sexta-feira, 1 de maio de 2009

Armadura de ciclista

Seguindo a dica do Willian Cruz, do Vá de bike, passei uns dias lendo todas as tiras de Yehuda Moon: bicycle comics. Recomendo que se leia do início aos dias atuais, porque muitas tiras são parte de uma estória mais longa - e militante.
Vou usar algumas tiras aqui, porque me identifiquei com elas. Como eram pequenas, resolvi transcrever o texto. Pra facilitar, traduzi tudo direto.

- Você devia pensar em usar roupas cor de laranja, porque é a cor que os motoristas identificam mais facilmente.
- É pra sua segurança.
- Onde é que eu tava com a cabeça quando vesti roupas verdes de manhã, Fizz?
- A gente tem que usar roupas cor de laranja todo dia?

- Eu quero começar a pedalar para o trabalho, e preciso de umas roupas de ciclista.
- Qual é a distância até o teu trabalho?
- 4,8 quilômetros.
- Aposto que você pode ir com as suas roupas normais de trabalho. Só amarra esse velcro na barra da tua calça.
- Só isso?
- Você quer pedalar fantasiado ou pedalar para o trabalho?

- Uau, você me assustou!
- [grunhido]
- Cê tá treinando? Te vi andando pra cima e pra baixo na praça e- ... okay.
- Não permita que eu te segure! Você vai recuperar esses segundos perdidos, força aí!
- Eu não ia querer que você se atrasasse pro seu encontro de super heróis! Por que é que eu faço isso...
- Joe? Hey, Joe! Quê que cê tá fazendo aí, pedalando?
- Quem é você?
- Joe, sou eu, Reginaldo - ah, desculpa, peraí.
- Hey, cara. Não te reconheci.
- Tudo bem. Te vejo por aí.
- Rapaz, a vida é dura.
- Menininha, cadê o seu capacete?
- Mulherona, cadê sua bicicleta?

- Ei, cadê seu capacete?
- Eu tô usando ele - é um capacete mágico. Ele é invisível.
- Eu também quero um capacete mágico.
- Então. Precisamos de capacetes ou não? Tá na lei que precisa?
- Não aqui. Você decide se quer usar capacete.
- Capacetes são indicados quando você pedala em situações extremas ou arriscadas. Tipo competições ou manobras radicais. Agora: fazer compras é uma situação extrema ou arriscada?
- Se você me perguntar, eu acho que sempre que tiver carro na parada, você deve usar capacete. Por que não tentar eliminar o risco?
- Hm.
- O que há de errado com você?
- É um problema dos carros, Joe. Por que forçar os ciclistas a remediarem a situação com um chapéu de isopor?
- Posso pedalar pra escola, mãe, posso?
- Não, querido.
- Tem muitos carros na rua, não é seguro.
- Aaaaaaaaaaah...
- A maioria dos motoristas dirigindo nessa hora do dia são pais levando seus filhos pra escola...
- E daí?
- Pois então.

Esses quadrinhos todos mostram como usar a bicicleta pode ser uma coisa simples. O ciclista não precisa necessariamente se armar (usando roupas claras, capacete, cotoveleira, caneleira e o caramba) para pedalar, se os motoristas souberem compartilhar a via com veículos mais lentos e menos espaçosos.
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Quando eu morava em Barão Geraldo, onde as ruas são tranqüilas e é normal que as pessoas pedalem por aí, me envolvi em 4 acidentes de bicicleta. Daqueles de eu cair no chão mesmo. Três envolveram carros, um envolveu dois pedestres. Um (carro) fui eu que provoquei, admito; outro (pedestre) teve como causa a falta de manutenção da bicicleta (mas se os pedestres não estivessem caminhando pela ciclovia, eu não teria atropelado um deles). Sobram dois acidentes com carro por culpa do motorista. Na primeira colisão, a motorista não me viu. Foi fazer a curva e não reparou que havia uma pessoa numa bicicleta à frente - do lado - que barulho foi isso? - no chão. Na segunda colisão, o motorista era um cinqüentão que tinha recém-tirado carta. Me viu, mas não soube reagir em tempo: imperícia. Depois do primeiro acidente entrei prum grupo de ciclistas e passei a usar o capacete regularmente - para ser vista no trânsito.
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Depois de um ano de Holanda, não uso mais capacete. Tá bom, quando pego a estrada ou pedalo com gente que usa capacete, eu ponho o meu na cabeça. De resto, deixo ele lá, num canto escuro, juntando pó. Não é porque amassa o cabelo, estraga o penteado ou coisa do gênero. É porque eu confio que sou vista pelos motoristas e respeitada por eles. Na Holanda, três categorias de pessoas usam capacete: speedeiros, crianças e turistas. O trânsito em geral é mais calmo (lento e atento) lá. As ciclovias não são garantia de ausência de acidentes, pelo contrário: vi três acidentes de carro com bicicleta em um ano em Nijmegen. Todos em cruzamentos da via com a ciclovia.
Em suma, eu sou a favor da educação para o trânsito. Tanto de motoristas como de ciclistas.

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