sábado, 20 de março de 2010

Conforto


Somos seres de estórias. Contamos e ouvimos estórias o dia todo, todo dia. Buscamos conforto em estórias.

Para alguns, é difícil imaginar que vivemos num planeta muito antigo que gira em volta de um sol a uma velocidade incrível; e que existe mais vazio que matéria no universo. Simon Singh formulou isso melhor que eu, mas a ideia é que o planeta plano e quadrado é uma estória confortante. Que fomos criados por um Deus de Amor também é um conforto para aqueles que não conseguem imaginar que somos fruto do acaso, da coincidência, de uma explosão. Os mitos de origem são um conforto para os humanos que procuram um sentido para as suas existências.

Os mitos de morte também. A morte do meu gato ainda pesa em mim. Shaoran não vai mais pisar o meu travesseiro de manhã, caçar borboletas, atormentar a Akari, dormir na cozinha, desfiar as calças das visitas, mastigar redações de alunos, correr e pular pela casa, se equilibrar nas cordas retesadas da rede, esfregar o seu nariz no meu, morder a minha mão, ronronar bem alto e dormir na minha cama. Agora Shaoran se transforma em terra que vai alimentar uma árvore. Essa árvore vai crescer, mas não vai sair do lugar.

5 comentários:

bobmacjack disse...

Sou um tímido apreciador de suas histórias. Manifesto-me agora pra externar minha tristeza pelo que houve. Amo gatos, mas tenho apenas dois cães, um deles uma pitbull (outra hora mostro a história de como ela veio até mim).

Não me conformo com o fato das pessoas transformarem os cães em armas. Pior, têm orgulho em exibí-los como tal. Meu filho quase foi atacado por um na minha frente.

Monha solidariedade a você.

Julia disse...

Hola Lou,

Wie schön, dass es doch mehr Menschen es gibt, die dich verstehen können, als du am Anfang gedacht hast.
Ich finde, an den Menschen die sich einen Hund halten um ihn als Waffe oder als ein Ding zum Bewachen ihres Besitzes halten erkennt man, wie der Mensch leider in vielen Fällen tickt. Wir machen uns andere Lebewesen untertan um sie zu benützen für unsere Zwecke. Wir mißbrauchen sie. Diese Hunde deiner Nachbarin sind selber Leidtragende des Menschen der sich nicht um sie kümmert. Auch hier in Deutschland gibt es diese Hunde, die gezielt gequält werden um sie blutdurstig zu machen oder die wie ein Gegenstand behandelt und somit vernachläsigt werden. Immer wieder hört man von Fällen wo sich die Tiere dann gegen den Menschen wenden. Ich bin damit groß geworden, dass Hunde Kinder anfallen und zerfleischen. Eine Mutter hat aus Verzweiflung einen Kampfhund erwürgt, der sich in den Kopf ihres kleinen Kindes verbissen hatte. Später hat man erfahren, dass der Besitzer den Hund oft geschlagen hat und lebende Katzen verkehrt herum aufgehangen hat um den Hund darauf zu jagen. Das alles um ihn wild zu machen. Diese Geschichten gibt es auch in Deutschland. Ich habe viel nach unserem telefonat nachgedacht. Es sind eigentlich immer die Menschen hinter dem Tier, die die Verantwortung tragen, denn ein Tier ist ein Lebewesen mit einer Persönlichkeit, die genauso wie wir Menschen Wärme, Liebe und Respekt im Umgang braucht. Hunde brauchen natürlich auch eine Hand die sie führt, aber diese Hand sollte mit respekt den Hund halten. Meine Eltern waren übrigens auch schockiert. Ich habe nochmal im Nachhinein gemerkt wie mir dein Erlebtes nahe gegangen ist. Ich möchte so etwas nie mit meinen Katzen erleben. Ich glaube ich wäre voller Wut auch auf die Besitzer los gegangen.
Ein Schlussgedanke:
Wenn man sich anschaut, wie Menschen auf der Welt in ihren Ländern und in ihren eigenen Familien manchmal mit einander ohne Liebe und Wärme mit einander leben, wie Eltern manchmal ihre eigenen Kinder als Besitz betrachten und vernachlässigen, wie Menschen andere Menschen unterdrücken um das Gefühl von Macht zu haben, muss man nicht verwundert sein, wenn diese Menschen auch Tiere halten um ein Gefühl von ,"Ich habe Macht über ein Lebewesen, es ist mir ausgeliefert!" zu haben.

Fühl dich nochmal tröstlich von mir und Phil umarmt.

Ulla disse...

Liebe Lou,
es ist eine Tragödie. Ich habe von Deiner und meiner Mutter darüber erfahren und dann erst in den blog geschaut, um mir noch Bilder von Shaoran anzusehen. Ich hatte gar nicht erwartet, dass Du in der Lage bist, gleich darüber zu schreiben.
Wie gut, dass Du es kannst und Deinen Schmerz nicht in Dir verschliesst. Ich weiss, dass Mitfühlen und -leiden tröstet und hilft. Ich denke an Dich und das entzückende Wesen, das Dir so viel Freude bereitet hat. Ich umarme Dich und trauere mit Dir. Ulla

Mônica disse...

Lou, estive fora esse fim de semana cuidando de minha tia e só agora cheguei em casa e liguei o computador. Dei de cara com essa notícia horrível! Meu estômago está revirado, afinal, vc sabe que sou traumatizada com a perda de dois de meus gatos.

Mas, apesar de vc não gostar de cães, devo dizer que os cachorros tb não têm culpa. É instinto deles correrem e matarem animais menores. Já perdi um filhote para cães aqui em SP, tb. Infelizmente, é isso: os cães estavam na casa deles, não invadiram seu quintal. E o instinto é de caçar animais pequenos, o que inclui gatos.

A dor, Lou, não desaparece. Gostaria de dizer o contrário, mas ela não se vai. Diminui, é verdade. E um dia, podemos lembrar desses nossos companheirinhos sem chorar.

Qualquer coisa, ligue-me. Escreva. Estou aqui para qualquer coisa.

bjs

Fernando disse...

Sempre acompanho suas postagens pelo google reader, nao tenho costume de comentar, mas esse é um caso especial. Posso imaginar o que voce deva estar sentindo, há nove anos tive uma gata que foi envenenada, por um vizinho que odiava animais. A única coisa que tenho a dizer é muita força. E a morte nao é o fim de nada, enquanto você tiver recordações do Shaoran tenha certeza que ele ainda continuara vivo.