terça-feira, 2 de março de 2010

Funny sense of fun

Na segunda semana de aulas, pensei que o calor da calourada já tivesse se dissipado. De fato, dei aula normal na Matemática. Continua aparecendo gente nova na turma, mas não há mais veteranos assediando os calouros.

Quem me boicotou na aula pra Letras, no entanto, foi o meu próprio departamento. Cada aula tem quase 4 horas de duração e se concentra num só dia. Letras tem aula de tarde, o que, na Sociologia do séc. XIX, é a explicação contundente para a baixa qualidade dos trabalhos em Letras. Quando eu soltei os meus alunos pro intervalo, apareceu uma professora do meu departamento na sala. Se espantou que eu não estivesse sabendo que ia oficialmente apresentar o curso aos ingressantes.

Depois que todos tinham voltado do intervalo, essa professora trouxe consigo o chefe de departamento e seu vice. Pra sorte dela, eu tinha trazido o meu computador e conseguido o data show. Botou um pen drive no laptop e abriu uma apresentação em power point. E agora começa o freakshow.

Tinha lá uma imagem bobinha, com um sol sorrindo, umas flores e cores. Comentário da professora: pegamos essa imagem da internet porque ela é bem alegre.

Em seguida, falou que é preciso vestir a camisa. A imagem seguinte era do Cristo Redentor vestindo o uniforme do Flamengo. Deu risada da proeza de fotoshop e remendou que é preciso vestir a camisa da Educação. Se o curso fosse de Pedagogia, tudo bem, mas ela tratou os meus alunos como se estivessem no Maternal.

Os veteranos (reconheci ex-alunos da Física e outros cursos) começaram a tumultuar. Apareciam cartazes nas janelas. Mostravam tesouras, acenderam velas, depositaram tintas e bexigas cheias de água no parapeito.

O chefe de departamento falou longamente enquanto os veteranos aumentavam o volume. Quem tinha se cansado de ler os lábios dele, fixava o olhar na janela. Uma aluna veio me agarrar, dizer que tava morrendo de medo que cortassem seu cabelo. A menina estava gelada.

O vice do chefe também teve a sua vez e aproveitou a chance para recitar os quatro primeiros versos dos Lusíadas. Fazia gestos de político fazendo promessa ou acusação no palanque.

Os veteranos entraram com suas tintas, bexigas e tesouras. Foram ocupando os espaços no fundão e quando o vice confessou que não sabia o resto do poema, progrediram até a frente. Mandei que saíssem, por medo de melecarem datashow, computador, caixas de som. Disseram que não era pra eu me preocupar e esperaram eu desmontar tudo. Três alunos espertos vieram me oferecer ajuda pra carregar tudo. Distribuí as caixas de som, o datashow e os meus alforges, o que lhes garantiu passe livre pra fora da sala.

2 comentários:

Mônica disse...

Esses educadores que tratam todo mundo como crianças de três ou quatro anos me irritam.

Desenhos como esses que vc descreveu, então, para uma platéia adulta? Pelamordedeus!

Silvio Tambara disse...

Educadores?????

Que cena bizarra.