quinta-feira, 7 de maio de 2009

Com o passado aqui presente

Primeiro foi o Paulo Punk, que reconheci no meio da multidão da Virada Cultural. O Paulo contou estórias do Rodrigo, nosso colega de faculdade, que tinha se embrenhado na Paraíba e foi afrouxando o contato comigo conforme se apaixonava por outras mulheres. Depois de algumas frustrações amorosas do moço que já tinha um sotaque pertubadoramente misturado, Rodrigo e Paulo montaram um restaurante vegano em São Paulo - e o fecharam um ano depois, concluindo que esse negócio dá trabalho e paga mal.

Depois do e-mail do Rodrigo veio um da Chris, em forma de convite de casamento. A atendente de caixa vai casar com o açougueiro, eu teria dito alguns anos atrás, mas acho que os dois trabalharam tanto tempo naquele supermercado, que já devem ter cargos altos. A Chris era mais velha que nós três, quando éramos adolescentes e detestávamos aula de química e os professores de matemática e física. Ela tinha carro e nossas mães confiavam que ela nos trouxesse pra casa cedo, não muito bêbadas.

Depois de feito o convite de casamento, a Chris me botou em contato com a Selma, que era da minha classe. A Selma me achou pelo Skype. Não reconheci a voz dela como sendo dela, mas como sendo da mãe dela: estridente. Através da câmera dela, vi uma Selma 14 anos mais velha, casada e mãe de 3 que mora na Índia e está resignada (a fase da raiva já passou). Quando terminou a graduação em Economia, não pensava que acompanharia um marido aos países em que a matéria-prima e mão-de-obra envolvidas no setor automobilístico são mais baratos, que seria mãe de tantos, que seria dona de casa que coordena empregados (plural, hein!).

Enquanto eu conversava com a Selma sobre a Kathia, nossa quarta mosqueteira e o centro de nossas atenções, eu baixava um filme indicado pelo meu irmão. Trata-se de Krabat, um livro que virou filme. Ainda tenho o livro, que passeou na família e foi resgatado pela minha mãe do ostracismo a que tinha sido condenado pela minha prima. Lembro que reli Krabat no alto da minha beliche em Barão Geraldo, relembrando a estória e a história do livro. Quem tinha me dado o livro foi o Werner, que eu voltei a ver depois de muitos anos sem contato. Werner foi a minha primeira visita extra-familiar depois que quebrei o pé. Melhor parar por aqui mesmo e deixar esse novelo enroladinho, porque eu não pretendia puxar esses fios todos e acabar escrevendo uma novela.
Todas essas reminiscências são minhas, particulares e difíceis de compartilhar, mas se quiserem ver o filme, procurem no mininova.org, que deve ter com legendas em alguma língua menos estranha que alemão.

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