sábado, 13 de março de 2010

Ganhou o Oscar

Resolvi assistir o filme que ganhou o Oscar. É um filme de guerra. Não gosto de filmes de guerra.

E acho os filmes de guerra altamente complicados, porque sempre tomam partido. Na guerra, ninguém tem mais razão. Mesmo quando o diretor tenta mostrar os dois lados da moeda, como Clint Eastwood fez em Flags of our fathers e Letters from Iwo Jima, o espectador sabe de que lado Clint Eastwood está e quer te colocar. Outro filme que me vem à mente é o In the Valley of Elah (No vale das sombras, com o Tommy Lee Jones invertendo a bandeira americana no fim do filme). Por fim, Inglorious basterds retrata um movimento clandestino e revolucionário que surge no cenário da guerra contra os estrelas da guerra.

Lendo poucas resenhas sobre The hurt locker, percebo que este filme parece abrir brechas para os dois lados. Há quem escreva sobre heróis de guerra e quem escreva sobre os viciados em guerra. Como eu não gosto de guerra ou filmes de guerra, não acredito em heróis de guerra do tipo comum. Um herói de guerra, pra mim, é um tipo como o personagem de Roberto Benigni em La vita è bella. O que fica, então, é o vício da guerra (adrenalina, testosterona, endorfina, serotonina, barulho). No filme, um dos personagens conversa com o psiquiatra da equipe sobre a droga (merda) que é a guerra. Nas horas vagas, joga video-game em que mata os adversários com tiros na cabeça (que droga!).

O nome que botaram em português 'Guerra ao terror' é muito diferente do título original. O armário da dor evoca imagens claustrofóbicas e obscuras. A meu ver, não é um título que toma partido por uma nação, mas descreve o estado de espírito do combatente. Já o título em português remete diretamente ao eixo do mal. Quem são os terroristas? Os muçulmanos. Quem combate terroristas? Os cowboys estadunidenses. Onde o conflito se faz mais presente? Iraque. Pronto.

Esse não é um filme sobre a guerra no Iraque. Apenas é ambientado lá. Não se trata, portanto, de uma crítica aos Estados Unidos cavalgando a besta que cospe ouro preto. Não é um filme que demonstra ou desperta consciência política sobre esta guerra no Iraque. Assim como Tropa de Elite era sobre o Capitão Nascimento (e não era sobre a favela), Guerra ao Terror é sobre William James, um cara que é tão bom no que faz, que não sabe fazer outra coisa.

Não vi todos os filmes indicados ao Oscar, mas entre Avatar, Up, The hurt locker, District 9 e Inglorious basterds, fico com o Tarantino.

2 comentários:

phil disse...

Vixe! District 9 foi indicado ao oscar? Nao creio... Vi, e achei de certa forma bom, mas só de certa forma, muitas vezes abaixo de um nível debaixo do qual vômito nao está longe, se é que esta frase é compreensível.
Abraco!

P.S.: como é que tá a vida de república? nao escreves nada sobre isso!

iglou disse...

A vida numa república de 2 é tranquila e quase familiar: dividimos a casa, as contas, a comida e as estórias.