sábado, 9 de maio de 2009

Commuting


Commuting
: o trajeto diário entre casa e trabalho. Agora que passei uma semana pedalando entre casa e trabalho, sei onde estão as ladeiras, as contramãos malditas de 1 quadra, a feira, a ciclista-barbie que sobe ladeira com os ombros porque não tem força nas pernas; e já conheço os tempos dos faróis. Experimentei caminhos diferentes pra evitar favelas, subidonas e voltas desnecessárias. Criei um mapa mental a partir do mapa no papel e dos caminhos que percorri.

Agora que a Amarilda virou instrumento de trabalho mais eficiente que os modais "pé 2" ou ônibus, perdi o pé atrás de pedalar pelas ruas de São Paulo em horários escuros. Perdi também o medo de ter a bike roubada porque ela chama atenção. Eu tinha receio de pedalar os 7km de noite até o Campo Grande, mas experimentei ir de ônibus e achei péssimo: tenho que andar até o ponto de ônibus na Santo Amaro, esperar pelo Guacuri, entrar num ônibus lotado fedendo a cansaço, e subir a ladeira até o lugar onde dou aula. Todo esse processo demora mais de uma hora. De bicicleta são 26 minutos. Tá certo que chego descabelada e arfante, mas as secretárias têm um bom motivo pra dar risada.

Não entro em perrengues com motoristas de carros aqui em São Paulo. Não sou fechada, como era em Campinas, e quando tiram fina de mim, tenho a sensação de que eles sabem muito bem calcular as dimensões do espaço disponível. Em Campinas, eu às vezes tinha a impressão que eu era invisível para os motoristas de carro, que além de não darem seta nunca, me fechavam na maior. Outras vezes me parecia que eles tinham um ódio inexplicável de ciclistas. É assim que explico as buzinadas que eu tomava e os gritos que eu ouvia. Aqui em São Paulo o esquema é de extremos: ou eu pedalo quando tem muito pouco carro na rua, ou quando tem tanto, que todos estão praticamente parados.

Contudo, tenho umas desavenças ocasionais com motoristas de ônibus. Em Campinas, eu me sentia mais vista e respeitada pelos motoristas de ônibus que aqui. Não sei se é porque eu morava perto do terminal e pedalava constantemente entre Campinas e Barão ou se era outra coisa. Mas o fato é que aqui eu vejo como o motorista se transforma em monstro conforme nos aproximamos do ponto de ônibus. Ele não lembra que tem um pedal que serve pra frear enquanto não tiver me ultrapassado. Me passa em alta velocidade (o vento do ônibus que passa perto demais sempre me assusta) e rasga uma diagonal em direção ao ponto, pra então frear abruptamente.

Mas também há exceções. Um motorista de ônibus emparelhou comigo no farol (eu estava no corredor) no alto da ladeira e se solidarizou com a minha falta de ar. Pra me consolar, lembrou das calorias que eu estou queimando e da academia que estou economizando. Depois ainda buzinou, acenou e deu sinal, alegrando o trânsito.

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