domingo, 14 de junho de 2009

Casa vazia

Este é o nome de um filme que me impressionou muito. Foi feito por alguém de olhos puxados - não lembro se era coreano, chinês ou japonês: quase não havia diálogos no filme. O que me impressionou é que o protagonista temporariamente ocupava casas vazias. Não era um emprego, mas um estilo de vida. De dia, colava panfletos nas maçanetas das portas das casas de um bairro. De noite, depois que todos já tinham voltado do trabalho, entrava nas casas que se denunciavam vazias pelo panfleto ainda grudado na maçaneta da porta. Enquanto a família viajava, ocupava a casa vazia e fazia pequenos consertos, lavava roupa do cesto e saía sem levar nada.

Aconteceu de ele entrar numa casa que não estava vazia. Uma moça chorava na banheira enquanto ele fazia o reconhecimento do seu novo abrigo. Cansada de ser a esposa de um cara, resolveu ser a companheira desse outro. Juntos, passaram a ocupar casas vazias.

Não parecia ser difícil achar casas vazias naquela cidade. Se estivessem em Gramado, fariam a festa, porque mais da metade das casas de lá é de veraneio e passa a maior parte do ano vazia. Se estivessem no Alto da Boa Vista, meu bairro vizinho, nem precisariam aplicar o truque dos panfletos na maçaneta. Em cada quadra há pelo menos duas casas à venda e em exposição. Ok, pode ser que água e luz tenham sido desligados, mas não se pode ter tudo, né.

Veja bem, as pessoas não botaram suas casas pra alugar, mas pra vender mesmo. Corte de relações com a casa. O que move as pessoas pra que saiam de suas casas grandes com jardim no Alto da Boa Vista? Pensei um algumas alternativas.
a) Trauma ou medo de assalto. Ao mudarem para lugares em que tem mais gente amontoada, guarda na portaria, câmeras de vigilância e cerca elétrica, algumas pessoas se sentem mais seguras.
b) Vi uma placa anunciando: vende ou troca por fazenda. Este é o povo cansado da vida da cidade grande. Agora que temos mais da metade da população vivendo em cidades, é hora de se retirar para um lugar em que não haja tantas pessoas e tanto barulho.
c) A casa ficou grande porque todo mundo saiu. Os filhos casaram e se mudaram, o marido morreu e a viúva fica sozinha naquela casa enorme. Pra ela, a manutenção da casa e do jardim se tornaram tarefas hercúleas.

Provavelmente a combinação dessas alternativas explica a maioria dos casos de casas postas à venda. O que eu ainda não entendo é por que a incidência de casas vazias é tão grande neste bairro. Haverá panfletos colados em maçanetas de portas assombrando os antigos moradores?

4 comentários:

Natalie Rios disse...

Lou, como gosto dos seus textos!
Não tenho escrito, mas tenho lido!
Em breve te mando um mini-relato sobre inauguração da nova via de acesso à UNICAMP.

Natalie Rios disse...

Putz, e preciso te contar uma coisa há mil tempos!
NAquele dia do almoço do Lótus, depois que peguei os papéis contigo, voltei pra cumprimentar uns amigos.
Neste dia reencontrei uma pessoa, e a estou namorando agora.
Coisas do destino, acho que era pra gente estar ali naquele dia, naquela hora, muito louco!
Um beijo grande

iglou disse...

Aguardo notícias!!!
Abraço!

Silvio Tambara disse...

O filme é coreano! E é muito bom mesmo.