sábado, 9 de maio de 2009
Commuting
Commuting: o trajeto diário entre casa e trabalho. Agora que passei uma semana pedalando entre casa e trabalho, sei onde estão as ladeiras, as contramãos malditas de 1 quadra, a feira, a ciclista-barbie que sobe ladeira com os ombros porque não tem força nas pernas; e já conheço os tempos dos faróis. Experimentei caminhos diferentes pra evitar favelas, subidonas e voltas desnecessárias. Criei um mapa mental a partir do mapa no papel e dos caminhos que percorri.
Agora que a Amarilda virou instrumento de trabalho mais eficiente que os modais "pé 2" ou ônibus, perdi o pé atrás de pedalar pelas ruas de São Paulo em horários escuros. Perdi também o medo de ter a bike roubada porque ela chama atenção. Eu tinha receio de pedalar os 7km de noite até o Campo Grande, mas experimentei ir de ônibus e achei péssimo: tenho que andar até o ponto de ônibus na Santo Amaro, esperar pelo Guacuri, entrar num ônibus lotado fedendo a cansaço, e subir a ladeira até o lugar onde dou aula. Todo esse processo demora mais de uma hora. De bicicleta são 26 minutos. Tá certo que chego descabelada e arfante, mas as secretárias têm um bom motivo pra dar risada.
Não entro em perrengues com motoristas de carros aqui em São Paulo. Não sou fechada, como era em Campinas, e quando tiram fina de mim, tenho a sensação de que eles sabem muito bem calcular as dimensões do espaço disponível. Em Campinas, eu às vezes tinha a impressão que eu era invisível para os motoristas de carro, que além de não darem seta nunca, me fechavam na maior. Outras vezes me parecia que eles tinham um ódio inexplicável de ciclistas. É assim que explico as buzinadas que eu tomava e os gritos que eu ouvia. Aqui em São Paulo o esquema é de extremos: ou eu pedalo quando tem muito pouco carro na rua, ou quando tem tanto, que todos estão praticamente parados.
Contudo, tenho umas desavenças ocasionais com motoristas de ônibus. Em Campinas, eu me sentia mais vista e respeitada pelos motoristas de ônibus que aqui. Não sei se é porque eu morava perto do terminal e pedalava constantemente entre Campinas e Barão ou se era outra coisa. Mas o fato é que aqui eu vejo como o motorista se transforma em monstro conforme nos aproximamos do ponto de ônibus. Ele não lembra que tem um pedal que serve pra frear enquanto não tiver me ultrapassado. Me passa em alta velocidade (o vento do ônibus que passa perto demais sempre me assusta) e rasga uma diagonal em direção ao ponto, pra então frear abruptamente.
Mas também há exceções. Um motorista de ônibus emparelhou comigo no farol (eu estava no corredor) no alto da ladeira e se solidarizou com a minha falta de ar. Pra me consolar, lembrou das calorias que eu estou queimando e da academia que estou economizando. Depois ainda buzinou, acenou e deu sinal, alegrando o trânsito.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Com o passado aqui presente
Primeiro foi o Paulo Punk, que reconheci no meio da multidão da Virada Cultural. O Paulo contou estórias do Rodrigo, nosso colega de faculdade, que tinha se embrenhado na Paraíba e foi afrouxando o contato comigo conforme se apaixonava por outras mulheres. Depois de algumas frustrações amorosas do moço que já tinha um sotaque pertubadoramente misturado, Rodrigo e Paulo montaram um restaurante vegano em São Paulo - e o fecharam um ano depois, concluindo que esse negócio dá trabalho e paga mal.
Depois do e-mail do Rodrigo veio um da Chris, em forma de convite de casamento. A atendente de caixa vai casar com o açougueiro, eu teria dito alguns anos atrás, mas acho que os dois trabalharam tanto tempo naquele supermercado, que já devem ter cargos altos. A Chris era mais velha que nós três, quando éramos adolescentes e detestávamos aula de química e os professores de matemática e física. Ela tinha carro e nossas mães confiavam que ela nos trouxesse pra casa cedo, não muito bêbadas.
Depois de feito o convite de casamento, a Chris me botou em contato com a Selma, que era da minha classe. A Selma me achou pelo Skype. Não reconheci a voz dela como sendo dela, mas como sendo da mãe dela: estridente. Através da câmera dela, vi uma Selma 14 anos mais velha, casada e mãe de 3 que mora na Índia e está resignada (a fase da raiva já passou). Quando terminou a graduação em Economia, não pensava que acompanharia um marido aos países em que a matéria-prima e mão-de-obra envolvidas no setor automobilístico são mais baratos, que seria mãe de tantos, que seria dona de casa que coordena empregados (plural, hein!).
Enquanto eu conversava com a Selma sobre a Kathia, nossa quarta mosqueteira e o centro de nossas atenções, eu baixava um filme indicado pelo meu irmão. Trata-se de Krabat, um livro que virou filme. Ainda tenho o livro, que passeou na família e foi resgatado pela minha mãe do ostracismo a que tinha sido condenado pela minha prima. Lembro que reli Krabat no alto da minha beliche em Barão Geraldo, relembrando a estória e a história do livro. Quem tinha me dado o livro foi o Werner, que eu voltei a ver depois de muitos anos sem contato. Werner foi a minha primeira visita extra-familiar depois que quebrei o pé. Melhor parar por aqui mesmo e deixar esse novelo enroladinho, porque eu não pretendia puxar esses fios todos e acabar escrevendo uma novela.
Todas essas reminiscências são minhas, particulares e difíceis de compartilhar, mas se quiserem ver o filme, procurem no mininova.org, que deve ter com legendas em alguma língua menos estranha que alemão.
Depois do e-mail do Rodrigo veio um da Chris, em forma de convite de casamento. A atendente de caixa vai casar com o açougueiro, eu teria dito alguns anos atrás, mas acho que os dois trabalharam tanto tempo naquele supermercado, que já devem ter cargos altos. A Chris era mais velha que nós três, quando éramos adolescentes e detestávamos aula de química e os professores de matemática e física. Ela tinha carro e nossas mães confiavam que ela nos trouxesse pra casa cedo, não muito bêbadas.
Depois de feito o convite de casamento, a Chris me botou em contato com a Selma, que era da minha classe. A Selma me achou pelo Skype. Não reconheci a voz dela como sendo dela, mas como sendo da mãe dela: estridente. Através da câmera dela, vi uma Selma 14 anos mais velha, casada e mãe de 3 que mora na Índia e está resignada (a fase da raiva já passou). Quando terminou a graduação em Economia, não pensava que acompanharia um marido aos países em que a matéria-prima e mão-de-obra envolvidas no setor automobilístico são mais baratos, que seria mãe de tantos, que seria dona de casa que coordena empregados (plural, hein!).
Enquanto eu conversava com a Selma sobre a Kathia, nossa quarta mosqueteira e o centro de nossas atenções, eu baixava um filme indicado pelo meu irmão. Trata-se de Krabat, um livro que virou filme. Ainda tenho o livro, que passeou na família e foi resgatado pela minha mãe do ostracismo a que tinha sido condenado pela minha prima. Lembro que reli Krabat no alto da minha beliche em Barão Geraldo, relembrando a estória e a história do livro. Quem tinha me dado o livro foi o Werner, que eu voltei a ver depois de muitos anos sem contato. Werner foi a minha primeira visita extra-familiar depois que quebrei o pé. Melhor parar por aqui mesmo e deixar esse novelo enroladinho, porque eu não pretendia puxar esses fios todos e acabar escrevendo uma novela.
Todas essas reminiscências são minhas, particulares e difíceis de compartilhar, mas se quiserem ver o filme, procurem no mininova.org, que deve ter com legendas em alguma língua menos estranha que alemão.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Voltinha no quarto
Bom, como a filmadora da minha câmera ainda sabe lidar com luz, filmei uma volta no meu quarto novo na casa dos 7 gatos.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Virada cultural
24 horas de atividades culturais gratuitas espalhadas pela capital. A virada começou às 18:00 do sábado, virou a noite e terminou às 18:00 do domingo. A programação era extensa demais e eu não conhecia quase nada do que tava no cardápio. Resolvi chamar os amigos e ver o que eles escolhiam.
Mas me atrasei pra ver o mesmo show que Telmo e Milena tinham planejado ver no Teatro Municipal, porque demorei pra fazer a mudança - e não tinha noção das filas. Encontrei a Maíra e o Bill e acabei conhecendo o som de Sandália de Prata. Me levaram pra ver Benito de Paula e demos boas risadas do homem que parecia não se lembrar das letras das próprias músicas, sentava no piano e tocava uma nota, ouvia até ela se acabar e tocava outra. De lá fomos ver Geraldo Azevedo, que me fez ter saudades - das boas - do Ruy. Quando tocou Taxi Lunar, me liguei que eu conhecia uma música do pernambucano sossegado.
Dia seguinte, voltei pra ver um maranhense cantar e lembrar por que chamam o Sales de Zeca Baleiro. Mesmo sem ter combinado nada com a Maíra, encontrei a moça no fim do show. Eis que, enquanto contemplamos a multidão que passa, desfila à minha frente um sujeito que parecia não ter mudado nada em 10 anos. Corri até o Paulo Punk e dei um puta abraço no moço. Ficamos rindo de alegria por um bom tempo, antes que os nossos nomes fossem pronunciados. Me espantei que ele continuava igualzinho, ao que ele explicou que tinha emagrecido 16kg nos últimos meses e cortado os rastas. Puxa vida.
Além da parte em que se bota as notícias em dia, é como se eu tivesse visto o Paulo semana passada. É como se a amizade tivesse sido suspensa por 10 anos e agora voltasse a engrenar na mesma boa e velha roda dentada. Que continue girando depois da Virada!
Mas me atrasei pra ver o mesmo show que Telmo e Milena tinham planejado ver no Teatro Municipal, porque demorei pra fazer a mudança - e não tinha noção das filas. Encontrei a Maíra e o Bill e acabei conhecendo o som de Sandália de Prata. Me levaram pra ver Benito de Paula e demos boas risadas do homem que parecia não se lembrar das letras das próprias músicas, sentava no piano e tocava uma nota, ouvia até ela se acabar e tocava outra. De lá fomos ver Geraldo Azevedo, que me fez ter saudades - das boas - do Ruy. Quando tocou Taxi Lunar, me liguei que eu conhecia uma música do pernambucano sossegado.
Dia seguinte, voltei pra ver um maranhense cantar e lembrar por que chamam o Sales de Zeca Baleiro. Mesmo sem ter combinado nada com a Maíra, encontrei a moça no fim do show. Eis que, enquanto contemplamos a multidão que passa, desfila à minha frente um sujeito que parecia não ter mudado nada em 10 anos. Corri até o Paulo Punk e dei um puta abraço no moço. Ficamos rindo de alegria por um bom tempo, antes que os nossos nomes fossem pronunciados. Me espantei que ele continuava igualzinho, ao que ele explicou que tinha emagrecido 16kg nos últimos meses e cortado os rastas. Puxa vida.
Além da parte em que se bota as notícias em dia, é como se eu tivesse visto o Paulo semana passada. É como se a amizade tivesse sido suspensa por 10 anos e agora voltasse a engrenar na mesma boa e velha roda dentada. Que continue girando depois da Virada!
domingo, 3 de maio de 2009
Casa nova
Há diferentes estratégias para se procurar um quarto numa casa/pensão/edícula. A que eu tentei primeiro foi pela internet. Existe uma comunidade chamada easyquarto que troca informações sobre moradia. Na primeira semana recebi várias ofertas e entrei em contato com muita gente. Na segunda semana a coisa foi definhando. Na terceira semana resolvi levantar a bunda da cadeira giratória e dar um giro pelas casas que alugavam quarto/vaga.
Quase fui morar em Santo Amaro, num quarto escuro e pequeno, dividindo a casa com outras moças e um poodle. Não topei de cara porque detesto cachorro. O defeito que a Olga, muito mais esperta que eu, viu ali foi a localização: a 4 quadras do Largo 13. Bom, tenho 14 anos de Largo 13 nas costas, mas eu não pedalava por ali, é bom lembrar.
Outra estratégia pra procurar moradia é comprando o jornal chamado Banco Imobiliário. Custa R$ 1,50 e tem em todas as bancas. Tem uma seção de 'repúblicas e comunidades', que é o que me interessava. Liguei prum senhor surdo e com início de demência que me deu o endereço e pediu pra eu ligar antes de apaprecer lá. No dia seguinte liguei, e ele disse no telefone que não alugava pra moças, só pra homem. Nem me deu tempo de explicar que eu tinha conversado com ele na noite anterior. Como eu já tava ligada na fraqueza do cara, fui lá. Afinal de contas, ele tava em casa. Era uma vitrine de alfaiate e imagino que os quartos ficassem nos fundos. Ele era todo miúdo, barba por fazer, cheiro de incontinência e ar cansado. Disse que era pra eu voltar de tarde, porque tava quase fechando com um moço.
Quando comprei o jornal na outra semana, o anúncio dele continuava lá. O engraçado desse jornal é que as pessoas que oferecem quarto em suas casas querem ver comprovante de renda, carta de recomendação e documentação de seus inquilinos. Muitos anunciam que só aceitam moças de fino trato, de respeito e responsáveis. Vai saber o que querem...
A estratégia mais eficiente - conforme aprendi - é andar no bairro e conversar com o guarda, jornaleiro, jardineiro e faxineira. Se pá o guarda (jornaleiro, jardineiro, faxineira etc.) recebe uma caixinha pra encaminhar pessoas que perguntam. Foi assim que Olga e eu deixamos o telefone com o guarda e recebemos ligação do italiano na manhã seguinte. Fomos as duas na casa mais antiga do bairro, pra ver o que ele tinha pra oferecer. Um senhor baixinho, de mais de 65 anos, sem camisa e com um cachimbo na boca abriu a porta todo serelepe. Fui cheirada por seus 3 cachorros e quase caí pra trás quando vi o quartinho: todo em cimento cru, teto baixo, sem nada além das paredes. Nos deu um saco cheio de maracujá e ficou na torcida pra eu voltar no dia seguinte. Mas 3 cachorros e um italiano facista é demais pra mim.
Saindo da casa dele, andamos duas quadras e paramos na esquina, pra conversar com o guarda. Peraí, que tem a mulher que mora sozinha aqui. Simpatizei com tudo logo de cara: a casa é grande, a dona é gente boa, o quarto é na casa e não preciso arranjar geladeira, fogão, telefone celular e essas coisas. E tem gato. São sete. A casa dos 7 gatos. Ainda não vi todos, porque eles ficam na casa e a Monica tem mó medo que eles saiam. Isso gera uma certa nóia com portas e janelas, mas dá pra encarar. Olhando pra fora de uma janela do meu quarto, vejo tudo verde. O pé de nêsperas (Ameschen no Rio Grande do Sul) está em flor, as castanhas (Kastanien) são bolas de espinhos verdes, o pé de manga está com algumas folhas avermelhadas (é outono aqui) e as outras árvores eu não sei nomear. Pena que a minha máquina fotográfica se cansou de fazer seu trabalho... Aí eu podia mostrar um pouquinho da minha felicidade.
Quase fui morar em Santo Amaro, num quarto escuro e pequeno, dividindo a casa com outras moças e um poodle. Não topei de cara porque detesto cachorro. O defeito que a Olga, muito mais esperta que eu, viu ali foi a localização: a 4 quadras do Largo 13. Bom, tenho 14 anos de Largo 13 nas costas, mas eu não pedalava por ali, é bom lembrar.
Outra estratégia pra procurar moradia é comprando o jornal chamado Banco Imobiliário. Custa R$ 1,50 e tem em todas as bancas. Tem uma seção de 'repúblicas e comunidades', que é o que me interessava. Liguei prum senhor surdo e com início de demência que me deu o endereço e pediu pra eu ligar antes de apaprecer lá. No dia seguinte liguei, e ele disse no telefone que não alugava pra moças, só pra homem. Nem me deu tempo de explicar que eu tinha conversado com ele na noite anterior. Como eu já tava ligada na fraqueza do cara, fui lá. Afinal de contas, ele tava em casa. Era uma vitrine de alfaiate e imagino que os quartos ficassem nos fundos. Ele era todo miúdo, barba por fazer, cheiro de incontinência e ar cansado. Disse que era pra eu voltar de tarde, porque tava quase fechando com um moço.
Quando comprei o jornal na outra semana, o anúncio dele continuava lá. O engraçado desse jornal é que as pessoas que oferecem quarto em suas casas querem ver comprovante de renda, carta de recomendação e documentação de seus inquilinos. Muitos anunciam que só aceitam moças de fino trato, de respeito e responsáveis. Vai saber o que querem...
A estratégia mais eficiente - conforme aprendi - é andar no bairro e conversar com o guarda, jornaleiro, jardineiro e faxineira. Se pá o guarda (jornaleiro, jardineiro, faxineira etc.) recebe uma caixinha pra encaminhar pessoas que perguntam. Foi assim que Olga e eu deixamos o telefone com o guarda e recebemos ligação do italiano na manhã seguinte. Fomos as duas na casa mais antiga do bairro, pra ver o que ele tinha pra oferecer. Um senhor baixinho, de mais de 65 anos, sem camisa e com um cachimbo na boca abriu a porta todo serelepe. Fui cheirada por seus 3 cachorros e quase caí pra trás quando vi o quartinho: todo em cimento cru, teto baixo, sem nada além das paredes. Nos deu um saco cheio de maracujá e ficou na torcida pra eu voltar no dia seguinte. Mas 3 cachorros e um italiano facista é demais pra mim.
Saindo da casa dele, andamos duas quadras e paramos na esquina, pra conversar com o guarda. Peraí, que tem a mulher que mora sozinha aqui. Simpatizei com tudo logo de cara: a casa é grande, a dona é gente boa, o quarto é na casa e não preciso arranjar geladeira, fogão, telefone celular e essas coisas. E tem gato. São sete. A casa dos 7 gatos. Ainda não vi todos, porque eles ficam na casa e a Monica tem mó medo que eles saiam. Isso gera uma certa nóia com portas e janelas, mas dá pra encarar. Olhando pra fora de uma janela do meu quarto, vejo tudo verde. O pé de nêsperas (Ameschen no Rio Grande do Sul) está em flor, as castanhas (Kastanien) são bolas de espinhos verdes, o pé de manga está com algumas folhas avermelhadas (é outono aqui) e as outras árvores eu não sei nomear. Pena que a minha máquina fotográfica se cansou de fazer seu trabalho... Aí eu podia mostrar um pouquinho da minha felicidade.
Filatelistas escondidos
Eu não vou levar os meus dois álbuns de selos pra Rondônia. A coleção foi iniciada em meados dos anos 80 e parou quando os álbuns ficaram cheios. Desde que mudei pra Campinas não recortei mais nenhum envelope, não fervi mais água pra tirar a cola do selo, não usei mais a pinça pra manusear papel e não sento mais na mesa com duas bacias de água (uma quente e outra fria).
Levei a minha coleção pra ser avaliada, e a mulher me disse que os álbuns, alemães, valiam mais que os selos. Não havia raridades ou selos caros perdidos no meio dos selos comuns e não tinha coleções completas nem selos comemorativos. Ofereci os selos e álbuns pra avaliadora por metade do valor que ela tinha cantado, mas ela não quis comprar a minha 'coleção de criança'. Fui em outros clubes de filatelia e me ofereceram tão pouco, que me senti diminuída. Perguntei pras pessoas se não conheciam filatelistas iniciantes que poderiam ser agraciados pelos meus quase 3 mil selos.
Ofereci os selos e álbuns no freecycle, e na mesma noite quase 20 pessoas reagiram ao meu anúncio com muitos verbos modais, adjetivos no superlativo e sentenças em tom implorativo. Não foi fácil escolher uma pessoa, porque as estórias eram muito variadas: minha filha está começando a colecionar; meu sobrinho precisa de um incentivo; eu estou no nível em que as pessoas compram catálogos; sou colecionador há anos; ganhei selos japoneses do meu avô etc, etc, etc. Escolhi um cara de nome diferente.
Como o freecycle funciona com moderador, o e-mail que eu mandei pra lista avisando que eu já tinha escolhido alguém só chegou depois que mais 9 pessoas me escreveram cartas de recomendação. Ahá, aqui estão os filatelistas!!! Foi uma surpresa ver tanta gente querendo os meus selos.
Levei a minha coleção pra ser avaliada, e a mulher me disse que os álbuns, alemães, valiam mais que os selos. Não havia raridades ou selos caros perdidos no meio dos selos comuns e não tinha coleções completas nem selos comemorativos. Ofereci os selos e álbuns pra avaliadora por metade do valor que ela tinha cantado, mas ela não quis comprar a minha 'coleção de criança'. Fui em outros clubes de filatelia e me ofereceram tão pouco, que me senti diminuída. Perguntei pras pessoas se não conheciam filatelistas iniciantes que poderiam ser agraciados pelos meus quase 3 mil selos.
Ofereci os selos e álbuns no freecycle, e na mesma noite quase 20 pessoas reagiram ao meu anúncio com muitos verbos modais, adjetivos no superlativo e sentenças em tom implorativo. Não foi fácil escolher uma pessoa, porque as estórias eram muito variadas: minha filha está começando a colecionar; meu sobrinho precisa de um incentivo; eu estou no nível em que as pessoas compram catálogos; sou colecionador há anos; ganhei selos japoneses do meu avô etc, etc, etc. Escolhi um cara de nome diferente.
Como o freecycle funciona com moderador, o e-mail que eu mandei pra lista avisando que eu já tinha escolhido alguém só chegou depois que mais 9 pessoas me escreveram cartas de recomendação. Ahá, aqui estão os filatelistas!!! Foi uma surpresa ver tanta gente querendo os meus selos.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Armadura de ciclista
Seguindo a dica do Willian Cruz, do Vá de bike, passei uns dias lendo todas as tiras de Yehuda Moon: bicycle comics. Recomendo que se leia do início aos dias atuais, porque muitas tiras são parte de uma estória mais longa - e militante.
Vou usar algumas tiras aqui, porque me identifiquei com elas. Como eram pequenas, resolvi transcrever o texto. Pra facilitar, traduzi tudo direto.
- Você devia pensar em usar roupas cor de laranja, porque é a cor que os motoristas identificam mais facilmente.
- É pra sua segurança.
- Onde é que eu tava com a cabeça quando vesti roupas verdes de manhã, Fizz?
- A gente tem que usar roupas cor de laranja todo dia?
- Eu quero começar a pedalar para o trabalho, e preciso de umas roupas de ciclista.
- Qual é a distância até o teu trabalho?
- 4,8 quilômetros.
- Aposto que você pode ir com as suas roupas normais de trabalho. Só amarra esse velcro na barra da tua calça.
- Só isso?
- Você quer pedalar fantasiado ou pedalar para o trabalho?
Vou usar algumas tiras aqui, porque me identifiquei com elas. Como eram pequenas, resolvi transcrever o texto. Pra facilitar, traduzi tudo direto.
- Você devia pensar em usar roupas cor de laranja, porque é a cor que os motoristas identificam mais facilmente. - É pra sua segurança.
- Onde é que eu tava com a cabeça quando vesti roupas verdes de manhã, Fizz?
- A gente tem que usar roupas cor de laranja todo dia?
- Eu quero começar a pedalar para o trabalho, e preciso de umas roupas de ciclista.- Qual é a distância até o teu trabalho?
- 4,8 quilômetros.
- Aposto que você pode ir com as suas roupas normais de trabalho. Só amarra esse velcro na barra da tua calça.
- Só isso?
- Você quer pedalar fantasiado ou pedalar para o trabalho?
- [grunhido]
- Cê tá treinando? Te vi andando pra cima e pra baixo na praça e- ... okay.
- Não permita que eu te segure! Você vai recuperar esses segundos perdidos, força aí!
- Eu não ia querer que você se atrasasse pro seu encontro de super heróis! Por que é que eu faço isso...
- Quem é você?
- Joe, sou eu, Reginaldo - ah, desculpa, peraí.
- Hey, cara. Não te reconheci.
- Tudo bem. Te vejo por aí.
- Rapaz, a vida é dura.
- Mulherona, cadê sua bicicleta?
- Eu tô usando ele - é um capacete mágico. Ele é invisível.
- Eu também quero um capacete mágico.
- Não aqui. Você decide se quer usar capacete.
- Capacetes são indicados quando você pedala em situações extremas ou arriscadas. Tipo competições ou manobras radicais. Agora: fazer compras é uma situação extrema ou arriscada?
- Se você me perguntar, eu acho que sempre que tiver carro na parada, você deve usar capacete. Por que não tentar eliminar o risco?
- Hm.
- O que há de errado com você?
- É um problema dos carros, Joe. Por que forçar os ciclistas a remediarem a situação com um chapéu de isopor?
- Não, querido.
- Tem muitos carros na rua, não é seguro.
- Aaaaaaaaaaah...
- A maioria dos motoristas dirigindo nessa hora do dia são pais levando seus filhos pra escola...
- E daí?
- E daí?
- Pois então.
Esses quadrinhos todos mostram como usar a bicicleta pode ser uma coisa simples. O ciclista não precisa necessariamente se armar (usando roupas claras, capacete, cotoveleira, caneleira e o caramba) para pedalar, se os motoristas souberem compartilhar a via com veículos mais lentos e menos espaçosos.
Esses quadrinhos todos mostram como usar a bicicleta pode ser uma coisa simples. O ciclista não precisa necessariamente se armar (usando roupas claras, capacete, cotoveleira, caneleira e o caramba) para pedalar, se os motoristas souberem compartilhar a via com veículos mais lentos e menos espaçosos.
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Quando eu morava em Barão Geraldo, onde as ruas são tranqüilas e é normal que as pessoas pedalem por aí, me envolvi em 4 acidentes de bicicleta. Daqueles de eu cair no chão mesmo. Três envolveram carros, um envolveu dois pedestres. Um (carro) fui eu que provoquei, admito; outro (pedestre) teve como causa a falta de manutenção da bicicleta (mas se os pedestres não estivessem caminhando pela ciclovia, eu não teria atropelado um deles). Sobram dois acidentes com carro por culpa do motorista. Na primeira colisão, a motorista não me viu. Foi fazer a curva e não reparou que havia uma pessoa numa bicicleta à frente - do lado - que barulho foi isso? - no chão. Na segunda colisão, o motorista era um cinqüentão que tinha recém-tirado carta. Me viu, mas não soube reagir em tempo: imperícia. Depois do primeiro acidente entrei prum grupo de ciclistas e passei a usar o capacete regularmente - para ser vista no trânsito.
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Depois de um ano de Holanda, não uso mais capacete. Tá bom, quando pego a estrada ou pedalo com gente que usa capacete, eu ponho o meu na cabeça. De resto, deixo ele lá, num canto escuro, juntando pó. Não é porque amassa o cabelo, estraga o penteado ou coisa do gênero. É porque eu confio que sou vista pelos motoristas e respeitada por eles. Na Holanda, três categorias de pessoas usam capacete: speedeiros, crianças e turistas. O trânsito em geral é mais calmo (lento e atento) lá. As ciclovias não são garantia de ausência de acidentes, pelo contrário: vi três acidentes de carro com bicicleta em um ano em Nijmegen. Todos em cruzamentos da via com a ciclovia.
Em suma, eu sou a favor da educação para o trânsito. Tanto de motoristas como de ciclistas.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Abutre
Semana passada havia uma nota de falecimento no site da Unir. Roberto Carlos Farias, professor do departamento de Línguas Vernáculas não sobreviveu a uma cirurgia do coração. Na carta escrita pelo DCE, descobri que o homem tinha sido do movimento estudantil, do partido e da luta. Não consegui descobrir de quê ele deu aula na Unir (se de Literatura Portuguesa/ Brasileira ou de Lingüística), mas descobri que ele não tinha cadastro no Lattes. Isso me preocupou (qual docente-pesquisador brasileiro não está no Lattes?) e procurei saber qual tinha sido a categoria dele (adjunto, assistente ou auxiliar, que estão em faixas salariais muito diferentes). Ele tinha sido assistente, ou seja, uma pessoa que tem uma especialização, mas nenhum mestrado ou doutorado. O salário de um assistente equivale a um terço do que será o meu (adjunto), quando/se eu for finalmente contratada.Chequei os editais de outros concursos pra docente na Unir e verifiquei que eu sou a única aprovada para o departamento de Vernáculas em Porto Velho que eles podem chamar pra preencher a lacuna do professor falecido. Mas não me chamaram. Durante toda essa semana me senti como um abutre esperando o morto esfriar, pra ligar na Unir e perguntar quando vão me contratar. Mas não me chamaram e a esperança foi minguando. Lembrei que serei contratada pela UAB (Universidade Aberta do Brasil, que faz ensino à distância) pra trabalhar na Unir e no computador. Então, no final das contas, não importa quanto ele ganhava ou de quê ele dava aula, porque não é a Unir que me contrata, mas a UAB.
Esperanças adiadas pro segundo semestre!
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Madrugada
Saí de casa antes das 6:00, pedalei os 12 km até a Berrini em 35 minutos, numa velocidade média de 20km/h. Vi o dia clareando no Alto da Boa Vista e desliguei os faróis na Vereador José Diniz. Cheguei lá no prédio em que fica a Samsung e identifiquei a Torre Oeste. Perguntei pro segurança de moto onde eu podia colocar a minha bicicleta. Segundo Subsolo. Não pode prender num poste ou numa árvore? Não, se você prender aí, a sua bike vai ser confiscada. O segurança de moto que conversava com ele disse que me levava lá. Tentei seguir a moto no tempo da moto, mas ficava pra trás nas curvas.
O bicicletário era do tipo que engancha a bike e pendura ela pela roda da frente. O ruim desse jeito de guardar a bicicleta é que não dá pra prender ela a nada, tem que levantar a bichinha e depois descer a coitada. Não paguei estacionamento, ao contrário de todos os outros, mas também não tive a certeza de que a minha bicicleta estava segura.
Não acho que pedalar de madrugada tenha sido desgastante. Ao contrário, tinha poucos carros na rua, portanto não respirei muita poluição nem me assustei com as finas que tiram de mim. A volta foi cansativa: calor, muitos carros, buzinas, acelerador fazendo pressão, vidros pretos.
sábado, 25 de abril de 2009
Whimsical
Ando folheando muitas revistas à procura de material didático pras minhas aulas. Eis que me deparo com essa propaganda. Não entendi se a moça e o carro fazem propaganda pra Volkswagen, ou se a moça com cara de nada rasgando a lista telefônica faz propaganda contra listas telefônicas, completamente independente do carro na outra página. O texto em cima do carro não ajuda: Novo Gol. Lindo como nunca. Gol como sempre. Nenhuma dessas palavras - não ser 'lindo' tem qualquer ligação com a moça que nem se despenteia ao rasgar a lista telefônica (você já tentou rasgar tanto papel de uma vez? Tente, pra ver como vai se descabelar). Bom, talvez eu esteja fazendo um grande esforço para interpretar a junção dessas imagens pra veicular uma só idéia, quando uma não tem nada a ver com a outra. Já me aconteceu de eu ler um livro de contos, achando que se tratava de um romance. Fiz ginástica mental: tracei ligações acrobáticas e equilibrei conexões efêmeras entre um conto e outro, achando que estava tecendo uma trama narrativa. Eram contos independentes um do outro.
Mas se alguém entendeu a propaganda, por favor me avise.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
O caminho
Dormimos no Bairro da Serra, onde tem os mais variados tipos de pousadas, oferecendo diferentes graus de conforto, a preços cambiantes. Conversamos bastante com o Jura, o cara que organiza passeios, guias, aluguel de equipamento (capacete, lanterna etc.) e conversa com a mídia. Percebemos que um passeio na caverna Santana com um grupo de 6 sairia mais caro que o pernoite com café da manhã. Pra economizar, decidimos passar o dia viajando, ao invés de ver cavernas.
Não pegaríamos a BR, por causa da volta do feriadão, então decidimos voltar por Eldorado, pegar a estradinha a Sete Barras, margeando o Ribeira, passar em Juquiá, subir a serra por Tapiraí e vir a São Paulo por Piedade, Ibiúna, Cotia, Raposo Tavares.
Como passamos o dia todo no carro, e eu a maior parte atrás do volante, é o caminho que mais me marcou. Entre Eldorado e Sete Barras há um pequeno trecho em obras.

A subida da serra é agradável, até mesmo prazerosa. Muitas curvas suaves, pista projetada direitinho, asfalto novo e bem sinalizado, paisagem de um verde exuberante e pouco movimento. Ruim mesmo começa a ficar depois de Piedade, a caminho de Ibiúna. Curvas em forma de cotovelo, sobe e desce, pista desgastada nas beiradas e gente colando na traseira fazem com que a motorista fique levemente estressada. Na Raposo, então, piorou. Paisagem cinza, pouco espaço, impossibilidade de respeitar o limite de velocidade indicado nas placas, porque tem muita gente pressionando.
Não pegaríamos a BR, por causa da volta do feriadão, então decidimos voltar por Eldorado, pegar a estradinha a Sete Barras, margeando o Ribeira, passar em Juquiá, subir a serra por Tapiraí e vir a São Paulo por Piedade, Ibiúna, Cotia, Raposo Tavares.
Como passamos o dia todo no carro, e eu a maior parte atrás do volante, é o caminho que mais me marcou. Entre Eldorado e Sete Barras há um pequeno trecho em obras.
A subida da serra é agradável, até mesmo prazerosa. Muitas curvas suaves, pista projetada direitinho, asfalto novo e bem sinalizado, paisagem de um verde exuberante e pouco movimento. Ruim mesmo começa a ficar depois de Piedade, a caminho de Ibiúna. Curvas em forma de cotovelo, sobe e desce, pista desgastada nas beiradas e gente colando na traseira fazem com que a motorista fique levemente estressada. Na Raposo, então, piorou. Paisagem cinza, pouco espaço, impossibilidade de respeitar o limite de velocidade indicado nas placas, porque tem muita gente pressionando. Mas valeu pelo Vale do Ribeira e seus quilombos, cavernas e serras, sol e chuva.
Cachoeira
Caverna do Diabo
Acompanhamos o rio Ribeira por um bom pedaço e, seguindo as placas, chegamos na Caverna do Diabo. Depois de ter sido fechada pelo Ibama nessa mesma época do ano passado, algumas regras de preservação mudaram/entraram em vigor: só se entra com guia (que está esperando na entrada da caverna e custa R$ 8,-); só se entra com sapato fechado (nada de sandália ou chinelo, mas se você for pego de surpresa, tem aluguel de sapatos a R$ 2,- o par); a iluminação da caverna é apenas suficiente para que o visitante possa admirá-la.
Houve um tempo em que a iluminação era tão forte, que alguns seres vivos começaram a fazer a fotossíntese, alterando completamente o ecossistema da caverna.
Quando não havia controle dos guias sobre a população visitante, a galera levava lascas de calcário, depredando estalactites, estalagmites e essas coisas aí que custam milhares de anos pra se formar. O pior é que, fora da caverna e do ambiente frio e úmido, a peça roubada se desfaz em areia. Deve ser interpretado como castigo da caverna mutilada.Feriadão
sábado, 18 de abril de 2009
Admirável mundo novo
Bolei um anúncio de revisão de textos acadêmicos, elaboração de abstract e versão para inglês de artigos - que são coisas com as quais eu tenho uma certa experiência. Fiz xerox dos anúncios, recortei 120 flyers e comprei durex. Onde colocar esses anúncios? Em murais de lugares onde há universitários.Fui no Centro Cultural Vergueiro, porque lembro que nos meus tempos de USP eu passava muitas horas lá, fazendo trabalho em grupo. Não havia nenhum mural, o que a moça da Central de Atendimento confirmou.
Atravessei a rua e entrei no prédio-referência-espacial da Unip. Portas de vidro escuro se abriram automaticamente. À minha frente, um hall vazio e uma barreira de catracas. Conversei com a pessoa no balcão, que me disse que os meus anúncios precisavam ser autorizados primeiro. Se fossem liberados, a própria Unip os pregaria nos murais da faculdade. Dei uns 10 pra moça.
Na Av. Paulista eu entrei na Anhembi-Morumbi. Como eu temia que ali só houvesse cursos de exatas (cujos trabalhos eu não quero revisar por pura incompetência minha), perguntei na recepção que cursos tinha ali. Ai... dá uma olhada ali nos panfletos. Identifiquei Letras e outras coisas mais de humanas e expliquei que eu queria poder afixar anúncios em murais. O segurança abriu uma portinha ao lado da fileira de catracas e eu subi até o mezanino, onde ficava a central de informações. A moça me disse que só poderia afixar os meus anúncios com autorização do departamento de Marketing. Onde é? Na Vila Olímpia.
Na Puc não havia catracas, mas 4 seguranças de terno e gravata. Mas não me barraram. Os meus anúncios no mural da cantina eram os únicos sem carimbo. É até possível que já não estejam mais lá.
No Mackenzie eu fiquei deslumbrada. É muito maior que eu podia imaginar e é o mais próximo de uma universidade-como-a-conheço dentre as particulares que tinha visitado. Não consegui identificar vários prédios, e pra evitar de colocar o meu anúncio na Arquitetura ou Física, me restringi ao xerox. Descobri que as Letras (e Jornalismo) ficavam fora do campus, no prédio novo. É um prédio. Você entra no elevador, aperta um botão e sai num corredor pequeno que dá acesso a algumas salas de aula. Não tem nenhuma indicação que distingue Jornalismo de Letras, não tem bancos pra sentar, não tem murais. Num andar tem uma cantina, mas nem isso é indicado no elevador.
Tive a clara sensação de que as universidades particulares que visitei nessa tarde são empresas que, por mera coincidência, vendem cursos superiores. Tanto é que quem autoriza a afixação de anúncios nos murais da Anhembi-Morumbi é o departamento de Marketing. Se não há catracas impedindo a entrada de não-alunos, há seguranças controlando. A Anhembi-Morumbi, Unip e Letras & Jornalismo do Mackenzie eram um prédio, não um campus. Por mais que tenha diferentes cursos, cantinas, xerox e bibliotecas, a pessoa não passeia pela universidade. A pessoa aperta o botão do elevador do andar que interessa, e lá, naquele andar, há salas de aula. Não tem bandejão, mas praça de alimentação que mais parece shopping. Não tem gramado pra deitar no sol, banco embaixo das árvores pra ler na sombra, música pra ouvir ou filmes/exposições pra ver.
Não sei se a comparação é justa, mas vejo as universidades particulares como restaurantes de fast food e as universidades públicas como toda sorte de bandejões. Restaurantes de fast food são padronizados, já os bandejões são altamente variados, dependendo da gestão local, do público, instituto, universidade, país. Não é do interesse dos restaurantes de fast food adaptar-se aos interesses dos consumidores, porque sempre haverá consumidores que pagam para ter um produto rápido, fácil, seguro e limpo.
Dei uma olhada nos cursos de pós que a Unip e Anhembi-Morumbi oferecem. Strictu senso, a Unip oferece mestrado em 5 cursos (administração, comunicação, engenharia de produção, medicina veterinária e odontologia) e doutorado em 1 (engenharia de produção). A Anhembi-Morumbi só oferece 3 cursos de mestrado (hospitalidade (!), design e comunicação) e nenhum doutorado. A pesquisa (e provavelmente extensão também) é muito fraca das pernas nessas duas universidades (e provavelmente nas outras não é muito diferente), porque não é do interesse dos restaurantes de fast food ensinar suas receitas. Interessa ter lucro e gerar lucro, atrelando os cursos de pós ao mercado, não à pesquisa. A comida do bandejão pode não ser boa todo dia, mas é balanceada: tem tudo o que uma pessoa precisa.
O produto final de um curso de pós na universidade pública não é um estágio numa empresa, um emprego numa multinacional ou uma chance no mercado. É conhecimento. Apesar dos cursos de pós serem altamente específicos, a pessoa sai dela com os seus conhecimentos ampliados, porque passeou pelo campus, interagiu com pessoas de outros cursos, vagou por outros institutos, fez matérias em outras faculdades, se deu o direito de estudar coisas paralelas por prazer. A pessoa que sai de uma pós na universidade pública teve tempo para tomar gosto pelos estudos e descobriu o prazer de produzir e compartilhar conhecimento.
Mas tudo isso são especulações. Afinal, só tive contato direto e imediato com algumas poucas universidades particulares nessa tarde em que tentei fazer propaganda dos meus serviços de revisão de texto.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Passeios de bicicleta
Semana passada fui pedalar de noite com um grupo que se encontra no Parque das bicicletas, perto do Ibirapuera. Só pra chegar até lá já foram 10km. O fato de eu ser a única sem capacete foi motivo pra estórias de acidentes, recomendações e cobranças.
Fizemos o centro, atravessamos uma ponte sobre o Tietê, demos uma voltinha na zona norte e atravessamos outra ponte. Os homens me diziam: Cê pedala bem! Eu respondia: eu sei. As mulheres me perguntavam se eu tava inteira. Acho que era inveja.
Se não me engano, foi na Braz Leme. Apontei pro canteiro central e perguntei: aquilo é uma ciclovia? É. Não perguntei por que não estamos nela. Também não reclamei de pedalar na calçada no centrão, de quase não parar em nenhum farol vermelho, de pedalar do lado esquerdo da rua, de andar na contramão ou de pedalar em bloquinhos de 3 ou mais emparelhados que ocupam uma faixa inteira. Pedalar com um grupo significa preocupar-se em manter o grupo coeso, não necessariamente respeitar as leis de trânsito.
Comemos o melhor pernil no sanduba de São Paulo e subimos a Augusta inteira. Quando perguntei se alguém ali ia pra Interlagos, todos ficaram alarmados: Cê vai pedalando pra Interlagos? Uai! Foram 60km rodados naquela noite e cheguei em casa depois da meia-noite. Ainda tomei banho e fiz alongamento. Desliguei a luz às 2 da madrugada.
Ontem voltei lá, vestida de ciclista: capacete, calça comprida apertada, blusa de manga comprida com bolsos nas costas: tava frio. Um cara que tinha me visto na semana anterior perguntou se eu tinha comprado todo o equipamento pra pedalar com eles. Não, querido. Outro cara olhou pras duas correntes que uso pra prender a bicicleta e disse que eu carregava muito peso. Bicicleta pra mim é meio de transporte, filho.
Subimos a Rua Paraíso, que dá na Vergueiro. É uma subida cruel: longa e com diferentes graus de inclinação. Cheguei depois dos dez primeiros, que estavam de olho em quem subia – e como: pedalando ou empurrando, de cabeça erguida ou se derramando pela bicicleta. Quando me viram, ouvi: ela pedala bem.
Dois pneus furaram, e o grupo todo esperou (na rua, ocupando uma faixa) até que a câmara fosse trocada. Novamente o grupo todo pedalou pela calçada, contramão, em bloco e não parou no farol. Como dessa vez o grupo era maior, chegamos a atrapalhar o trânsito.
Paramos na frente de um restaurante árabe no Paraíso. Não entrei, porque ouvi um cara dizendo que ia pra Chácara Flora. Quis aproveitar a carona e seguimos pela Vergueiro, Domingos de Moraes, Jabaquara e contornamos o aeroporto num festival de subidas e descidas exageradas. No total, foram “só” 46 km rodados, mas com muito desnível.
Enfim, pedalar em grupo é legal pra conhecer gente, dar risada, fazer força e se sentir parte de um grupo. Mas eu me sinto mal quando atravesso o farol vermelho, segurando os motoristas que avançam no verde. Minha consciência pesa quando pedalo pela contramão ou calçada. E mesmo que seja de noite e haja pouco trânsito, não acho legal ver os ciclistas ocupando a rua toda, impedindo a passagem de qualquer um.
Fizemos o centro, atravessamos uma ponte sobre o Tietê, demos uma voltinha na zona norte e atravessamos outra ponte. Os homens me diziam: Cê pedala bem! Eu respondia: eu sei. As mulheres me perguntavam se eu tava inteira. Acho que era inveja.
Se não me engano, foi na Braz Leme. Apontei pro canteiro central e perguntei: aquilo é uma ciclovia? É. Não perguntei por que não estamos nela. Também não reclamei de pedalar na calçada no centrão, de quase não parar em nenhum farol vermelho, de pedalar do lado esquerdo da rua, de andar na contramão ou de pedalar em bloquinhos de 3 ou mais emparelhados que ocupam uma faixa inteira. Pedalar com um grupo significa preocupar-se em manter o grupo coeso, não necessariamente respeitar as leis de trânsito.
Comemos o melhor pernil no sanduba de São Paulo e subimos a Augusta inteira. Quando perguntei se alguém ali ia pra Interlagos, todos ficaram alarmados: Cê vai pedalando pra Interlagos? Uai! Foram 60km rodados naquela noite e cheguei em casa depois da meia-noite. Ainda tomei banho e fiz alongamento. Desliguei a luz às 2 da madrugada.
Ontem voltei lá, vestida de ciclista: capacete, calça comprida apertada, blusa de manga comprida com bolsos nas costas: tava frio. Um cara que tinha me visto na semana anterior perguntou se eu tinha comprado todo o equipamento pra pedalar com eles. Não, querido. Outro cara olhou pras duas correntes que uso pra prender a bicicleta e disse que eu carregava muito peso. Bicicleta pra mim é meio de transporte, filho.
Subimos a Rua Paraíso, que dá na Vergueiro. É uma subida cruel: longa e com diferentes graus de inclinação. Cheguei depois dos dez primeiros, que estavam de olho em quem subia – e como: pedalando ou empurrando, de cabeça erguida ou se derramando pela bicicleta. Quando me viram, ouvi: ela pedala bem.
Dois pneus furaram, e o grupo todo esperou (na rua, ocupando uma faixa) até que a câmara fosse trocada. Novamente o grupo todo pedalou pela calçada, contramão, em bloco e não parou no farol. Como dessa vez o grupo era maior, chegamos a atrapalhar o trânsito.
Paramos na frente de um restaurante árabe no Paraíso. Não entrei, porque ouvi um cara dizendo que ia pra Chácara Flora. Quis aproveitar a carona e seguimos pela Vergueiro, Domingos de Moraes, Jabaquara e contornamos o aeroporto num festival de subidas e descidas exageradas. No total, foram “só” 46 km rodados, mas com muito desnível.
Enfim, pedalar em grupo é legal pra conhecer gente, dar risada, fazer força e se sentir parte de um grupo. Mas eu me sinto mal quando atravesso o farol vermelho, segurando os motoristas que avançam no verde. Minha consciência pesa quando pedalo pela contramão ou calçada. E mesmo que seja de noite e haja pouco trânsito, não acho legal ver os ciclistas ocupando a rua toda, impedindo a passagem de qualquer um.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Teste de emprego

Eu sabia que havia vários candidatos, mas não imaginava que outras 3 mocinhas fariam o teste ao mesmo tempo que eu. Por algum motivo infundado, imaginei que o horário das 11:00 tinha sido reservado à minha pessoa, exclusivamente.
Outra surpresa foi ter que responder à mulher do RH que eu tinha graduação na USP e mestrado e doutorado pela Unicamp, quando eu já tinha mandado o meu currículo pra ela.
O teste consistia em 3 folhas de questões de vestibular (com fonte e tudo: FUVEST, ITA e o caramba). A primeira questão que me intrigou foi: Assinale as palavras grafadas incorretamente segundo a nova reforma ortográfica. Esperando ver hífens, acentos e tremas obsoletos, me deparei com 'desinterias' (é disenteria, e eu errei!!!!), 'obsceções' e 'paralizações'. Perguntei se era pra assinalar todos os erros ortográficos ou só aqueles afetados pela reforma. A mulher do RH disse que eu tava fazendo certinho. Retruquei que, afinal de contas, um revisor em exercício teria sempre ao alcance um bom dicionário. Sorriso reticente.
A segunda questão que me aborreceu foi uma em que era pra responder sobre um texto em que o autor tinha usado a palavra ‘sentido’ com 3 significados diferentes. A) o que fez o autor? B) o trocadilho que o autor fez... Pôxa, perguntas formuladas assim testam a minha inteligência, esperteza ou conhecimento acumulado?
A terceira pergunta que me revirou as tripas foi uma em que tínhamos que escrever sobre mais um texto poético em que o autor afirma que é melhor falar que escrever, porque é falando que a gente se entende. Blá blá blá ele não tinha acento e eu fiquei circunflexo. A) qual a ironia do texto? Bom, a ironia está no fato de que, quando dizemos ‘acento’ e ‘assento’, o som é o mesmo, mas a grafia e o significado são diferentes. B) qual o outro significado de ‘circunflexo’? Veja bem, trata-se de um termo usado em gramática, e todo termo, por ser específico de um campo de conhecimento, só tem um significado.
A última questão que fez eu me sentir muito estúpida era assim: havia duas versões de um mesmo texto, lado a lado. A versão da esquerda continha uns erros ortográficos, a da direita estava livre deles. Minha função era comparar as duas versões e apontar os erros. Se tivesse alguém cronometrando o tempo que eu preciso para achar erros e conferir se de fato são erros, tudo bem, mas a mulher do RH nos havia abandonado quando estávamos na segunda questão.
Fui a primeira a terminar e deixei na sala 3 meninas tensas, conferindo rascunho, passando a limpo, pensando muito. A mulher do RH tinha informado que naquela mesma tarde informaria por e-mail quem tinha passado para a segunda fase do processo seletivo. Segunda fase?
Desconfio que fui muito insolente nas respostas ao teste e com a mulher do RH, porque não recebi mais nenhum e-mail de lá.
Percebo que o que eles esperam de um revisor do seu material didático não é alguém que pensa com o texto, nos alunos e no que eles estão aprendendo. Querem alguém capaz de verificar a maquiagem do texto: ortografia e pontuação, coisa que o Word faz muito mais rápido que eu. Pelo visto, não querem alguém que pensa.
Outra surpresa foi ter que responder à mulher do RH que eu tinha graduação na USP e mestrado e doutorado pela Unicamp, quando eu já tinha mandado o meu currículo pra ela.
O teste consistia em 3 folhas de questões de vestibular (com fonte e tudo: FUVEST, ITA e o caramba). A primeira questão que me intrigou foi: Assinale as palavras grafadas incorretamente segundo a nova reforma ortográfica. Esperando ver hífens, acentos e tremas obsoletos, me deparei com 'desinterias' (é disenteria, e eu errei!!!!), 'obsceções' e 'paralizações'. Perguntei se era pra assinalar todos os erros ortográficos ou só aqueles afetados pela reforma. A mulher do RH disse que eu tava fazendo certinho. Retruquei que, afinal de contas, um revisor em exercício teria sempre ao alcance um bom dicionário. Sorriso reticente.
A segunda questão que me aborreceu foi uma em que era pra responder sobre um texto em que o autor tinha usado a palavra ‘sentido’ com 3 significados diferentes. A) o que fez o autor? B) o trocadilho que o autor fez... Pôxa, perguntas formuladas assim testam a minha inteligência, esperteza ou conhecimento acumulado?
A terceira pergunta que me revirou as tripas foi uma em que tínhamos que escrever sobre mais um texto poético em que o autor afirma que é melhor falar que escrever, porque é falando que a gente se entende. Blá blá blá ele não tinha acento e eu fiquei circunflexo. A) qual a ironia do texto? Bom, a ironia está no fato de que, quando dizemos ‘acento’ e ‘assento’, o som é o mesmo, mas a grafia e o significado são diferentes. B) qual o outro significado de ‘circunflexo’? Veja bem, trata-se de um termo usado em gramática, e todo termo, por ser específico de um campo de conhecimento, só tem um significado.
A última questão que fez eu me sentir muito estúpida era assim: havia duas versões de um mesmo texto, lado a lado. A versão da esquerda continha uns erros ortográficos, a da direita estava livre deles. Minha função era comparar as duas versões e apontar os erros. Se tivesse alguém cronometrando o tempo que eu preciso para achar erros e conferir se de fato são erros, tudo bem, mas a mulher do RH nos havia abandonado quando estávamos na segunda questão.
Fui a primeira a terminar e deixei na sala 3 meninas tensas, conferindo rascunho, passando a limpo, pensando muito. A mulher do RH tinha informado que naquela mesma tarde informaria por e-mail quem tinha passado para a segunda fase do processo seletivo. Segunda fase?
Desconfio que fui muito insolente nas respostas ao teste e com a mulher do RH, porque não recebi mais nenhum e-mail de lá.
Percebo que o que eles esperam de um revisor do seu material didático não é alguém que pensa com o texto, nos alunos e no que eles estão aprendendo. Querem alguém capaz de verificar a maquiagem do texto: ortografia e pontuação, coisa que o Word faz muito mais rápido que eu. Pelo visto, não querem alguém que pensa.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Nova etapa
Penso saber por que o recém-nascido chora depois de sair de dentro da mãe. Chora de decepção, frio, desconforto e incerteza. Pô, meu, tava tão aconchegante lá dentro, tinha calor e comida e quando eu me mexia, tinha um barulho distante de festa. Agora que saí de lá por uma passagem mó putz apertada, perdi tudo isso.Para os cristãos, a Páscoa é um momento parecido. Jesus, o messias, o homem em carne e osso, com quem se podia conversar, passear e interagir, morre. Depois ressuscita, mas some de novo. A fé em Deus é fortalecida, mas a companhia de seu filho se vai. Sua volta está anunciada, mas a data é incerta.
Minha situação atual é semelhante. No momento, estou instalada no conforto da casa da Olga. Mas como a Olga não é mais uma pessoa solteira, e o trio não funciona, preciso procurar outra morada. E para pagar este aluguel, terei que trabalhar mais que 2 turmas de alemão. Tenho a sensação de estar pendurada de ponta-cabeça, chorando. Tenho a impressão de ouvir um sussurro: vá, tenha fé.
Enquanto a Unir (Federal de Rondônia) não me chamar, vou pra onde os ventos poluídos dessa cidade maluca me levarem. Se eu reclamar, a reclamação deve ser tão infundada como a vontade do bebê de voltar ao ventre da mãe. Se eu parar pra pensar, devia agradecer por estar viva e pelo novo desafio de ser independente de verdade nessa cidade.
sábado, 11 de abril de 2009
Propagandas abstratas
Uma vez eu comentei com a Natalie que tinha visto uma propaganda que não vendia um produto, mas um efeito colateral do produto. O produto eram cursos/equipamentos de mergulho, a propaganda era assim:Faça novos amigos: MERGULHE.
Natalie respondeu com outra propaganda, de uma agência de viagens em São José dos Campos:
Seja uma pessoa interessante: VIAJE.
Percebemos que era perfeitamente possível intercambiar as duas propagandas sem nenhum prejuízo. Já que são pouco específicas e vendem antes a felicidade/ satisfação que cursos de mergulho ou pacotes turísticos, não faz diferença se trocarmos as bolas:
Faça novos amigos: VIAJE.
Seja uma pessoa interessante: MERGULHE.
Passou um tempo e outra propaganda me chamou atenção por sua vagueza:
Seja reconhecido: FAÇA FRANCÊS.
Olha só o que dá pra fazer:
Faça novos amigos: FAÇA FRANCÊS.
Seja uma pessoa interessante: FAÇA FRANCÊS.
Seja reconhecido: VIAJE.
Seja reconhecido: MERGULHE.
O que é mesmo que a propaganda vende? Amigos, destaque e reconhecimento ou cursos de mergulho/ francês e pacotes turísticos? Qual é a garantia que o aprendiz de mergulho tem de fazer novas amizades? O que faz uma pessoa que viaja ser interessante, se caminhoneiros e motoristas (cuja profissão é viajar) não são considerados pessoas interessantes? O que faz uma pessoa que faz francês (não vamos ainda considerar que ela de fato fale francês, porque isso demora) ser reconhecida? Quem é que reconhece que fazer francês é uma vantagem?
Somos mestres em fazer conexões abstratas e ligar o que está no texto da propaganda com os nossos próprios desejos e carências. Por isso aceitamos propagandas tão indiretas e vagas.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Tribos
Os loucos
Entro numa lanchonete e me posiciono na fila do caixa. A mulher que está sendo atendida conta moedas no balcão. São muitas moedas, mas não o suficiente para pagar o que ela quer consumir. Ela tenta negociar os vinte centavos que faltam com a operadora de caixa, mas a moça não vende fiado. Amuada, a mulher baixinha, mal-cuidada e vestida em roupas esportivas muito surradas, tira do bolso uma nota de cinqüenta e passa a recolher as moedinhas. Algumas caem. Ao deslizarem do balcão, batem na bancada, dão um salto e caem a um passo da mulher. Ela urra, enfia a mão espalmada na boca e morde a junção do dedo indicador com a palma da mão. Abaixa, pega as moedas caídas no chão, esbofeteia a bancada e morde a mão, urrando. Repete esses movimentos com perfeita exatidão por uma pequena eternidade. Seu rosto está vermelho, a lanchonete toda observa a louca com olhos esbugalhados e nenhuma ação. A mulher pega a sua ficha, caminha ao longo do balcão, entrega a ficha para o funcionário e continua chamando a bancada de 'imbecil'.
Peço o meu pra viagem, pra não ter que ficar ali. Enquanto caminho pela calçada, reparo quanta gente (em sua maioria homens acima de 40) fala sozinha. Parecem ser discussões, não a simples organização de pensamentos. Pode ser que sejam ensaios do que dizer para o chefe, a esposa ou outra pessoa, mas também podem ser encenações dos diálogos que não foram. Por fim, pode ser solidão mesmo.
Os intelectuais
Estou sentada na plataforma onde há puffs, cadeiras e almofadas com gente em cima/dentro, lendo livros na livraria. Seguro uma HQ do Dilbert, em inglês e dou risadas ocasionais. Minha mochila, ao meu lado, parece ser de alguém que está longe de casa faz mais de 3 dias. O homem que está sentado do meu lado, lendo, aparenta ter seus 50 anos. Podia ser professor de geografia. Inclina o corpo em minha direção e me pergunta em inglês de onde eu sou. Respondo em português que sou brasileira e ele aponta para a minha mochila, explicando que tinha achado que eu era estrangeira. Tinha me abordado porque estava mastigando uma palavra no livro que estava lendo, que não fazia sentido. Aponta para o meio da página e lê: (...) uma biografia invulgar (...) Será que essa palavra existe e eu não fiquei sabendo? Ah, deve ser problema de tradução. Sim, é, tá na introdução. Não, tra-du-ção. Qual é a língua original? Inglês. Então pronto: uncommon deu em invulgar. Vi a luz acendendo no rosto do homem. Tudo fazia sentido agora. Avisou que compraria o livro em inglês mesmo, para não ter que tropeçar em outras esquisitices de tradução.
Os desencanados
Pedi a bicicleta do Gustavo emprestada pra ir na Unicamp enquanto ele dormia. Como ele dorme de dia, me emprestou a chave do cadeado da bicicleta e a chave da casa. Reparei que a chave reserva da bicicleta estava junto com a titular, no mesmo chaveiro. Avisei que não era uma boa idéia deixar a chave reserva tão exposta ao perigo de sumir. Fora isso, ele estava carregando um peso e volume desnecessários. Mas é só uma chave. Mas o dia em que você resolver usar calça apertada, pode não caber no bolso. EU usando calça apertada? Tá, essa foi péssima, mas...
Tinha chegado a hora de pedalar para a Unicamp. Quis levantar o selim da bicicleta, mas não tinha quick-release e eu não ia buscar chave de boca (?) lá no fundo. Verifiquei os pneus. Murchos a olho nu, completamentamente sem ar. Encostei a bicicleta e fui de ônibus, porque eu não queria me atrasar.
Antes de eu ir embora, encontrei com o Gustavo e avisei a ele que eu não tinha usado a sua bicicleta porque seus pneus estavam totalmente murchos. Ah, é? Meu, aperta aí o pneu e cê vai ver que tem muito mais ar aqui fora que lá dentro. Mas eu sempre ando com os pneus assim. Tem que encher mais? Velho, tu é físico e devia saber o que acontece com o aro e os raios se você andar com pneus murchos por aí.
O cara que me daria carona foi pontual. Estranhei que eu era a única a pegar carona pra São Paulo. Ele disse que tinha mais gente interessada, mas que ligaram quando ele estava impossibilitado de atender o celular. Eu não ia retornar a ligação, né...
Na primeira curva para a esquerda, a minha porta abriu. O motorista se inclinou para o meu lado, gritando segura! segura! Tranquei a porta e ela não abriu mais.
O carro pulava como um cabrito. O motorista avisou que o motor ainda estava frio, e por isso estava falhando, mas que já já parava. Amenizou, mas fomos pulando a São Paulo.
Nas subidas o Uno perdia o embalo, a força e a potência. Éramos ultrapassados por caminhões lentos. Nas descidas descíamos desenfreados, ultrapassando todo mundo que transitava pela faixa da direita.
Chegando na Lapa, reparei que meio tanque de gasolina tinha sido consumido nesses 100km. Nos faróis vermelhos, o motorista desligava o carro, para não gastar mais gasolina.
Entro numa lanchonete e me posiciono na fila do caixa. A mulher que está sendo atendida conta moedas no balcão. São muitas moedas, mas não o suficiente para pagar o que ela quer consumir. Ela tenta negociar os vinte centavos que faltam com a operadora de caixa, mas a moça não vende fiado. Amuada, a mulher baixinha, mal-cuidada e vestida em roupas esportivas muito surradas, tira do bolso uma nota de cinqüenta e passa a recolher as moedinhas. Algumas caem. Ao deslizarem do balcão, batem na bancada, dão um salto e caem a um passo da mulher. Ela urra, enfia a mão espalmada na boca e morde a junção do dedo indicador com a palma da mão. Abaixa, pega as moedas caídas no chão, esbofeteia a bancada e morde a mão, urrando. Repete esses movimentos com perfeita exatidão por uma pequena eternidade. Seu rosto está vermelho, a lanchonete toda observa a louca com olhos esbugalhados e nenhuma ação. A mulher pega a sua ficha, caminha ao longo do balcão, entrega a ficha para o funcionário e continua chamando a bancada de 'imbecil'.
Peço o meu pra viagem, pra não ter que ficar ali. Enquanto caminho pela calçada, reparo quanta gente (em sua maioria homens acima de 40) fala sozinha. Parecem ser discussões, não a simples organização de pensamentos. Pode ser que sejam ensaios do que dizer para o chefe, a esposa ou outra pessoa, mas também podem ser encenações dos diálogos que não foram. Por fim, pode ser solidão mesmo.
Os intelectuais
Estou sentada na plataforma onde há puffs, cadeiras e almofadas com gente em cima/dentro, lendo livros na livraria. Seguro uma HQ do Dilbert, em inglês e dou risadas ocasionais. Minha mochila, ao meu lado, parece ser de alguém que está longe de casa faz mais de 3 dias. O homem que está sentado do meu lado, lendo, aparenta ter seus 50 anos. Podia ser professor de geografia. Inclina o corpo em minha direção e me pergunta em inglês de onde eu sou. Respondo em português que sou brasileira e ele aponta para a minha mochila, explicando que tinha achado que eu era estrangeira. Tinha me abordado porque estava mastigando uma palavra no livro que estava lendo, que não fazia sentido. Aponta para o meio da página e lê: (...) uma biografia invulgar (...) Será que essa palavra existe e eu não fiquei sabendo? Ah, deve ser problema de tradução. Sim, é, tá na introdução. Não, tra-du-ção. Qual é a língua original? Inglês. Então pronto: uncommon deu em invulgar. Vi a luz acendendo no rosto do homem. Tudo fazia sentido agora. Avisou que compraria o livro em inglês mesmo, para não ter que tropeçar em outras esquisitices de tradução.
Os desencanados
Pedi a bicicleta do Gustavo emprestada pra ir na Unicamp enquanto ele dormia. Como ele dorme de dia, me emprestou a chave do cadeado da bicicleta e a chave da casa. Reparei que a chave reserva da bicicleta estava junto com a titular, no mesmo chaveiro. Avisei que não era uma boa idéia deixar a chave reserva tão exposta ao perigo de sumir. Fora isso, ele estava carregando um peso e volume desnecessários. Mas é só uma chave. Mas o dia em que você resolver usar calça apertada, pode não caber no bolso. EU usando calça apertada? Tá, essa foi péssima, mas...
Tinha chegado a hora de pedalar para a Unicamp. Quis levantar o selim da bicicleta, mas não tinha quick-release e eu não ia buscar chave de boca (?) lá no fundo. Verifiquei os pneus. Murchos a olho nu, completamentamente sem ar. Encostei a bicicleta e fui de ônibus, porque eu não queria me atrasar.
Antes de eu ir embora, encontrei com o Gustavo e avisei a ele que eu não tinha usado a sua bicicleta porque seus pneus estavam totalmente murchos. Ah, é? Meu, aperta aí o pneu e cê vai ver que tem muito mais ar aqui fora que lá dentro. Mas eu sempre ando com os pneus assim. Tem que encher mais? Velho, tu é físico e devia saber o que acontece com o aro e os raios se você andar com pneus murchos por aí.
O cara que me daria carona foi pontual. Estranhei que eu era a única a pegar carona pra São Paulo. Ele disse que tinha mais gente interessada, mas que ligaram quando ele estava impossibilitado de atender o celular. Eu não ia retornar a ligação, né...
Na primeira curva para a esquerda, a minha porta abriu. O motorista se inclinou para o meu lado, gritando segura! segura! Tranquei a porta e ela não abriu mais.
O carro pulava como um cabrito. O motorista avisou que o motor ainda estava frio, e por isso estava falhando, mas que já já parava. Amenizou, mas fomos pulando a São Paulo.
Nas subidas o Uno perdia o embalo, a força e a potência. Éramos ultrapassados por caminhões lentos. Nas descidas descíamos desenfreados, ultrapassando todo mundo que transitava pela faixa da direita.
Chegando na Lapa, reparei que meio tanque de gasolina tinha sido consumido nesses 100km. Nos faróis vermelhos, o motorista desligava o carro, para não gastar mais gasolina.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Diferentes estilos
Ana Lu no chocalho, grávida de 7 meses. Do lado está a Sandra, que conheci naquela noite mesmo.
No violão, Milena cantou sambas. No pandeiro, Javier acompanhou a Milena. Na gaita, Javier tocou blues. O Sales tem um número em que ele vai tirando várias gaitas dos bolsos, das mangas, do chapéu. Graças ao clown, havia várias gaitas diferentes à disposição do Javier.
Junior está só segurando o violão, porque ele só sabe tocar uma música (metade do refrão): Caminhando e cantando, e seguindo a canção... como é que continua?Música por todos
Eu queria comemorar o meu aniversário com música. Dessa vez não teve cardápio programado nem casa cheia, mas muita música. O ponto alto foram as músicas infantis (tinha vários educadores na Oca, a começar por todos os sujeitos das fotos abaixo) atuais e da época em que nós éramos crianças.
Aí começaram a aparecer os instrumentos musicais alternativos: o Sales puxou o serrote, Júnior buscou uma sacola plástica, Ruy achou a leiteira. Mas o serrote era a sensação e a galera queria aprender a tirar som da lâmina.
Tocar serrote não é nada trivial. O arco não toca uma nota aqui e outra ali, mas passa por todas as notas. Tem que mexer a perna que segura o cabo do serrote pro som se prolongar, envergar a lâmina e ainda posicionar o arco de maneira adequada. E o serrote não pode ser o instrumento dominante, apenas acompanhamento, porque o som de casa assombrada é noiante.
Aí começaram a aparecer os instrumentos musicais alternativos: o Sales puxou o serrote, Júnior buscou uma sacola plástica, Ruy achou a leiteira. Mas o serrote era a sensação e a galera queria aprender a tirar som da lâmina.
Tocar serrote não é nada trivial. O arco não toca uma nota aqui e outra ali, mas passa por todas as notas. Tem que mexer a perna que segura o cabo do serrote pro som se prolongar, envergar a lâmina e ainda posicionar o arco de maneira adequada. E o serrote não pode ser o instrumento dominante, apenas acompanhamento, porque o som de casa assombrada é noiante.sábado, 4 de abril de 2009
Paranapiacaba
Pára na pia! Cabô... Pira na pia e se acaba!
Não fizemos a trilha que passa perto do mirante, porque éramos um grupo de pelo menos 20 pessoas, sendo 4 delas crianças (que já conseguem andar sozinhas).
Fizemos o passeio de trem (percorremos 300m e ouvimos longas explicações sobre o funcionamento do trem). A cidade foi baseada no transporte de café do interior a Santos por trilhos (a Santos-Jundiaí).
Essa foi a última foto que eu consegui fazer na minha máquina.
Não entendi o que aconteceu, mas de repente, depois dessa foto de contas de lágrima, ela ficou hiper-foto-sensível. O visor mostrava o que eu via, mas depois que eu apertava o botão pra ela tirar foto, a luz estourava tudo e o visor ficava cinza. Confiante que as fotos estavam sendo registradas, mas só o visor não mostrava, continuei fotografando, já meio jururu. Quando descarreguei as fotos no computador, fiquei totalmente deprê. Uma cegueira branca. Justo agora que não tenho renda ou ocupação, minha máquina dá pra trás.
Um ano e meio atrás, Jonas, Olga & yo fomos a Paranapiacaba. Jonas já estava tão falante de português, que percebia o que é português e o que era vindo de outra língua (indígena). Decidiu que Paranapiacaba era um nome que os índios deram ao lugar. Apostou que significava: lugar onde chove muito, o ano inteiro.
Depois da experiência de muita chuva e neblina, fiquei muito feliz de ver o lugar com céu azul e vista até lá longe. Descobri que Paranapiacaba significa: lugar de onde se vê o mar.
Não fizemos a trilha que passa perto do mirante, porque éramos um grupo de pelo menos 20 pessoas, sendo 4 delas crianças (que já conseguem andar sozinhas).
Mesmo com tanto morro e acostamento ruim na estrada até lá, tinha muito ciclista na cidade. As caravanas de turistas japoneses eram engraçadas, porque eram japoneses mesmo, armados como turistas para uma caminhada de uma semana. Por fim, havia o festival de cambuci na cidade. Foi pouco divulgado e tinha pouca gente vendendo seus produtos feitos à base da fruta: pinga, sorvete, trufas, geléia, molho etc.
Fizemos o passeio de trem (percorremos 300m e ouvimos longas explicações sobre o funcionamento do trem). A cidade foi baseada no transporte de café do interior a Santos por trilhos (a Santos-Jundiaí).
Essa foi a última foto que eu consegui fazer na minha máquina.
Não entendi o que aconteceu, mas de repente, depois dessa foto de contas de lágrima, ela ficou hiper-foto-sensível. O visor mostrava o que eu via, mas depois que eu apertava o botão pra ela tirar foto, a luz estourava tudo e o visor ficava cinza. Confiante que as fotos estavam sendo registradas, mas só o visor não mostrava, continuei fotografando, já meio jururu. Quando descarreguei as fotos no computador, fiquei totalmente deprê. Uma cegueira branca. Justo agora que não tenho renda ou ocupação, minha máquina dá pra trás.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Sem pressa
Eu tinha chegado antes do previsto e tava com a boca seca. Fui no supermercado pra comprar água. Percebi como chamei atenção, com os meus passos largos, cabelos despenteados e a perna direita da calça levantada e presa por um prendedor de roupa. Fui ao caixa com uma garrafa de água na mão e me posicionei no fim da fila. A moça que estava sendo atendida no caixa pagou suas compras e também umas contas de água, luz, celular e não sei que mais. A mulher atrás dela (e na minha frente) olhava, impaciente, para a sua pilha de compras suando na esteira. Quando a moça das contas recebeu a nota fiscal, a mulher das carnes congeladas me ofereceu passagem.
- Pode passar na frente, o seu é só uma aguinha.
- Obrigada, mas eu não tenho pressa.
- Você vai ter uma vida longa, então!
- Hehehe...
- Que bom que não está estressada.
Na bicicletaria de frente pro supermercado, me encontrei com a Juliana. O almoço durou umas duas horas, e foi um bom começo pra sacarmos quem é essa pessoa do outro lado da mesa, que eu tenho o costume de ler, e que me lê. Voltamos pra bicicletaria Moema Bike Sport e ficamos o resto da tarde penduradas lá. Conversamos com a Soraya e sua filhinha no colo, o Márcio que foi buscar o pequeno Lucas de bicicleta, o filho mais velho que não gosta de estudar e o Éder, que revisou as nossas bicicletas. Agora posso usar todas as marchas da Amarilda (a pequena da coroa não entrava nem com reza brava) e os freios, comidos pela lama, foram nivelados. Éder também corrigiu as minhas incursões no mundo maravilhoso da mecânica, cometidas depois do pedal pra Colônia. Minhas intuições estavam certas, mas descobri que há muito mais parafusos e roscas para girar que eu tinha considerado. Fico feliz por ter conhecido tanta gente boa numa tarde sossegada.
- Pode passar na frente, o seu é só uma aguinha.
- Obrigada, mas eu não tenho pressa.
- Você vai ter uma vida longa, então!
- Hehehe...
- Que bom que não está estressada.
Na bicicletaria de frente pro supermercado, me encontrei com a Juliana. O almoço durou umas duas horas, e foi um bom começo pra sacarmos quem é essa pessoa do outro lado da mesa, que eu tenho o costume de ler, e que me lê. Voltamos pra bicicletaria Moema Bike Sport e ficamos o resto da tarde penduradas lá. Conversamos com a Soraya e sua filhinha no colo, o Márcio que foi buscar o pequeno Lucas de bicicleta, o filho mais velho que não gosta de estudar e o Éder, que revisou as nossas bicicletas. Agora posso usar todas as marchas da Amarilda (a pequena da coroa não entrava nem com reza brava) e os freios, comidos pela lama, foram nivelados. Éder também corrigiu as minhas incursões no mundo maravilhoso da mecânica, cometidas depois do pedal pra Colônia. Minhas intuições estavam certas, mas descobri que há muito mais parafusos e roscas para girar que eu tinha considerado. Fico feliz por ter conhecido tanta gente boa numa tarde sossegada.
Foto: Juliana
Voltei enquanto escurecia, um pouco mais devagar que quando fui, porque o trânsito como um todo estava mais devagar. Poucos encaram essa lentidão com a mesma tranqüilidade que eu.
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