terça-feira, 30 de março de 2010

Up in the air

Quando dou aula de produção de textos pros matemáticos, me dou conta de como gosto do mundo maravilhoso da Física. Quando dou essa mesma matéria pros alunos de Letras, percebo como gosto do fabuloso mundo da Filosofia. Minha área não é nem uma nem outra, muito menos produção de texto. Passei os últimos sete anos da minha vida estudando preposições. Desde que os caminhos de grande Renato e pequena Lou se bifurcaram, não tenho mais parceiro de conversa sobre problemas linguísticos.

Agora busco bons parceiros de conversa em outra esfera: no cinema. O cineclube da Unir me deu amigos e vontade de pesquisar sobre filmes, temas e a linguagem do cinema. O resultado dos projetos de extensão ainda não saiu, mas mesmo que o cineclube deLÍRIO não seja aprovado, ele vai continuar acontecendo toda quarta-feira no auditório do Núcleo a partir das 17:00.

Quero comentar um filme que não está na lista dos filmes do cineclube, mas não me sai da cabeça.


O filme se chama 'Up in the air', mas poderia muito bem se chamar 'Ups and downs', porque eles fazem a progressão do filme. George Clooney interpreta Ryan, um cara que passa a maior parte do ano viajando. Conta, orgulhoso, que no ano anterior tinha voado 323 dias e confessa que os 42 dias restantes em casa tinham sido maçantes. Ryan é um sujeito que gosta daquela parte que nós mal e mal suportamos numa viagem: check-in, avião, mala, recepção de hotel, cama de hotel, saguão de hotel, fast food, gente indo e vindo. O que pra gente é 'down', pra ele é 'up'. Ele é inalcançável.

O emprego dele igualmente compreende uma atividade que consideramos detestável: ele é contratado para demitir as pessoas. Assim o chefe da pessoa demitida não precisa ouvir baboseiras, choradeiras, ameaças. Down, down, down. Ryan não é o cara que pode ser responsabilizado pela demissão (porque não é o chefe) nem serve de alvo de descarrego de frustrações (porque ele pega a mala dele e vai embora no mesmo dia). Para o alto e avante!

Ryan é um homem desapegado: sua casa não é uma raiz, ele não tem esposa, namorada ou interesse pela família, e ganha dinheiro se livrando de pessoas pros outros. Up, up and away.

Duas mulheres entram na vida desse lobo solitário: Alex, sua versão feminina e Natalie, a garota nova que quer revolucionar o sistema da empresa. Pela Alex ele se apaixona, já a Natalie ele precisa domar. Down to the ground.

Natalie chegou anunciando um sistema de demissões via videoconferência que era mais barato. Isso significaria que Ryan não precisaria mais viajar. Ele tenta mostrar como demitir alguém in presentia é mais humano que in absentia. Ele leva a mocinha junto com ele, pra mostrar à novata como é que se faz o serviço. No meio do caminho, o noivo da Natalie termina com ela via mensagem de celular. Ela fica na fossa, lá embaixo. Ele paira acima dela, tranquilo e apaixonado.

Alex parece ser a mulher ideal para ele. Ela é bonita, independente, viajada, tem bom gosto e é estilosa. Com essa mulher, ele vai visitar a família, pensa no futuro e faz planos de envelhecer. Com essa mulher ele quer criar laços. Num ataque repentino de saudades, vai até a casa dela, para visitá-la. Quando a porta se abre e ela atende, vê-se duas crianças correndo pela casa. A voz do maridão no fundo pergunta quem é. Tudo se transforma. A bolha estoura, o balão cai, a leveza vira chumbo e seu peso esmaga os sentimentos do nosso herói.

Um belo filme, em que altos e baixos se entrelaçam. Quando Ryan acha que encontrou a fórmula para ser feliz e independente, se apaixona. Quando acha que seu emprego está seguro, uma novata ameaça a sua estabilidade e ascenção na carreira. Quando a novata acha que tecnologia é igual a progresso, seu noivo usa da tecnologia para acabar com o relacionamento. Quando o noivo da irmã do Ryan entra em crise antes do casamento, Ryan é chamado a convencê-lo de que o casamento é uma coisa boa. Quando Ryan está pronto para assumir o relacionamento com a Alex, percebe que ela já está enraizada.

3 comentários:

Mônica disse...

Nada a ver com o post, mas: Boa Páscoa!

Fernando disse...

Tá me devendo uma folha com letras, Lww!

iglou disse...

Sim, sim!