os faróis ligados
Quando estavam a caminho de um funeral.
Então, o que mudou?

10 comentários:

augusto disse...

Concordo plenamente contigo. Aqui em Campinas todos estranham o fato de eu usar a bicicleta para substituir o carro. Até no meu escritório, quando falei que vinha de bicicleta meu chefe prontamente ofereceu a pagar o famigerado "vale-transporte", dizendo que 10km é uma distância extremamente longa.

Fazer o quê.

iglou disse...

Salve, Augusto!

Faz assim: aceite o vale-transporte em dinheiro e economize para comprar capa de chuva para bicicleta e mochila ou alforjes à prova d'água. Aí você não desanima pra pedalar em dias de chuva!!
Força no pé aí!

augusto disse...

Adoro pedalar em dias de chuva. Me dá uma sensação de liberdade. Eu encaro isso apenas como uma mudança no tempo, não necessariamente tempo ruim. Quando chego no escritório me seco (apesar de ter capa de chuva, acho ruim usar, pois o tecido dela não é "respirável").

iglou disse...

Hahahaha!
Então tá tudo certo!

augusto disse...

Ah, uma coisa!

Eu vi que você tem (ou tinha) uma Caloi 10. Você saberia me dizer se tem espaço o suficiente para colocar pneus de 32mm (com rodas aro 700C, menores que as de 27" originais) com paralamas?

iglou disse...

Ih. Não sei dessas coisas, Augusto, mas posso te encaminhar pruma galera que manja desse tipo de bicicleta. Eu tenho uma Caloi 10, mas como não troquei as peças (o que ainda preciso fazer), ainda não pensei nessas coisas.
Dá uma olhada no www.fixasampa.wordpress.com
Eles transformam Caloi 10 em Caloi 1, ou seja, fixa, de uma marcha só. Devem saber te responder.

Se quiser ir direto na bicicletaria e estiver em Barão, recomendo o Baixinho da Via Bike, na Albino, pouco antes da bifurcação que dá na Sta. Isabel.

augusto disse...

Valeu! Mandei um email pros caras :)

Estou pensando em comprar um quadro Caloi 10 para montar uma singlespeed (ou fixa). Estou a decidir ainda.

Tomara que não chova muito amanhã. Tenho que ir pra Sousas e a visibilidade fica ruim em dias de chuva.

Anônimo disse...

O pneu cabe , só que o freio não alcançaria com uma roda menor. Uma adaptãção bem feita no quadro cairia bem se não fosse pelo custo alto ( dependendo do tipo de solda ). Nesse caso vale mais a pena adquirir outro quadro para rodas 700c , que além de serem feitos em liga de alumínio que é infinitamente melhor, em todos os sentidos, do que o aço 1020 ( se fosse ao menos de aço cromo molibidênio como o comum 4130) sem nem levar em consideração a geometria...
E para bikes de pista , já existem no mercado modelos ( infelizmente importados ) com a gancheira horizontal para pinhão fixo ou "até" marcha única.
E pra vc Lou , se trocar seu quadrinho por um pra rodas 700c , também poderia usar nesse caso pneus bem menos frágeis que os nacionais da multinacional estrangeira ou os chineses mais baratos. É que por aqui pra termos pneus de 27" ou outra medida de polegada mais de responsa , só mandando vir de fora.

Bom pedal
Allen 5.

augusto disse...

Anônimo,

Estava pensando em utilizar freios long-reach, como os Dia Compe 750, que têm 63-75mm de alcance (seriam importados). A princípio estava pensando pegar um quadro Motobecane Jury (tem a gancheira horizontal e é de aço cro-moly), e acho que o farei, principalmente por existir do meu tamanho (62cm). O quadro Caloi 10 que compraria seria 58cm, o que é baixo para mim.

Anônimo disse...

Gustavo (ão)62,vai nessa afinal nada melhor que uma track bike para aprimorar nossas pedaladas.
Na real, pra ter uma singlespeed num Caloi dez até vai, mesmo eu sendo mais uma originalzinha. Agora, com a geometria e uma traseira comprida como a dele, montar com pinhão fixo não se tem nem uma coisa nem outra( sem levar em conta a matéria prima, que a principio já é argumento suficiente pra não considera-lo).
Mesmo que alguns gastem pra restaurar um caloi quase o mesmo que um genérico track frame , essa é a real
Allen 5.