segunda-feira, 13 de abril de 2009

Nova etapa

Penso saber por que o recém-nascido chora depois de sair de dentro da mãe. Chora de decepção, frio, desconforto e incerteza. Pô, meu, tava tão aconchegante lá dentro, tinha calor e comida e quando eu me mexia, tinha um barulho distante de festa. Agora que saí de lá por uma passagem mó putz apertada, perdi tudo isso.

Para os cristãos, a Páscoa é um momento parecido. Jesus, o messias, o homem em carne e osso, com quem se podia conversar, passear e interagir, morre. Depois ressuscita, mas some de novo. A fé em Deus é fortalecida, mas a companhia de seu filho se vai. Sua volta está anunciada, mas a data é incerta.

Minha situação atual é semelhante. No momento, estou instalada no conforto da casa da Olga. Mas como a Olga não é mais uma pessoa solteira, e o trio não funciona, preciso procurar outra morada. E para pagar este aluguel, terei que trabalhar mais que 2 turmas de alemão. Tenho a sensação de estar pendurada de ponta-cabeça, chorando. Tenho a impressão de ouvir um sussurro: vá, tenha fé.

Enquanto a Unir (Federal de Rondônia) não me chamar, vou pra onde os ventos poluídos dessa cidade maluca me levarem. Se eu reclamar, a reclamação deve ser tão infundada como a vontade do bebê de voltar ao ventre da mãe. Se eu parar pra pensar, devia agradecer por estar viva e pelo novo desafio de ser independente de verdade nessa cidade.

Um comentário:

Natalie Rios disse...

Nossa Lou!
Que lindo esse seu texto.