domingo, 3 de maio de 2009

Filatelistas escondidos

Eu não vou levar os meus dois álbuns de selos pra Rondônia. A coleção foi iniciada em meados dos anos 80 e parou quando os álbuns ficaram cheios. Desde que mudei pra Campinas não recortei mais nenhum envelope, não fervi mais água pra tirar a cola do selo, não usei mais a pinça pra manusear papel e não sento mais na mesa com duas bacias de água (uma quente e outra fria).

Levei a minha coleção pra ser avaliada, e a mulher me disse que os álbuns, alemães, valiam mais que os selos. Não havia raridades ou selos caros perdidos no meio dos selos comuns e não tinha coleções completas nem selos comemorativos. Ofereci os selos e álbuns pra avaliadora por metade do valor que ela tinha cantado, mas ela não quis comprar a minha 'coleção de criança'. Fui em outros clubes de filatelia e me ofereceram tão pouco, que me senti diminuída. Perguntei pras pessoas se não conheciam filatelistas iniciantes que poderiam ser agraciados pelos meus quase 3 mil selos.

Ofereci os selos e álbuns no freecycle, e na mesma noite quase 20 pessoas reagiram ao meu anúncio com muitos verbos modais, adjetivos no superlativo e sentenças em tom implorativo. Não foi fácil escolher uma pessoa, porque as estórias eram muito variadas: minha filha está começando a colecionar; meu sobrinho precisa de um incentivo; eu estou no nível em que as pessoas compram catálogos; sou colecionador há anos; ganhei selos japoneses do meu avô etc, etc, etc. Escolhi um cara de nome diferente.

Como o freecycle funciona com moderador, o e-mail que eu mandei pra lista avisando que eu já tinha escolhido alguém só chegou depois que mais 9 pessoas me escreveram cartas de recomendação. Ahá, aqui estão os filatelistas!!! Foi uma surpresa ver tanta gente querendo os meus selos.

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