quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Curso de férias

O curso de férias nasceu de uma demanda dos alunos de Ciências Sociais da Unir. Isso é fato. A interpretação dos fatos é que muda: a seguir, a versão de lá.

Os alunos estavam com dificuldades para escrever textos acadêmicos e foram conversar com o professor mais descolado deles. Esse professor, o Ninno, levou a idéia à Mariana, técnica em assuntos educacionais. Ela o orientou a oferecer um curso de produção de textos científicos nas férias. Enquanto matutavam quem daria aquele curso, passei no corredor. Me laçaram.

Agora a versão de cá. Existe um cineclube na Unir, conduzido por dois alunos que eu já considero amigos meus. Esses dois meninos são amigos do Ninno e do Robson, professores deles. Ninno e Robson também frequentam o cineclube. Paulo e Guilherme (os alunos) sabiam que eu estava lecionando algo relacionado a Texto, porque afinal eu conduzi a discussão sobre o filme 'Estômago' nesses termos de coesão, coerência e paralelismo. Os dois sabiam também que eu revisei aquelas pedreiras pra UAB. Tenho cá pra mim que fui indicada por esses dois alunos pra dar o curso de produção de textos nas férias.

Ok, o curso aconteceu. Foram 4 encontros de 4 horas cada. Havia 25 vagas, que foram preenchidas no mesmo dia em que as inscrições abriram (no meio das férias!). No total, 60 pessoas (inclusive professores da Unir) quiseram se inscrever, apenas 26 conseguiram fazer inscrição. No primeiro dia, vieram 27. No segundo, foram 23. Cogitamos que a entrega de uma resenha encomendada tenha espantado os ausentes. No terceiro dia, eram 22. No último dia, dia de entrega da resenha reescrita, vieram 12, sendo que uma pessoa caiu de pára-quedas.

Olha só: o curso foi pedido e procurado pelos alunos. Vieram enquanto podiam sentar passivamente na cadeira e ouvir a professora falar. Participaram enquanto os textos a serem produzidos eram estorinhas de Era uma vez, telegramas, manchetes e artigos de jornal, origamis e resenhas de filmes. Mas quando foram convidados a produzir e entregar uma resenha sobre um texto de Renato Ortiz (Durkheim: Arquiteto e Herói Fundador), debandaram. Como esperam aprender a escrever se não são leitores e se não estão dispostos a treinar a escrita? Como esperam aprender sem serem avaliados?

Eu aprendi sobre Sociologia, acentuação de palavras, sei fazer origami sem olhar a receita e interagi mais de perto com essas figuras que brilham como as estrelas no céu daqui. Brilham porque querem mudar a situação empacada da Unir. No céu daqui, tem mais nuvens do que estrelas. Por isso essas figuras são tão preciosas.

5 comentários:

Mônica disse...

Lou, não fica chateada. Isso é reflexo de anos de pouco caso com a educação. Nossa população não está acostumada a pensar e isso vai mudar devagar.

Mas tenha em mente uma coisa: as pessoas só vão mudar se outras, como vc, mostrarem para elas que existem outros caminhos, que produzir algo inédito tem seu charme, suas vantagens...

iglou disse...

Mônica, cê tem razão.

Numa dessas noitadas com os professores do departamento, um professor me disse que não faz diferença se ele poluir o mundo de carro. Porque a poluição já é tanta, que um a mais, um a menos, não muda nada.
Eu respondi que faz diferença, sim, porque andando de bicicleta, eu sou exemplo pros outros.

Amurim disse...

Lou, o curso foi nota 10! Apesar da desistência de alguns. Os que permaneceram até o final gostaram. Eu sou um deles ;)
Um abraço!

Mônica disse...

É isso mesmo.

A mudança nunca é feita de um dia para o outro, mas com o trabalho de formiguinha que vc e outras pessoas fazem.

bjs

iglou disse...

Obrigada pelo feedback, Rodrigo!