A temperatura real é de 37°C, mas a sensação térmica é de 43°C. Já imaginou? Pois eu sinto na pele pegajosa. Sou uma goteira ambulante que não consegue dormir de noite. As paredes da casa não esfriam, não há vento que alivie esse calor infernal.
Já faz uma semana que, todo dia, a previsão do dia é de 3 a 5 mm de chuva. Essa água prometida não chega ao chão.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
O trabalho
O trabalho me comeu um dia inteiro
O trabalho me comeu a produtividade
O trabalho me comeu o almoço
O trabalho me comeu a alegria de trabalhar
O trabalho me comeu o cérebro
O trabalho me consumiu.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
...and counting
Pro meu estágio probatório, tive que escrever um memorial descritivo das minhas atividades realizadas no primeiro ano de vida docente na Unir. Me espantei com o tanto de coisa que fiz em um ano. O memorial ficou com cinco páginas.
***
Durante a Abralin, me perguntaram quanto tempo fazia que eu tava em Porto Velho.
- Um ano, um mês e dezoito dias.
- As horas você não contou?
- Hehehe.
- Legal, aqui, hein?
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Outra mudança em vista
E daí que eu me sinto super bem morando na Vila? E daí que eu plantei maracujá doce, laranja, limão e mamão de sementes trazidas de São Paulo, pitanga de semente trazida de Floripa, jambo e palmeira trocados por pen drive, bicos de papagaio negociados pela metade do preço na floricultura e um abacateiro que despontou na composteira? E daí que eu tenho um gato enterrado no jardim? E daí que eu gosto dessa casa grande, de madeira, com pé-direito alto?
A proprietária avisou na imobiliária que não quer renovar o contrato (que vence dia 11 de janeiro), porque quer reformar a casa. Reformar não significa trocar o telhado (reforma orçada em R$ 12.450,00), fazer a pintura (orçada em R$ 4.500,00) e botar piso laminado (orçado em aproximadamente R$ 5.000,00). Pra ela, reformar significa derrubar e fazer outra.
A casa já deve ter seus 20 anos e está sendo comida pelo tempo: as goteiras furam o chão de madeira, a parede externa, especialmente ali onde pinga a aguinha do ar condicionado, está apodrecendo, se mexer no registro do meu banheiro, a água vaza pela parede. Além disso tudo, a casa é dela e ela faz o que bem entender com os seus bens.
Meu primeiro impulso foi pedir à proprietária que me deixasse ficar mais dois anos. Quando Robson riu da minha ingenuidade, percebi que dois meses já seria uma grande conquista. Sair em janeiro seria um problema de ordem prática: estarei desfrutando das minhas primeiras férias, do outro lado do oceano.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Once
O filme é de 2006, e nem sei mais como é que só foi cair na minha mão agora, quatro anos depois de seu lançamento. Também não lembro como foi que o título do filme me chamou atenção. O fato é que gostei pacas desse filme simples e despretensioso.
Na esteira da explicação da Maíra, gostamos de coisas com as quais nos identificamos. Apesar de nunca ter tocado nenhum instrumeto musical a sério, tenho amigos que já fizeram as vezes de músico de rua que recebe seus trocados no chapéu. Por tabela, me identifiquei com o músico de rua que de dia toca as músicas conhecidas e de noite, quando ninguém pára para escutá-lo, toca as próprias composições.
Me identifiquei muito com a moça imigrante que, dadas as condições sociais, não tem oportunidade de praticar sua paixão. Enquanto ela precisa trabalhar como faxineira e vendedora de flores para sobreviver, estou dando aulas de Texto para alunos mal escolarizados. A heroína sem nome toca piano numa loja de instrumentos com a permissão do dono da loja. Eu analiso os textos dos meus alunos à procura de construções de tópico. Enquanto ela invade a vida do músico de rua para fazerem música juntos, fui a companheira que não acompanha (e viva Luiz Tatit) do moço que me despertou para o prazer intelectual da pesquisa em Linguística.
Se a necessidade é a mãe das invenções, o pé na bunda é o pai da criatividade. Tanto o moço que toca violão como a moça que toca piano estão emocionalmente em pandarecos, compondo canções lindíssimas. E aí a decisão do diretor de escolher dois músicos (e não dois atores) para os papéis principais foi muito acertada. O amor frustrado dos dois segue em pararelos próximos, mas cada um toma o seu rumo. E aí sabemos que não estamos diante de um filme de Hollywood em que "viveram felizes para sempre".
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Longe
Longe não é uma distância que se mede só em quilômetros.
Ouvir os meus amigos, que vieram pra Abralin, falando sobre os problemas cabulosos que estão estudando, me faz pensar em quantos aviões eu teria que tomar para chegar numa boa biblioteca.
Ouvir Renato e Maria Luiza falando de seus orientandos joinhas, autônomos e intelectualmente independentes, me faz pensar que estou a milhas e milhas distante deles.
Ouvir um aluno de último ano em Letras dizer que naquela lista de substantivos tem pouco verbo, e teimando que 'abotoadura' é um verbo que vem de 'abotoar', me joga a anos luz de onde eu queria estar.
domingo, 12 de setembro de 2010
Tentei
Renato, Pablares e Malu chegam hoje no aeroporto de Porto Velho. Ficarão uma semana aqui, para o congresso da Abralin em Cena - Rondônia.
Numa atitude pró-ativa, resolvi alugar um carro para poder taxear os meus amigos entre hotel, Unir, restaurante e balada (se ainda houver cérebro depois de um dia inteiro de mental work). Quando comecei a comentar que pretendo alugar um carro, Renato foi o primeiro a tentar me dissuadir da ideia: a organização da Abralin vai providenciar o transporte. O segundo foi o meu chefe, depois a encarregada na Unir de organizar a Abralin. Daí o Renato avisou que o carro prometido tinha miado e que seria uma boa eu assumir o papel de motorizada, sim.
Decidida a alugar um carro, pedi ajuda pra Cynthia: se eu fosse pedalando pro centro da cidade, eu poderia voltar dirigindo, mas o que eu faria com a bicicleta? Marquei com a Cynthia de irmos juntas à locadora num carro e voltarmos distribuídas em dois veículos.
Decidida a alugar um carro, pedi ajuda pra Cynthia: se eu fosse pedalando pro centro da cidade, eu poderia voltar dirigindo, mas o que eu faria com a bicicleta? Marquei com a Cynthia de irmos juntas à locadora num carro e voltarmos distribuídas em dois veículos.
O cara da locadora tinha pedido pagamento adiantado em dinheiro. De manhã, fui de bicicleta até o caixa eletrônico ao lado do Hospital João Paulo. O caixa estava escuro e a máquina que cospe dinheiro estava imersa na obscuridade. No vidro fumê da porta do caixa, havia um cartaz: NEM TENTE.
Resignada, fui tentar o caixa eletrônico do supermercado na Jatuarana. Consegui. Voltei pra casa e esperei a Cynthia. Quando ela chegou aqui, me disse que me emprestava o dela e que não era pra eu alugar carro, não.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Não é simples
Já percebi que sou bastante tolerante pra julgar filmes: um filme precisa ser obviamente ruim, falso ou omisso para que eu o considere ruim. Mas nem todos os filmes são facilmente classificáveis como bons ou ruins. Não é sempre simples assim. Alguns incomodam a tal ponto, que só um estudo sobre o filme (extras do DVD, resenhas de pessoas, conversas com outros) me ajuda a formar uma opinião.
Depois que estreou, passei duas semanas discutindo sobre Fight Club pelo telefone. Tive que ver os extras do Cheiro do Ralo e comprar o livro pra respeitar o filme. Só depois de ler cinco resenhas sobre Das weisse Band é que saquei o filme. Ainda não digeri bem Synecdoche, New York, mas esse é um dos filmes que entra nessa categoria dos filmes que mais incomodam do que qualquer outra coisa. Chegar nessa categoria não é simples. Dogville, por exemplo, é um filme que incomoda pra caramba, mas eu logo soube que tinha gostado dele.
Por indicação da Maíra, me interessei pelo produtor desse filme, Spike Jonze, que dirigiu Being John Malkovich em 1999 (e percebo outra constante: a atriz Catherine Keener no papel de mãe) e Where the wild things are em 2009. Esse último incomoda pela ausência de julgamento que o próprio filme faz sobre a violência numa criança.
O contrário de simples, como aprendi com o Ferrone, não é 'complicado', mas 'complexo'. Em alemão isso é mais fácil de visualizar: simples é 'einfach' = uma faceta; ao passo que 'vielfach' é multifacetado, ou seja, complexo.
domingo, 5 de setembro de 2010
Konsum
Du kannst zwar machen was du willst, aber nicht wollen was du willst
Die Fantastischen Vier - Konsum
Lugar de ser feliz não é supermercado
Zeca Baleiro - Piercing
Muitos shoppings têm supermercado e muitos supermercados estão se shoppidificando: no Pão de Açúcar é possível tomar café, no Carrefour se pode comer um sanduba, no Gonçalves tem restaurante no almoço e no Araújo o restaurante serve almoço e janta.
O homem contemporâneo consome
enquanto os templos de consumo
lhe consomem o tempo de vida.
Die Fantastischen Vier - Konsum
Lugar de ser feliz não é supermercado
Zeca Baleiro - Piercing
Shopping tem praça de alimentação, cinema e lojas. É possível, então, consumir comida, filmes e coisas. O cidadão é convidado a passar longas horas num prédio que tem um clima próprio, um código de conduta próprio (sentar no chão e ler um livro não faz parte do normal, muita gente se veste de uma maneira especial para ir ao shopping, fazer pique-nique, dançar ou cantar chamariam muita atenção) e uma lógica de consumo.
O homem contemporâneo consome
enquanto os templos de consumo
lhe consomem o tempo de vida.
sábado, 4 de setembro de 2010
RevoluCHUVA
Foto que Marcela fez
Andréia
Fomos todos nos abrigar no meio dos instrumentos que estavam sendo desmontados, panelas de vatapá salvas das chuvas torrenciais e isopores de bebidas que precisavam ser depositados em algum lugar. A desordem foi animada, até que as batidas nos atabaques ordenaram nossas atenções.
Outra foto da Marcela
Enquanto a chuva caía, íamos ficando. Uns pensavam na roupa no varal, outros na janela aberta, eu nas goteiras de casa. Quando a chuva forte parou, a primeira banda embarcou sua aparelhagem no carro e zarpou. A segunda banda não permitiu que ninguém seguisse o exemplo e prendeu o público com a música que começou a tocar.
Robson
Enquanto Beradelia tocava, a gente dançava, bebia, conversava e sorria. Fiquei me divertindo com um máquina fotográfica mais profissional que a minha no modo manual. Nem sei quem é a dona da máquina, mas Marcela me mandou algumas fotos que eu fiz (a melhor que eu fiz dela, ela não mandou).
Mais uma foto da Marcela
Quando a quinta pessoa me perguntou como que eu aguentava esses doidos todos estando sóbria, decidi que era hora de ir embora.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Piove
No primeiro dia da semana, ouvi a chuva da minha cama. A decisão se aquele som era sonho ou a tão esperada chuva não foi fácil às 6 da manhã.
Ouvi, nitidamente, como as gotas grossas despencavam nas telhas. Algumas acharam o caminho por entre as telhas e foram pingar no forro. Dentro do meu quarto não teve goteira, mas em outros pontos da casa a chuva deixou suas marcas no chão de madeira. A segunda sensação foi o cheiro do barro das telhas e da poeira da cidade misturado com a primeira água que caía do céu em mais de um mês de secura brava.
A temperatura baixou, a luz caiu, a visibilidade melhorou e a umidade do ar aumentou. As plantas resgataram da memória todo o verde que a estiagem lhes tinha drenado das folhas. Tem chovido esporadicamente desde segunda, mas a previsão de todo dia é que no dia seguinte a chuva cessará.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Nossa assinatura
Fiquei responsável pela exibição de curtas durante a I Semana de Humanides na Unir. Eu tenho muita animação que ainda não encontrou o seu espaço de divulgação, Ninno tem muitos documentários de orientação política. O nosso acervo pessoal deu o norte para esses curtas: documentários e animações.
Mas eu não ficaria sozinha na exibição dos curtas. Paulo, Leo e Carol ficaram cada um responsável pela programação de um dia, eu pela de dois. Tanto Paulo como Leo tiveram que cortar a programação pela metade, porque dividiram o espaço/tempo com apresentações musicais. No meu dia, os curtas não estavam no programa, mas super rolaram. E como foram selecionados por mim, acabaram tendo a minha assinatura: mostrei um documentário sobre os Maxacalis que a Cynthia comentou de tarde no GT dela, dois pequenos documentários sobre a bicicleta e a bicicletada paulistana, dois documentários do projeto Story of Stuff e algumas animações vencedoras do Animamundi e Beltesassar's Animation Festival.
Na mão do Paulo eu dei três DVDs cheios de animações, na mão da Carol depositei um pendrive com 4 gigas de animações + 1 documentário e pro Leo eu disse: confio em você.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Jogo de cintura
Durante a preparação da I Semana de Humanidades, chegamos a pensar em desistir de tudo. Mas aí aprendemos que não é pra se desesperar quando as coisas desandam: é preciso aprender a negociar.
* * *
Estou dando minicurso sobre o "erro" em aquisição de linguagem. Havia 30 vagas, e muitas pessoas não conseguiram se inscrever. Os que me pediram pra entrar foram negados, os que simplesmente entraram, ficaram. No fim, a lista de presença contou 49 participantes.
* * *
A 'exibição de curtas' concorria com 'atividades culturais', e como não estávamos sabendo da confirmação do concerto de violão, programamos uma hora e meia de animações. Confirmado o concerto, reprogramamos nosso repertório para a metade do tempo.
* * *
Os celulares, a tela do computador dela (e viva as baterias de computador) e a vela que o Ricardo pôs aos seus pés iluminaram a conferencista. Quando ela disse que mostraria as imagens do power point dela quando a luz voltasse, a luz voltou.
domingo, 29 de agosto de 2010
Ajuntando o espírito
a boa notícia de ontem
era que hoje ia chover
não choveu
a má notícia de hoje
é que amanhã é segunda-feirainevitavelmente.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
E os bons costumes
Teve reunião da equipe juntada, misturada e aglomerada que está envolvida na organização da Semana de Humanidades na Unir. Como o campus continua interditado, as pessoas se reuniram no auditório da Reitoria (é, com R maísculo mesmo, pra impor grandiosidade) que fica no centro.
Cheguei de bicicleta, entrei e saí algumas vezes, e quando entrei acompanhada de um professor de Arqueologia, ele me disse que numa ocasião anterior tinha sido mandado pra casa, trocar de roupa, porque na Reitoria (imponente, esse R) não se podia entrar de bermuda. Dei risada e achei um absurdo regularem a roupa das pessoas num prédio da universidade. Duvido que minissaia seja um problema. Bermuda é que é.
Entrou um moço de bermuda. Seguindo o aluno até o palco do auditório, vinha a recepcionista, dizendo que era pro rapaz voltar pra casa e trocar de roupa, que na Reitoria não podia, que tava escrito lá, que ela tinha mandado um moço pra casa no dia anterior e que esse moço tava lá naquele dia e que ia pegar mal pra ela se o moço visse o rapaz de bermuda. O menino disse que morava longe e que não sairia do auditório, afinal a pilha de pastas era grande.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Revolução
Engraçado como o cineclube deLírio às vezes se dobra sobre si mesmo. Quando fomos expulsos aos gritos pela professora loira tingida, o filme que estava passando era Onde sonham as formigas verdes, um filme de resistência dos aborígenes contra os tratores, empreiteras e construtoras.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Aularana
Lembro de poucas palavras em tupi que aprendi no curso do Navarro, mas lembro muito bem de alguns sufixos. -uera, por exemplo, que aparece em Ibirapuera (árvore velha) e Anhanguera (diabo velho), significa 'velho'. -rana, que só lembro de ter visto num título de Guimarães Rosa (Sagarana), significa 'aquilo que não chegou a ser nem será'. Pense numa comida que desandou ou numa obra abandonada.
As atividades na Unir Campus foram suspensas de novo, de quarta a sexta. De quarta tem cineclube, quinta e sexta tenho aulas. Aularana, porque os meus alunos de Arqueologia e Medicina já têm 3 presenças marcadas além daquela única aula que dei: na primeira semana tiveram trote, na segunda semana dei aula, semana passada teve fumaça e essa semana tem fumaça de novo.
As atividades na Unir Campus foram suspensas de novo, de quarta a sexta. De quarta tem cineclube, quinta e sexta tenho aulas. Aularana, porque os meus alunos de Arqueologia e Medicina já têm 3 presenças marcadas além daquela única aula que dei: na primeira semana tiveram trote, na segunda semana dei aula, semana passada teve fumaça e essa semana tem fumaça de novo.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Contra-intuitivo
Meu chefe me ligou dizendo que tinha um "pepininho" pra mim. Nunca tinha ouvido essa palavra no diminutivo. No neutro (pepino), aumentativo (pepinão) e superlativo (pepinaço) eu já tinha visto, mas nunca no diminutivo. Minha intuição já me dizia que um pepino no diminutivo é uma coisa azeda e espinhuda.
Passei o dia no gabinete da reitoria, corrigindo redações de vestibular. Abacaxi! Não pepino.
O tema era sobre a devastação da Amazônia e a pecuária. Minha intuição de falante me dizia que pecuária se escreve com acento, mas no enunciado da prova ela estava sem.
Minhas expectativas em relação às redações eram que escrevessem sobre a conscientização, a fumaça, o pulmão do planeta, gerações futuras e gado e pasto. Contra as minhas expectativas, li redações em tom panfletário sobre o progresso, desenvolvimento, giro da economia, atendimento às demandas de carne bovina, frigoríficos, trator derrubando árvore, tanques de peixes, estado do Amazonas e plantação de café.
As construções de palavras intuitivamente possíveis, no entanto não dicionarizadas, me divertiram: desmatação, planejação, reflorestação, tanto flora como fauna são ambamente ricas, garimpagem de ouro e agravação do problema.
As grafias pouco ortodoxas me assombraram: equitáres, habitate, abtati, desmaziadamente desastroza, extinsão, voraxidade, quaze, haja vista intão, cem nenhum controle. Mais uma prova de que as pessoas confiam na intuição de que a escrita reflete a fala.
As conclusões contra-intuivas chacoalharam nossas bases, crenças e fé na bondade humana:
Será que existiria pecuária sem a Amazônia?
Pecuarista tem visão do futuro.
A pecuária se avança
A própria natureza, através de tempestade de raios, acaba queimando as matas.
Concluímos que o maior culpado do desmatamento é o homem.
O aquecimento global já está aqui.
Sem a Amazônia, o que será do nosso futuro?
Se acabarem as florestas, o que respiraremos?
Por fim, as formulações inusitadas foram uma aula de intuição e contra-intuição:
desmatamento das matas
exclusivamente quase toda
causa muitas consequências
legalizadas perante a lei
onde todos é muita gente
aumento populacional das pessoas
vem surgindo diariamnete, dia-a-dia
domingo, 22 de agosto de 2010
Cotidiano
Quando minha gata me acorda de manhã,
sinto o gosto da poeira parada.
Meu humor vê o mundo branco
e espera o sol dissipar a fumaça.
As parcas folhas amareladas pelo sol
são depenadas pelo vento.
Chove cinzas de queimada
e o banho frio lava a terra suspensa.
De noite se vê os limites do feixe de luz.
Antes de dormir, rezo por um milagre e
sonho com cheiro de chuva e mata molhada.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Palhaço Xuxu
Quando me disseram que haveria circo em Porto Velho, me animei toda. Quando comentaram que era na cachoeira do Teotônio, me empolguei pacas. Quando informaram o horário da apresentação, entrei em conflito com os meus botões, enrijeci a coluna e lamentei que eu tinha cineclube no mesmo horário. Daí as atividades no campus foram suspensas e entrei em estado de graça, porque dava pra ver o Palhaço Xuxu sem conflito de horário.
Pegamos a estrada, passamos a Unir, entramos numa estrada de terra, fomos acompanhados pelo olhar das árvores, passamos por uma vila, levantamos mais um tanto de poeira na estrada marrom e já vimos a lona de circo.
Em setembro a Cachoeira de Teotônio será descaracterizada em função das usinas hidrelétricas. Não fomos até a beira do rio porque era de noite. Não vimos os ribeirinhos em suas casas que deixarão de existir, mas sentamos debaixo da mesma lona que os ribeirinhos que serão remanejados para a vila na beira da estrada. Rimos junto com as crianças enfeitadas para o evento da noite.
Não que o circo me desperte memórias da infância feliz, nada disso. Descobri o circo depois de atingir a maioridade, divindo a casa com um palhaço. Reconheci alguns números e ideias engraçadas e conversei com o meu palhaço preferido sobre eles. Juntando essa conversa com questões de autoria, tenho a impressão que um número de circo é como uma piada: circulam por aí. Uns sabem contar piadas muito bem, outros nem tanto. Mas no final das contas, não é a piada que impressiona, e sim o modo como foi contada.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
É grave
O reitor da Unir suspendeu as atividades no campus por três dias, devido à fumaça das queimadas. Hoje, quinta e sexta não haverá atividades de ensino, pesquisa e extensão na Unir Campus. A notícia saiu na página da Unir hoje mesmo. A partir das 15:00 de hoje não circularão mais ônibus ligando o Campus com a cidade.
Na Unir Campus o problema da fumaça das queimadas é mais grave que na cidade, porque do lado do campus fica o lixão da cidade. Uma das estratégias de não permitir que a montanha de lixo cresça indefinidamente é queimar tudo.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Queimadas
Essa queimada aconteceu ontem, dentro do condomínio em que moro. Não sei o que as pessoas têm na cabeça. Não senti nenhum movimento no sentido de apagar o fogo, o que me leva a suspeitar que a queimada tenha sido intencional, não um acidente. Imagino que todos saibam que queimada é crime ambiental. Não só porque acaba com a vegetação local, mas porque polui o ar, já que não queimam apenas mato (queimam lixo tipo plástico, pneu e outras coisas).
Em tempo: temperatura 33°C, umidade relativa do ar de 27% e visibilidade ruim. A chuva seria um milagre muito bem-vindo.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Regulagens antigas
Como hoje não precisava levar muito material e eu tinha que estar na Unir às 8:00, - quando o sol ainda não morde a gente, - resolvi ir de Caloi 10 e mochila nas costas. Tive que encher o pneu da frente mais um pouco antes de pegar a estrada.
O ar até tava friozinho, nem cheguei a suar. A mochila não incomodava tanto, mas se as alças que ficam penduradas nas laterais não me açoitassem nas descidas, teria sido melhor. O selim foi descendo com o meu peso e eu fui me sentindo macaco de circo em bicicleta pequena. Na última subida, tive que pedalar em pé pra ter força.
Nem troquei muito de marcha, nem explorei o potencial de velocidade da magrela. Fui trançando uma rota por entre as pedrinhas, cacos de vidro e outros lixos do acostamento. E como ela é mais leve que a Amarilda, senti bem o deslocamento de ar causado pelos caminhões que passavam por mim em alta velocidade.
Na volta pra casa, fui ajustando a altura do selim e pedalando, mas o nariz dele ainda estava muito alto. Já na BR, o pneu da frente começou a anunciar cada pedrinha com um impacto meio seco e surdo. Descer a maior ladeira com o pneu murcho assim poderia ser perigoso. Troquei a câmara rapidinho, sem ter achado o material que furou a câmara.
Em casa, fui remendar a câmara. O furo estava numa dobra da borracha perto da válvula. A cola do remendo nem pegou. Pelo fato de não ter encontrado nenhum material cortante no pneu, e ter tido que encher o pneu de manhã, concluo que o furo já era antigo. Para sanar o desconforto da posição na bicicleta, puxei o selim todo mais pra frente.
Depois que fui e voltei, é que consegui regular a bicicleta.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Smoke on the water
No fim de semana não se via a outra margem do Rio Madeira, de tanta fumaça. De ontem pra hoje o vento levou muita fumaça embora. O horizonte de Porto Velho não está muito diferente do horizonte de São Paulo na estiagem. Um véu cinza borra as bordas da cidade. Lá é a poluição, aqui é a fumaça das queimadas.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Antes do sol nascer
O despertador tocou às 6:00, mas eu já estava em stand by desde às 4:30. Meu primeiro dia de aula. Começaria dando aula de Língua Portuguesa na Medicina de manhã e daria aula de Redação e Textualidade na Letras de tarde.
Caminhando pelos corredores vazios da Medicina senti o clima de volta às aulas no segundo semestre. No departamento deles, descobri que os estudantes de Medicina pros quais darei aula são calouros e estão recebendo trote nessa primeira semana.A alvorada está estranha. Não sei se é fumaça, poeira ou neblina, mas um véu leitoso encobre o céu.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O carteiro e os livros
O carteiro que vem da central de correios na Jatuarana me traz as correspondências comuns e livros que pesam menos de 1kg. Ele vem sempre de bicicleta (usa chapéu, óculos escuros e mangas compridas pra se proteger do sol) e me reconhece na rua, quando estou em uma das minhas bicicletas.
Aconteceu uma vez de chegarem quatro livros comprados e despachados simultaneamente, mas embalados separadamente no correio onde ele trabalha. Mas como eles têm (ou tinham, vai saber) um sistema bem peculiar de entregas, ele me avisou que os livros estavam lá, mas que ele não podia trazer. Fui até a agência, dei de cara com ele e peguei os meus livros.
Quando a Cynthia tava ocupando a casa e eu não, aconteceu de chegarem dois pacotes que o carteiro quis entregar: dois livros pra mim e um pra ela - mas a Cynthia não estava em casa pra receber. Deixou bilhete avisando. Quando a Cynthia foi pegar as encomendas na agência, liberaram o pacote dela, mas não o meu, porque ela não sou eu e ela não tinha o meu RG pra provar que eu sou eu. Argumentou dizendo que morávamos juntas, que o endereço de destino era o mesmo, que eu estava viajando e ela pegaria o meu pacote no meu lugar. Não adiantou. Ao sair da agência, topou com o carteiro. Explicou a situação, ele entendeu e prometeu trazê-los no dia seguinte. Para ter certeza de que ela estaria em casa para receber o pacote, anotou o número de celular dela. E assim os meus livros chegaram em casa.
* * *
O carteiro que vem da central dos correios na Costa e Silva me traz todos os pacotes que pesam mais que 1kg. Esse vem de carro e se espanta com a quantidade de livros que eu compro. Conversamos sobre a rapidez da Fnac, a lentidão das postagens internacionais e suas causas.
Na penúltima entrega, perguntou se era melhor vir de tarde ou de manhã. Respondi que agora que mudou o semestre, mudaram os horários. Levantando o queixo, perguntou (com entonação de afirmação) se eu fazia faculdade. Respondi que eu dava aula e acho que ele obteve uma resposta maior que a pergunta: entendeu por que chegava tanto livro aqui.
* * *
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Der Weg ist das Ziel
É apertado. É muita gente ocupando um espaço desconfortavelmente diminuto. É barulhento, mas o ruído é considerado normal. Funciona como um mecanismo de relógio. O que faz tudo funcionar é a competitividade, a certeza da individualidade, a vontade de vencer - antes mesmo de garantir a sobrevivência. Caminhar aqui significa sumir na massa, acompanhar o fluxo, abrir caminho com os cotovelos. Formas de autodefesa são salto alto pontudo, máscara colorida no rosto, sorriso automático, trava nos vidros, insul filme, buzina estridente e lataria robusta; mas acima de tudo, o medo. Por causa dele, as ações são desconexas, a necessidade de entretenimento é enorme e o foco fica pulverizado. Caminhar aqui significa armar-se constantemente contra os outros.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Ciclos
Em Porto Velho pode-se observar um ciclo, que não corresponde necessariamente às estações do ano. Das chuvas eu me lembro muito bem e a seca estamos sentindo agora. Na transição das chuvas pra seca tem o período da poeira e na transição da seca pras chuvas tem a fumaça (das queimadas).
À procura de uma sombra
Akari farejando passarinhos.
Pouca coisa não foi queimada pelo sol ou pelo fogo. As árvores estão perdendo suas folhas, a grama parou de crescer: há pouca sombra pra se refugiar desse sol bravo.
domingo, 1 de agosto de 2010
sábado, 31 de julho de 2010
Último dia
Estamos diante da difícil tarefa de transportar 3 pessoas, 2 mochilas e 1 bicicleta até o aeroporto. Ontem a porta do porta-malas enganchou no portão elétrico, ocasionando uma pequena catástrofe.
Bicicletada
Toda última sexta-feira do mês tem bicicletada em São Paulo. O encontro está sempre marcado pras 18:00 e a largada pras 20:00. Quando cheguei, pontualmente às 18:00, só tinha um cara sentado na Praça do Ciclista. Fui na casa do Ariel, pegar uma bicicleta emprestada. Ariel e eu compartilhamos as bicicletas que ele me empresta, o fato de termos ficado um ano fora da bicicletada e o Luisão.
Foi bom rever algumas figuras, conhecer em carne e osso (me refiro ao Cabelo) quem eu conhecia em formato blog, ouvir diálogos do tipo: deixa eu ver o seu rosto, porque eu só conheço os seus textos (uma moça conversando com a Aline); e rodar pelo centro de São Paulo, que eu conheço pouco.
De repente entramos num túnel, margeamos um cemitério, passamos pela Barra Funda (reconheci o cartaz anunciando o Animamundi), paramos no Pacaembu e depois de pedalar mais um tanto, alguém perguntou quem ia subir e Ariel se manifestou positivamente. Subimos a Augusta.
Foto que Matias fez. Eu sei que o Matias é psicólogo, mas sempre o tratei como biólogo; e por falarmos sempre de árvores, ele achava que eu era bióloga e não sabia que eu sou linguista.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Barra do Una
Pé na estrada e muita lama no carro. Olga e eu fomos a Barra do Una, Simão ficou em casa, curtindo um final de gripe. Rapaz, como é massa dirigir em estrada de terra com lama, buraco e paisagem verde abundante.
Segunda praia, vista de cima. As nuvens estavam pesadas, agarradas na serra. Por medo de chover e piorar o lamaçal na estrada, só fomos até o rio e o Camping Familiar Bar do Zeca e não caminhamos até a segunda e terceira praia.
Tanto o rio como o mar estavam com pouca água. Fazia mais de ano que eu não via o mar. O cheiro da brisa, a textura da areia, a fartura de água, o som das ondas e o clima desencanado estavam me fazendo falta.
A cor dessa água é interessante. As árvores que se vê na foto já estão na Juréia.
Viu como o rio está com pouca água? Na volta, quando subimos a serra, tinha muita neblina na Imigrantes. Neblina. Quanto tempo faz que eu não me via envolvida pela neblina?
Dessa vez eu não trouxe nenhuma conchinha comigo.
Última olhada pro Rio Una e pé na estrada outra vez. Essa minha escapada de Rondônia está muito da hora. Todo dia revejo uma pessoa ou lugar que me faz sentir em casa.
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