terça-feira, 21 de setembro de 2010

Once

O filme é de 2006, e nem sei mais como é que só foi cair na minha mão agora, quatro anos depois de seu lançamento. Também não lembro como foi que o título do filme me chamou atenção. O fato é que gostei pacas desse filme simples e despretensioso.

Na esteira da explicação da Maíra, gostamos de coisas com as quais nos identificamos. Apesar de nunca ter tocado nenhum instrumeto musical a sério, tenho amigos que já fizeram as vezes de músico de rua que recebe seus trocados no chapéu. Por tabela, me identifiquei com o músico de rua que de dia toca as músicas conhecidas e de noite, quando ninguém pára para escutá-lo, toca as próprias composições.

Me identifiquei muito com a moça imigrante que, dadas as condições sociais, não tem oportunidade de praticar sua paixão. Enquanto ela precisa trabalhar como faxineira e vendedora de flores para sobreviver, estou dando aulas de Texto para alunos mal escolarizados. A heroína sem nome toca piano numa loja de instrumentos com a permissão do dono da loja. Eu analiso os textos dos meus alunos à procura de construções de tópico. Enquanto ela invade a vida do músico de rua para fazerem música juntos, fui a companheira que não acompanha (e viva Luiz Tatit) do moço que me despertou para o prazer intelectual da pesquisa em Linguística.

Se a necessidade é a mãe das invenções, o pé na bunda é o pai da criatividade. Tanto o moço que toca violão como a moça que toca piano estão emocionalmente em pandarecos, compondo canções lindíssimas. E aí a decisão do diretor de escolher dois músicos (e não dois atores) para os papéis principais foi muito acertada. O amor frustrado dos dois segue em pararelos próximos, mas cada um toma o seu rumo. E aí sabemos que não estamos diante de um filme de Hollywood em que "viveram felizes para sempre".

2 comentários:

Denise Quitzau Kleine disse...

Oi, Lou!
Também gostei do filme pelos mesmos motivos e, principalmente, por lembrar que a vida não é feita só de finais felizes como Hollywood apresenta.
A trilha também é muuuito bacaninha - aliás, li em algum lugar que os dois lançaram um álbum novo.
Abração e saudade de um dedo de prosa!
Denise

Mazu disse...

Vou atrás de ver! Depois te escrevo mais. beijo