segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O macho da casa


O macho da casa é um gatinho chamado Shaoran. Não se deixe iludir pelo diminutivo, pois ele é um diabinho.

Quando eu colocava a comida dele num potinho separado, ele comia um pouco da comida dele e ia no potinho da Akari, terminar a refeição. Agora que eu coloco comida num só pote, ele come primeiro. Simplesmente se instala no local e manda ver. Depois de comer, fica esfregando o chão com as patinhas, para deixar seu cheiro e assim horrorizar a Akari. Nesse processo, é comum que derrube o potinho de água.
Tem horas que eu acho que ele tomou uma injeção de adrenalina, ou tem formigas na bunda. Corre de um lado pro outro , pula em cima de tudo, morde tudo, arranha tudo, derruba metade das coisas em seu caminho. Quando pego esse demônio da Tazmânia no colo nesses momentos de pilha Duracell, ele me morde.
Se eu estiver lendo nessas horas de hiperatividade destrutiva, morde o canto do livro e mastiga o marcador de páginas. Fazer faxina quando ele está possuído é um desafio. Ele corre atrás do pano, se degladia com a vassoura e pula em cima do montinho de sujeira.
Shaoran pratica escalada nas minhas calças. Já aprendeu que enterrar as unhas no tecido das minhas calças largas é mais eficiente que enfiá-las na minha carne. Quando estou em pé, escala pelas minhas calças até a minha cintura.
Akari obedece à minha voz quando ela quer pular na escrivaninha (ou está em cima dela). Quando eu estou fora da casa e ela aparece na janela, não adianta eu gritar nada, que ela não sai de cima da escrivaninha.
Já Shaoran não obedece nunca. Acredito que ele já reconheça o próprio nome, mas o nome não resolve. Shaoran apanha. Não só uma vez. E depois que apanha, corre atrás da Akari. Houve uma época em que eu achei que estava sendo muito violenta com o filhotinho endiabrado. Em vez de bater nele, enfiava o demoniozinho embaixo da torneira. Teve dias em que ele tomou 3 banhos na mesma noite. E eu sempre saio arranhada dessas missões que envolvem líquidos. Dar banho, dar vermífugo na seringa e dar castigo de torneira sempre dói mais em mim.
Não posso deixar a tampa da privada levantada, porque os dois gatos são atraídos pra dentro do vaso. Quando deixo a tampa abaixada, Shaoran senta em cima dela. O peste já descobriu como se dá descarga. Papel higiênico também tem o seu fascínio: não pára de vir papel!

Quando ele dorme, a Akari vai lá, toda silenciosa, toda cuidadosa, senta de frente pra ele e lambe seu rosto plácido. No começo, ele se deixa acarinhar pela gata, mas logo já estão rolando pelo chão da sala, entre tapas e mordidas.
Quando a Akari dorme, ele vem por trás, abre as patas da frente e pula em cima dela. Ele faz movimentos de capoeirista quando jogam: sempre olhando pra ela, faz umas cambalhotas, contorce o corpo, lhe mostra a bunda e realiza saltos mortais.
Os dois gostam de brincar com o tapete, mas cada um à sua maneira. Akari deita nele, estica o corpo comprido, enfia as unhas no tapete e começa a se revirar nele. Shaoran vem correndo e pula em cima do tapete, surfa nele, morde suas franjas, enfia a cabeça por baixo dele e desaparece. Assombrada, Akari caminha com a barriga rente ao chão até o calombo no tapete. Aparece o rabo do Shaoran, ela inspeciona a pista com o nariz. O tapete muda de forma e começa andar. Akari se assusta e recua. Debaixo do tapete, como uma flecha, dispara o Shaoran. De braços abertos, o capeta pula em cima da Akari.


5 comentários:

Carlos Teixeira disse...

Hilário! Se pode servir de consolo, a única coisa que posso te dizer é que tende a melhorar com o tempo. Mas no caso de machos não castrados, a previsão é que ele troque algumas "artes" por mijar em forma de spray pela casa para demarcar o território... Obrigado pelos momentos de diversão ao ler o seu relato! :-)

Mônica disse...

kkkk
Estou morrendo de rir!

Mas Shaoran ainda vai acalmar. Ele está na idade de treinar a caça.

abs e aguardando novos relatos sobre a casa nova.

Juliana disse...

Jesuis!!!
Ai eu já levava para uma sessão de descarrego hahahaha
Abraço

Phil disse...

assoprar na cara de gato é menos violento, mas com os nossos gatos deu certo: eles odeiam essa concequência e assim aprendem a evitá-la.

E eu também acho a casa nova bem melhor! O jardim merece um esforco para ficar legal, mas o interior com o chao de madeira é massa!

Mé tais!

PHIL.

Amurim disse...

O teu amigo Carlos tem razão. Os machos tendem a piorar mijando pela casa a fora.
Eu sei bem o que é isso. Tenho dois em casa, Mão-Branco e Ébano, terríveis.

Digo!;)