sábado, 11 de abril de 2009

Propagandas abstratas

Uma vez eu comentei com a Natalie que tinha visto uma propaganda que não vendia um produto, mas um efeito colateral do produto. O produto eram cursos/equipamentos de mergulho, a propaganda era assim:

Faça novos amigos: MERGULHE.

Natalie respondeu com outra propaganda, de uma agência de viagens em São José dos Campos:

Seja uma pessoa interessante: VIAJE.

Percebemos que era perfeitamente possível intercambiar as duas propagandas sem nenhum prejuízo. Já que são pouco específicas e vendem antes a felicidade/ satisfação que cursos de mergulho ou pacotes turísticos, não faz diferença se trocarmos as bolas:

Faça novos amigos: VIAJE.
Seja uma pessoa interessante: MERGULHE.

Passou um tempo e outra propaganda me chamou atenção por sua vagueza:

Seja reconhecido: FAÇA FRANCÊS.

Olha só o que dá pra fazer:

Faça novos amigos: FAÇA FRANCÊS.
Seja uma pessoa interessante: FAÇA FRANCÊS.
Seja reconhecido: VIAJE.
Seja reconhecido: MERGULHE.

O que é mesmo que a propaganda vende? Amigos, destaque e reconhecimento ou cursos de mergulho/ francês e pacotes turísticos? Qual é a garantia que o aprendiz de mergulho tem de fazer novas amizades? O que faz uma pessoa que viaja ser interessante, se caminhoneiros e motoristas (cuja profissão é viajar) não são considerados pessoas interessantes? O que faz uma pessoa que faz francês (não vamos ainda considerar que ela de fato fale francês, porque isso demora) ser reconhecida? Quem é que reconhece que fazer francês é uma vantagem?

Somos mestres em fazer conexões abstratas e ligar o que está no texto da propaganda com os nossos próprios desejos e carências. Por isso aceitamos propagandas tão indiretas e vagas.

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