sexta-feira, 17 de abril de 2009

Passeios de bicicleta

Semana passada fui pedalar de noite com um grupo que se encontra no Parque das bicicletas, perto do Ibirapuera. Só pra chegar até lá já foram 10km. O fato de eu ser a única sem capacete foi motivo pra estórias de acidentes, recomendações e cobranças.

Fizemos o centro, atravessamos uma ponte sobre o Tietê, demos uma voltinha na zona norte e atravessamos outra ponte. Os homens me diziam: Cê pedala bem! Eu respondia: eu sei. As mulheres me perguntavam se eu tava inteira. Acho que era inveja.

Se não me engano, foi na Braz Leme. Apontei pro canteiro central e perguntei: aquilo é uma ciclovia? É. Não perguntei por que não estamos nela. Também não reclamei de pedalar na calçada no centrão, de quase não parar em nenhum farol vermelho, de pedalar do lado esquerdo da rua, de andar na contramão ou de pedalar em bloquinhos de 3 ou mais emparelhados que ocupam uma faixa inteira. Pedalar com um grupo significa preocupar-se em manter o grupo coeso, não necessariamente respeitar as leis de trânsito.

Comemos o melhor pernil no sanduba de São Paulo e subimos a Augusta inteira. Quando perguntei se alguém ali ia pra Interlagos, todos ficaram alarmados: Cê vai pedalando pra Interlagos? Uai! Foram 60km rodados naquela noite e cheguei em casa depois da meia-noite. Ainda tomei banho e fiz alongamento. Desliguei a luz às 2 da madrugada.

Ontem voltei lá, vestida de ciclista: capacete, calça comprida apertada, blusa de manga comprida com bolsos nas costas: tava frio. Um cara que tinha me visto na semana anterior perguntou se eu tinha comprado todo o equipamento pra pedalar com eles. Não, querido. Outro cara olhou pras duas correntes que uso pra prender a bicicleta e disse que eu carregava muito peso. Bicicleta pra mim é meio de transporte, filho.


Subimos a Rua Paraíso, que dá na Vergueiro. É uma subida cruel: longa e com diferentes graus de inclinação. Cheguei depois dos dez primeiros
, que estavam de olho em quem subia – e como: pedalando ou empurrando, de cabeça erguida ou se derramando pela bicicleta. Quando me viram, ouvi: ela pedala bem.

Dois pneus furaram, e o grupo todo esperou (na rua, ocupando uma faixa) até que a câmara fosse trocada. Novamente o grupo todo pedalou pela calçada, contramão, em bloco e não parou no farol. Como dessa vez o grupo era maior, chegamos a atrapalhar o trânsito.

Paramos na frente de um restaurante árabe no Paraíso. Não entrei, porque ouvi um cara dizendo que ia pra Chácara Flora. Quis aproveitar a carona e seguimos pela Vergueiro, Domingos de Moraes, Jabaquara e contornamos o aeroporto num festival de subidas e descidas exageradas. No total, foram “só” 46 km rodados, mas com muito desnível.

Enfim, pedalar em grupo é legal pra conhecer gente, dar risada, fazer força e se sentir parte de um grupo. Mas eu me sinto mal quando atravesso o farol vermelho, segurando os motoristas que avançam no verde. Minha consciência pesa quando pedalo pela contramão ou calçada. E mesmo que seja de noite e haja pouco trânsito, não acho legal ver os ciclistas ocupando a rua toda, impedindo a passagem de qualquer um.


10 comentários:

pedalante disse...

Olá pequena Lou,

tudo bem...parece que tá curtindo demais o retorno as pedaladas paulistanas.

vc conhce o bikemap? ( verifique: bikemap.net).

p.s Preciso de umas dicas, tenho que ir, lá pelos seus caminhos da z.sul.

Binotti "BikerZL" disse...

Também já passei pelo mesmo "inconveniente" que vc, á respeito de se pedalar em grupos... quando eu estava mais ativo no pedal, sempre participava de 'passeios ciclisticos', mas definitivamente... são um mte de gente em cima de duas rodas, sem respeito algum com o próximo e com as leis de trânsito! Deviam de ensinar algo nestes eventos, coisa que não se nota... Hoje em dia, uso mais a moto para ir ao trabalho, opção que me faz sentir mais seguro e menos risco de ser atropelado, xingado, e etc... infelizmente, a bicicleta é um excelente meio de transporte mas para a cidade de são paulo suportar alguém "diferente" no trânsito (vestindo o uniforme e respeitando as leis), têm-se que investir muito em educação...

bobmacjack disse...

Sobre andar à esquerda, o código de trânsito fala em andar "nos bordos da pista". Portanto, não sendo contramão, esta atitude é correta. O problema é que tem que avisar aos motoristas, que não aprendem uma vírgula sobre respeito aos veículos não motorizados nas auto-escolas...

Faróis existem para tentar fazer os carros matarem menos gente, nesse ponto não tenho muita dó deles em faróis vermelhos, não. Quem merece minha consideração no trânsito são os pedestres, carroceiros e tal. Mas também não sou ão radical: até prova em contrário, motoristas são meus amigos. Afinal às vezes também sou um deles. Por sorte cada vez menos :)

Ei, você estava na bicicletada de março? Acho que conversei brevemente com você no começo dela, ainda na praça do ciclista. Você estava conversando com o Toshio, não é? Se não era, me desculpe. Sou um fisionomista mais ou menos...

Por fim: gosto do seu blog :)

Abraço!

iglou disse...

Oi, Laércio

sim, acho que conversamos brevemente na bicicletada de março. Me sinto meio estranha quando chego nas bicicletadas, porque não conheço muita gente, e vira e mexe alguém - que eu nunca vi na vida - chega pra mim e me pergunta se eu sou a meninamalouca.

Mas vamos lá. No nosso sistema de trânsito, é costume ultrapassar pela esquerda (e não direita). Os mais afoitos utilizam a faixa da esquerda (e não direita, justamente porque não é permitido ultrapassar pela direita). A bicicleta costuma trafegar a velocidades mais baixas que os carros. A não ser que eu vá virar à esquerda na quadra seguinte, eu nunca vou trafegar pela esquerda, porque esta justamente é a faixa dos veículos mais rápidos. Prefiro escolher o bordo direito como lugar para transitar, porque ali não estou exposta a velocidades estonteantes e estou num lugar que os outros agentes do trânsito consideram o meu 'lugar natural'.

Eu paro nos faróis pra dar o exemplo mesmo. Pra que motoristas, motociclistas, outros ciclistas e pedestres percebam que eu me encaixo na mesma categoria que eles e respeito as leis de trânsito assim como eles. Sei que pelo simples fato de respeitar o tempo do farol eu ganho respeito dos outros.

bobmacjack disse...

Adoto a mesma conduta que você quanto a andar pela esquerda. E concordo com sua atitude no farol. Respeito acima de tudo.

Li o post mais abaixo sobre a bicicletada que participamos. Muito triste o vandalismo dos participantes, desanima bastante. Pretendo estar lá na sexta, mas estou sentindo que vai ser meio que uma despedida, apesar de eu ter feito bons amigos e de continuar a ir em outros passeios com os amigos que fiz.

Bom, vamos ver. Seria ótimo te ver outra vez por lá!

Abraço,

Laércio

Anônimo disse...

Isso mesmo , pedale pela esquerda e entre para as estatísticas.
Aproveita e vai no corredor de moto que é a invenção mais estúpida, principalmente por ter sido feito na esquerda.
Transporte individual é na direita.
Ultrapassagem é outra coisa.
Pelo jeito a bicicletada não educa mesmo...
O melhor : " farois existem para tentar fazer os carros matarem menos..."
Aff !!!

iglou disse...

Oi Anônimo

Desculpa, não entendi o que você quer dizer.

Eu não pedalo pela esquerda, nem na Marginal ou 23, que têm mais de uma faixa e o corredor de moto entre a faixa da extrema esquerda e a do lado.

Bicicleta é transporte tão individual como carro. Trem e ônibus contam como transporte coletivo.

A bicicletada não tem fins educativos, tanto é que tem muito ciclista decepcionado com a bicicletada (me incluo aí), porque tem um montão de gente de bicicleta participando do movimento sem ter a mínima noção de trânsito. Sem querer defender ou atacar a bicicletada ou os acontecimentos nas últimas sextas-feiras do mês, quero lembrar que a bicicletada é um movimento de protesto, não de educação.

bobmacjack disse...

Acho que o anônimo estava falando comigo... Sobre andar na esquerda, sugiro que consulte o CTB. Bicicletas podem usar os bordos da pista, sempre na mão de direção. Como as pistas têm dois bordos, esquerdo e direito, isso quer dizer que o ciclista pode, sim, usar a esquerda. E os veículos devem reduzir e respeitar o mesmo 1,50m de distância ao ultrapassar o ciclista e dar a preferência da mesma forma. Tudo isso está lá, é lei. Mas o sem nome ainda tem razão: com a qualidade dos motoristas brasileiros, melhor não confiar em leis e seguir pela direita.

Sobre os faróis, exagerei de propósito. Nem os faróis impedem os carros de matar, eu sei. Dica: pesquise sobre "traffic calming".

Veja bem,estou "sugerindo" e não "mandando".

Anônimo disse...

Desculpe comentar sobre um comentário, é que tem dia que não resisto.
A respeito dos que não tem a mínima noção, ainda não me acostumei... Você "crazy teatcher" pelo contrário, já me ensinou algumas coisas. Principalmente que tem um monte de terrorista bikerbomba solto por aí...
E pro cara que gosta de sugerir absurdos , mesmo se soubesse meu nome , isso não faria de você um "ciclista" menos inofensivo.
Pela esquerda !?
Aff.

iglou disse...

Pronto, pronto. Agora comportem-se.