domingo, 28 de março de 2010

Fotografia


Foto: Mohamed Somji

Entendo que a geração de 50 tenha ficado com medo da fotografia. Um dos textos que sintetiza essa ansiedade é "A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica", de Walter Benjamin. A obra de arte de repente não precisava mais ter o seu valor pelo fato de ser única. Pra entender essa coisa do único e exclusivo, pense na Mona Lisa que está pendurada no Louvre. Esta (e não outra) é a obra que vale, não as suas cópias.

Com a fotografia, a coisa muda de figura: mesmo podendo ser reproduzida em grande escala, a fotografia - enquanto obra de arte - continuava tendo o seu valor. Outra coisa que muda é o trabalho do artesão: pintar um quadro demanda tempo, esforço, nervos. Leia a biografia de qualquer pintor e verá que trabalhavam por anos num mesmo quadro. Anos. Esculpir uma forma a partir do mármore demanda ainda mais tempo, esforço e nervos. Recomendo a biografia do Miquelangelo ou da Camille Claudel, que me fascinaram pacas. Um fotógrafo vai lá, aperta um botão e pronto. Acabou.

Recentemente vi Salvador, de Oliver Stone. Lá pelas tantas, um fotógrafo morre convencido de que sacrificou a vida pela foto perfeita. Entendo esse papo de "foto perfeita", porque sei que algumas fotos, como as acima, provocam emoções. Arte pra mim é revolução. Alguma coisa é remexida. Ou algum sonho é despertado, ou a realidade é apresentada de maneira pouco convencional, ou as emoções são sacudidas.

Um comentário:

Ma disse...

Hallo Lou,
eines wird immer vergessen, wenn von der sogenannten Arbeit in der Kunst die Rede ist. Die meisten Menschen denken, dass man dafür viel Geduld braucht, dass es mühevoll ist und anstrengend. Das ist alles so. Doch viel bedeutender ist die Freude daran. Ich weiß nicht, wie oft man mir schon geraten hat, mir die mühevolle Arbeit im Stein zu sparen und lieber Steinguss oder Bronzeguss zu machen. Ich sage dann immer: willst du mir genau das wegnehmen, was mir so viel Freude macht?
Schön, deine Pflanzen zu sehen.
Abraco von deiner Ma