quarta-feira, 3 de março de 2010

Esperneadores

Logo que cheguei aqui, saquei que as pessoas curtem jogar processo um em cima do outro. Percebi que aqui é faroeste, e que como ninguém entende de lei, ela intimida.

Hoje acabou a última fase do processo seletivo pro mestrado em Letras. O edital foi lançado em outubro, a inscrição foi em dezembro, as provas aconteceram em fevereiro, a leitura dos projetos se deu em seguida e em março foram as entrevistas. Desde que entrei na Unir, já estou envolvida no processo seletivo, porque nós é que co-elaboramos, revisamos e lançamos o edital.

Depois de cada etapa, o candidato tinha o direito de se manifestar contrariamente a qualquer decisão da comissão, no prazo de 3 dias. Essa manifestação-protesto se chama 'recurso'.

Quando as inscrições foram homologadas, recebemos 3 recursos. Pudemos reverter a decisão sobre duas inscrições porque uma candidata enviou a documentação faltante e o Sedex de Humaitá finalmente chegou, depois de ficar 15 dias em trânsito.

Quando divulgamos o resultado das provas, recebemos mais 3 recursos. Queriam revisão da prova, queriam questionar, usavam palavras pesadas como chumbo. Uma candidata, por exemplo, só tinha respondido 3 das 5 cinco questões. Mesmo se ela tivesse acertado todas as questões que respondeu (sua pontuação máxima seria 6), não teria alcançado a média 7.

Havia 77 candidatos para 25 vagas, mas apenas 16 candidatos foram aprovados. Coincidentemente, o Mestrado conta com 16 docentes. Calcularam (eles, que eu não sei quem são) um orientando por orientador e acharam que todos os projetos fossem aprovados, já que os números fechavam. Reprovamos dois projetos. As duas candidatas reprovadas entraram com recurso. Uma pedia a revisão do projeto, a outra se oferecia para modificar o projeto. Uma argumentava que, por ter passado nas provas, tinha demonstrado capacidade para acompanhar o curso de mestrado. Esqueceu que o projeto também era uma fase eliminatória. A outra se defendia dizendo que sua nota não tinha sido de todo insuficiente, afinal 5 não está tão longe de 7. Esqueceu que 6,9 continua sendo insuficiente.

Entrevistamos 14 candidatos tensos que confessaram que não tiveram tempo pra elaborar um projeto decente. Uma saiu chorando, botando a culpa na TPM (tensão pré-mestrado). Todos foram aprovados, mas não tivemos tempo para respirar ou comemorar. De repente caiu uma bomba na nossa mão: um ofício do Ministério Público querendo barrar o Mestrado em Letras. Daí descobrimos que o Ministério Público não tem o direito de acusar nada porque não estava envolvido no processo. Se um candidato tivesse nos acusado, teríamos dor de cabeça. Como não é o caso, temos mais um motivo pra rir dessa gente que gosta de espernear.

Um comentário:

bill disse...

Putamerda, einh! Quanta treta!