segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Furdúncio felino

Essa é Nina, a gata da Oma. As duas se fazem companhia e participam de um balé eterno de abrir e fechar janelas, oferecer e recusar atum, abrir portas de armários com a pata e esquecer o animal de estimação em algum lugar pequeno e fechado.
Nina agora não é mais o centro das atenções da Oma. Primeiro porque eu estou aqui, e segundo porque a outra gata, mãe dos dois filhotes, recebe comida e atenção da Oma, mas não pode entrar na casa. Isto é privilégio da Nina.
As duas ficam se observando por horas a fio, e às vezes brigam, o que tira a minha vó do sério.

Feliz Natal

Não me lembro de muitos natais com tanta gente em casa. Gostei dessa foto, porque a pequena Gabi meio que concentra em si a atenção do observador.

Natal Luz

De dia, era possível perceber a cidade se preparando para o Natal. Os turistas já estavam presentes, entupindo as ruas, lotando os estacionamentos, calçadas e lojas. Achar lugar para estacionar sua caixa de metal automotora era uma longa frustração.
Como todo ano desde muito tempo, acontece o desfile de Natal. Não é uma antecipação do carnaval, mas Joãozinho Trinta já foi contratado pra estilizar uns anjos. A galera compra ingressos por mais ou menos 40 pila, senta nas arquibancadas da avenida e vê um monte de renas, anjos e Papais Noéis passando ao som de soprano gritando músicas natalinas. Todo ano é diferente, mas é sempre a mesma coisa.
Desfile de Natal prestes a começar. Nós nos sentamos num bar e pedimos 3 cervejas e um chocolate quente.

Grande parte da decoração natalina é de material reciclado para tal fim. O resultado é uma cidade cheia de plásticos pendurados em tudo quanto é canto. Tem gente que se encanta com isso. Mas gosto não se discute, se impõe. Árvore cantante. Na frente dela é que um coral de crianças bontinhas se empilha pra cantar.
Breguice no meio da rua.

Termômetro que marca a temperatura em Fahrenheit e Celcius. Outra breguice de Gramado.
Começou pelas vacas pintadas espalhadas pelas grandes cidades. Aqui temos renas. Bah...
Uma multidão se juntou na rótula central na noite de 25 de dezembro, esperando dar 21:00. Naquela hora, as luzes da árvore se acenderam paulatinamente, e as luzes de toda a decoração natalina da cidade foram acendendo gradativamente, num crescendo com a música que saía dos alto-falantes espalhados na avenida principal.
Sim, não dá pra ouvir aqui, mas é fato que na avenida principal há caixas de som a cada não sei quantos metros, tocando músicas natalinas em várias línguas. A distância entre as caixas de som é tal que uma pessoa que se desloca na Borges de Medeiros não deixa nunca de ouvir o som. Não sei se desligam as caixas de noite.

Gramado

É aqui, no único cinema de Gramado, que acontece o grandioso Festival de Cinema de Gramado. Aqui, neste cinema pomposo que dispõe de apenas uma sala de cinema. Toda forrada de carpete verde-escuro que exala um cheiro forte de mofo. Maravilha.
Não dá pra ver o cartaz azul muito bem, mas eu digo que filme está em cartaz: Tá dando onda. Um filme infantil em plena época de Natal, temporada em que Gramado infla de turistas. Espetacular.
Não escapei do culto de Natal. Pelo menos Oma não reclamou que eu fui à igreja de tênis. E também não notou que eu só conhecia dois hinos.
Gramado é uma cidade de casas vazias. O que mais brota da terra são condomínios residenciais de alto luxo, máxima segurança e conforto garantido. (Quando tem assalto aqui, a notícia sai no jornal.) Tem até um Alphaville aqui. Poucas casas são de madeira, como essa, que fica de frente pra casa da minha família.

No jardim

Encontrei essa formação incomum no jardim.
De tarde, sempre aparece um lagarto mostrando a língua com uma empolgação sem igual.
Ao mesmo tempo que ficavam fascinadas e queriam chegar perto, as crianças tinham medo desse animal diferente.
Dália no fim da tarde.
Fuchsia, que já virou nome de cor. Qual das cores da flor corresponde ao nome é um mistério pra mim.
Funcionário público é o nome popular, porque a flor abre às 11:00 e se fecha de tarde. Hm... mas eu lembro de ter tirado fotos dessas flores mais pro fim da tarde...
Chuva de ouro crescendo no pé de limão. Limão daqueles cor de laranja.
Outra Dália.

Companheiras de quarto



Elas são todas diferentes e menores que um punho fechado, mas ainda assim de tamanho assustador. Convivo com elas numa quase boa, porque às vezes me pergunto se é melhor adormecer sabendo onde estão ou sem tê-las visto.

Katzen und Kinder

Adivinha com o que eu sonhei na primeira noite em Gramado!
Apareceu uma gata por aqui, que deu cria desses dois gatinhos. Eles já têm dono, mas a gata adulta niguém quer. Oma já tem uma gata, que vive tentando expulsar a intrusa. Minha vó arranjou sarna pra se coçar e as pulgas vêm todas pra cima de mim!
Pequena Gabi, de 4 anos e meio, brincando na caixa de areia. Filha do meu primo Keki.
Pequeno Kiko, de 7 anos agora (completa anos dia 25 de dezembro e escapou de carregar o nome de Natalício), filho do meu outro primo Micha.
Talvez chame atenção que esses nomes não são prototípicos nomes de gente. São apelidos, claro, mas olha, eu estranhava toda vez que eu ouvia o meu nome. Não sei se eu esperava ouvir o meu apelido de infância...

Odisséia desvairada

Foram 24 horas de viagem pra vir a Gramado, a terra das hortênsias e araucárias.
Saí de casa debaixo de chuva, sem saber que havia chovido o dia todo - e forte - em São Paulo. Devia ser proibido chover em São Paulo. A água do Tietê ultrapassou as bordas da Marginal e invadiu a pista. O meu ônibus em direção ao terminal Tietê precisou de duas horas pra se locomover apenas 5 km. Eu olhei no relógio. Não me restava muita coisa a fazer, presa dentro do ônibus, no meio de um imenso congestionamento. Que ódio dessa cidade entupida. 19:05 o ônibus partiria pra Porto Alegre. Eu cheguei 40 minutos atrasada, mas fui à plataforma 37, conforme estava escrito na minha passagem. Um ônibus estava lá. Poderia ser o das 20:00. Eu teria que trocar a passagem, pagar a diferença, isso já me aconteceu. Mas naquela época não era dezembro, quando todo mundo viaja. Perguntei se aquele era o das 20:00. Não, esse aqui é o das 19:05, é que deu uma pane elétrica, e não sabemos se vai dar pra consertar ou se vamos ter que chamar outro carro. Dá aqui a tua passagem e aguarda mais um pouquinho.
Fui comprar pão de queijo, porque eu não tinha nem almoçado nem tinha perspectivas de janta. Olhei pro ônibus e notei que a galera tava entrando. Moça, o meu ônibus tá saindo, quanto é que custa esse pão de queijo? Fica com o troco e feliz Natal pcê!
Colocamos a minha mochila no bagageiro e entrei. A mulher sentada na minha frente perguntou se eu tinha chegado atrasada. Foi. Até parece que a gente te esperou! Hm.
Desci em Caxias do Sul, comprei a passagem pra Gramado, liguei pra Oma e já entrei no ônibus da Citral parado no setor 4 (que plataforma, que nada, é setor aqui!). Muitas curvas depois, passei o pórtico de Gramado e puxei a cordinha. O motorista me pediu a passagem de volta. Aqui as coisas são assim. Lanchonete é lancheria, coca-cola é refri, vitamina é batida, brigadeiro é negrinho, pãozinho é cacetinho e às vezes a segunda pessoa do singular é conjugada conforme a Gramática Tradicional.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Claro demais

Trabalhar de madrugada é muito legal. Não há distrações, só silêncio, concentração e escuridão. De madrugada não aparecem e-mails te informando de prazos curtos, e não há nada pra se fazer fora de casa em Barão Geraldo. Tudo bem, não precisa trabalhar de madrugada. Ficar acordado assistindo seriado americano em DVD também vale, pra se ter uma sensação quase heróica de que se vai dormir depois das 3 da manhã.

O problema é acordar no meio do dia seguinte, em plena claridade e pleno calor. É esmagadora, a sensação de que está tudo errado, de que o dia está completamente perdido, de que é preciso voltar a se acostumar ao ritmo mais natural.

Amanhã (hoje, na verdade) embarco para uma longa viagem a Gramado. Minha vó será condescendente comigo no primeiro dia, me deixando dormir até às 9 da manhã, em virtude da noite mal-dormida no ônibus. Mas nos dias seguintes, espera que eu tome café da manhã às 8. Maldita hora em que fui me encantar com a madrugada!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Conversas com ex-namorados

Puxa, que coisa mais ârgh, ngh, nhãf conversar com ex, porque invariavelmente vão aparecer coisas tipo:

'cê não lembra disso?'

'quando a gente tava junto'

'cê ficou muito brava'

'a gente se divertia'.

Sim, querido, mas acabou. Não sei por que estamos aqui, desencavando o passado, lembrando só das partes boas e esquecendo as partes desagradáveis ou por que acabou.

Pedalando na cidade

Percebo agora que passei um ano no 'país das bicicletas' e me acostumei com as regras de trânsito de lá. Agora que pedalei com uns caras que não fazem o que os holandeses todos fazem, percebi como internalizei coisas básicas do trânsito, como por exemplo
  1. sinalizar que vou mudar de direção
  2. pedalar sempre pelo lado direito da via,
  3. não me deixar espremer na direita, mas ocupar o meu espaço na rua
  4. não pedalar na contramão
  5. não pedalar na calçada.
Fomos em 3 até os estádios. Nunca tinha ido no estádio da Ponte Preta ou do Guarani (um do lado do outro), subido até a linha do trem pra ver os estádios de cima e ver o trem de carga passar. Nenhum de nós estava usando capacete, mas isso não me incomodou. Me incomodou não saber o caminho e não ser avisada previamente pelos meus companheiros. Me incomodou eles pedalarem muito na defensiva, meio que pedindo licença aos motorizados por usarem a rua num fim de tarde de domingo. Me incomodou eles não terem luzinhas (um só tinha a traseira, o outro não tinha nenhuma).
Tenho plena consciência de que os motoristas não estão acostumados a dividir a via com ciclistas, mas percebo que sou respeitada quando sinalizo as minhas intenções com o braço. Sou encarada como parte integrante do trânsito.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Conserto máquinas

Na Oca da Tapioca não tem máquina de lavar roupa. Não. Na Oca tem tanquinho e centrífuga. Quando pedi pra me explicarem como funciona, e quando torci o nariz pra essa tecnologia de ponta, Kenia riu, concordando: é bem manual mesmo.

As duas máquinas já deixaram de funcionar enquanto as minhas roupas estavam dentro delas. Como me senti responsável pelo seu não-funcionamento, virei-as de ponta-cabeça, tirei os parafusos, olhei praquele vazio, pensei, refleti, matutei e encaixei a peça certa no lugar adequado.

Nada de chamar assistência técnica, serviço autorizado, ou o Seu Reginaldo. Aqui se quebra, aqui se conserta.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

High tech no IEL?

Recebemos um e-mail em que éramos convocados a carregar nossos cartões de identificação estudantil para podermos ter acesso ao prédio do IEL nos horários que não são de funcionamento normal. As instruções eram detalhadas: vá à Secretaria de Graduação munido do seu RA, peça para cadastrar e carregar o seu cartão, vá até uma das portas, insira o cartão e espere pela mensagem aluno liberado. Tudo isso tem nome em inglês, só pra impressionar: smartcard.

No IEL, antes desse smartcard, o sistema sempre foi mais mecânico e prosaico: a gente pedia a chave que abria a sala dos computadores e ela vinha junto com o cartão magnético que abria a porta do prédio. Com o tempo, a gente ia ficando esperto e fazia cópia da chave que abre a sala dos computadores. Os macaco-véio já tinham um esquema de passar pela porta do prédio usando qualquer cartão, enfiado por trás na fenda, levantando a lingüeta da porta.

Só no IEL mesmo era possível burlar o sistema desse jeito. Nos outros institutos, não era preciso torcer pra ter chave suficiente ou fazer cópia da chave e entrar no prédio usando truques. O RA (cadastrado) bastava pra se poder entrar no Instituto de Química no sábado, por exemplo. Mas agora o IEL está como os outros institutos, com portas eletrônicas, nada mais de chave.

Fui lá, na Secretaria, cadastrar o meu RA (meio arranhado, de tanto passar por detrás da fenda da porta de entrada do IEL). O funcionário, muito prestativo, quis me acompanhar até a porta da sala dos computadores do IEL, pra verificar se o cartão realmente funciona. Estava desativada, porque tinha gente dentro, entrando e saindo. A porta eletrônica só faz efeito se trancar quando for fechada. Tudo bem, descemos as escadas. Outro funcionário passou por nós, avisando que queria sair antes da gente trancar a porta. Demos risada, eu fiquei dentro, o funcionário atencioso saiu e trancou a porta. Inseriu o meu smartcard no dispositivo, leu em voz alta: aluno liberado e quis abir a porta. Nada.

Gente querendo sair, gente querendo entrar, gente oferecendo seu smartcard, e a porta continuava trancadinha. O funcionário solícito foi correr atrás de alguém que tenha a chave daquela porta. Em vez de aparecer o seu Abraão, o homem das chaves (que já me trancou uma vez no pavilhão dos professores, diga-se passagem), apareceu um moço jovem, com um cartão na mão. Enfiou o cartão na fenda da porta, por trás, levantando a lingüeta.

É isso aí, o IEL agora está high tech!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Die weisse Massai

O filme é baseado na história verídica de uma mulher suíça que foi passar as férias no Quênia com o namorado, se deslumbrou com um guerreiro massai todo paramentado, despachou o namorado e foi atrás de sua fulminante paixão.

Atravessar meio mundo atrás de uma pessoa que se viu duas ou três vezes, sem confiança nos próprios sentimentos ou esperança que sejam correspondidos me lembra Cold Mountain. No caso da massai branca, a pessoa não faz essa jornada por amor, mas por orgulho, obrigação consigo mesmo, para conhecer os próprios limites.

Carola finalmente é encontrada por Lemalian, que decide que ela ficará com ele. Ele faz parte de uma tribo e vive lá longe. Ela vai com ele. Quase não há diálogos entre os dois. Ela fala mais alemão que inglês com ele. Inglês é uma das línguas oficiais do Quênia, portanto Lemalian fala inglês além da língua falada em sua tribo. Ela sabe inglês, mas discute com ele em alemão. Vai entender. Muitos conflitos culturais poderiam ter sido evitados se os dois conversassem sobre suas diferenças culturais numa língua que os dois entendessem.

Carola tinha sido dona de loja na Suíça, e agora resolve ser dona de venda numa tribo no meio da paisagem empoeirada do Quênia. As coisas não dão certo porque é feio trocar comida por dinheiro com os familiares, amigos e conhecidos. Comida pra conhecidos é presente, não mercadoria. Lemalian pendura as aquisições de todo mundo na conta, o que acaba falindo a loirinha. Lemalian tem acesso à bebida e dá vazão à sua necessidade de rebaixar essa mulher que olha diretamente no olho de todos os homens, que dirige um jipe (ele tentou uma vez, foi colidir com uma árvore e acabou a história de Lemalian ao volante), que quer tocar uma venda e ganhar dinheiro às custas de seu povo.

Carola fala alemão, não aprende a língua local, não se interessa pelos costumes daquele povo, abre uma venda, ensina Lemalian a beijar e "fazer amor". Como Carola pode ser considerada uma massai? Ela não assimilou nem respeitou nada da cultura massai. Num momento crítico, Lemalian se veste de camiseta e calças, corta o cabelo e se apresenta a ela. Will you respect me now? Ele se transforma num europeu, não ela numa massai.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Jogo de cena

Pouco menos de um mês depois do lançamento, fiquei sabendo da existência deste filme através de um relato empolgado da Olga. Pois é, viver em Barão Geraldo, perto da natureza, tem suas desvantagens: a vida cultural é meio pasmaceirenta.

Mas enfim, fui à capital e me esbaldei de cinema - tanto indo à sala de cinema como conversando com a Carol noite e madrugada adentro sobre cinema.

Jogo de Cena não é nem documentário nem ficção, porque a fronteira é tênue. O que deu início à coisa foi um anúncio que o diretor (Eduardo Coutinho) botou no jornal, convocando mulheres cariocas, maiores de 18 a contarem sua história de vida. É com a imagem do anúncio que começa o filme. Não tem história (vieram 83 mulheres, 23 foram gravadas de fato e menos que isso apareceram no filme), tem encadeamento de histórias de vida. Não tem trilha sonora, tem as histórias, uma depois da outra. O espectador vê uma mulher, dá risada, depois vê outra, se emociona, depois vê a Andréa Beltrão falando as duas últimas frases da outra, depois volta pra segunda, a Beltrão continua, volta a mulher que viveu a história, que se alterna com a atriz famosa até a história terminar. Assim percebemos que algumas histórias são encenadas por atrizes famosas. O maior peso é dado às histórias trágicas (mãe solteira que não sabe ao certo como aquela criança veio parar em seu ventre, morte de filho, perda de laços com a filha), simplesmente porque são mais compridas e são as histórias que são encenadas pelas atrizes famosas.

O que pega são os comentários das atrizes famosas sobre as suas atuações. Marília Pêra fala sobre o choro. Ela chorou de verdade, nem precisou aplicar o coisinho que ela tinha trazido pro caso de precisar chorar e não ser capaz de verter suas lágrimas contidas. As outras duas confessam sua abismação com essa coisa louca de representar não um personagem fictício, mas uma pessoa comum, que o espectador viu na cena anterior. A mulher que vivenciou a história é o grau máximo de credibilidade, porque ela é personagem e autora da sua própria história. Então o desafio é manter o mesmo tom que a dona da história. O lance de representar a história de uma personagem real é que ela é real, de verdade, assim, e viveu tudo aquilo e sofreu tudo aquilo e está sofrendo tudo de novo, ao contar a história trágica que mais marcou sua vida.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Fragmentos de conversas

Viver em São Paulo significa efrentar longas distâncias todo dia pra realizar tarefas prosaicas. Pra quem não tem carro ou carteira de motorista válida, restam poucas opções viáveis para se locomover na "paulicéia desvairada" (conversa ao celular na marginal, entrando em SP). A pé cansa e demora. Não tenho bike lá e não tenho disposição pra enfrentar tanto morro, trânsito e poluição. Comprei o bilhete único e assim tenho a sensação de gastar menos dinheiro com transporte público e vou de ônibus e metrô. Nesses meus trajetos entre a Paulista e a casa da Olga, o CFC e o Popa-Tempo, Campinas e São Paulo, vou ouvindo as conversas dos outros e gravando na memória alguns trechos que acho marcantes.

Dia muito quente, no ônibus, na Av. Interlagos:
- Véio, tá muito quente. Quando a gente descê, vamo comprá uma água, mano, que tá quente demais, meu, eu tô derretendo.
- Não, cara, a gente tem que comprar aquele isqueiro, não vai dá pra comprá água, não, véio.

No ônibus:
- Pobre é foda.

Anteontem, no ônibus, na Av. N. S. Sabará:
- Ó, cês me desculpa, mas eu não como essas coisa, aí não. Eu sou assim, eu vim do Nordeste e só como jabá e farinha.

No metrô:
- Pobre é foda.

No ônibus de Campinas pra São Paulo:
- Ih, acho que perdi o meu celular.
- Não, pára!
- Não tô achando.
- Não, pára!
- Será que não tá na sua bolsa?
- Não, pára!
...
- Pobre é foda.

No ônibus, na Av. Nações Unidas, o motorista instruía o cobrador:
- Aí você tem que fazê o exame pisco- técnico.



Duas conversas no banheiro:

- Ele era muito ignorante, eu também, então não deu certo.

***
- E sabe o que era o mais bizarro?
- Ãh?
- Ai, deixa que eu te conto lá fora, aqui é muito esquisito.

Renovação de carteira

Como eu não fiz curso de direção denfensiva nem de primeiros socorros na auto escola, nem em qualquer outro momento, tive que aprender essas coisas agora, no momento da minha segunda renovação de carteira de habilitação.
Não quis fazer curso, portanto comprei a apostila e dei uma lida nela em casa. A linguagem é surpreendemente adequada, com muita coisa na primeira pessoa do plural, muitas marcas de oralidade e uma clareza fenomenal:

Você já viu que manter a calma é a primeira atitude que você deve tomar no caso de um acidente.
Só que cada pessoa reage de forma diferente, e é claro que é muito difícil ter atitudes racionais e coerentes na situação: o susto, as perdas materiais, a raiva pelo ocorrido, o pânico no caso de vítimas, etc. Tudo colabora para que as nossas reações sejam intempestivas, mal pensadas. Mas tenha cuidado, pois ações desesperadas normalmente acabam agravando a situação.

Ciclistas estão bem destacados como condutores de veículos que não devem circular na calçada, mas na pista (ou acostamento) quando não houver ciclovia ou ciclofaixa. Quando estiverem realizando um cruzamento, têm preferência e devem ser ultrapassados por veículos motorizados que guardam do ciclista 1,5m de distância durante a passagem.

Uma parte engraçada é em relação a animais na pista:

Lembre-se que o animal não pensa e dificilmente tomará a atitude correta ou a que você espera. Por isso não use a buzina.

Mongólia

Recomendo a leitura deste livro, que foi vencedor do Prêmio Jabuti em 2004. Mais um livro da "estante do Renato", em que estive mergulhada por cinco dias. Transcrevo parte das orelhas:

... um dilomata brasileiro recém-chegado à China é enviado, contra a vontade, aos confins da Mongólia em busca de um jovem fotógrafo desaparecido no ano anterior nos montes Altai.

Mongólia é ao mesmo tempo relato de viagem e ficção, numa espécie de diálogo que se estabelece entre o diário deixado pelo desaparecido e aquele que escreve o diplomata encarregado de encontrá-lo, como se só pudessem avançar sobre as próprias palavras.

Um país em que a memória se perdeu pelo uso da força, e a imaginação, antes cerceada, agora toma o lugar da memória e se confunde com as condições mais extremas da realidade.

... um labirinto sem paredes.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Acompanhando palhaços


Sou a revisora de monografias e a fotógrafa oficial da Oca da Tapioca. No domingo, acompanhei estes dois numa apresentação em Paulínia.
Não permitiram que eu divulgasse os vídeos que fiz deles. Tudo bem, apesar de eu ter gostado das filmagens e montagens, não apresento os números deles. Mas mostro um vídeo de uma moça que eu não conheço no tecido acrobático. Está aí, ao lado direito, na seção "Meus Vídeos".

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Comprovante de residência

Serei PED semestre que vem, o que significa que darei 50% das aulas - na graduação - que o professor regente daria. Para tanto, receberei uma bolsa PED que corresponde a um quarto da minha bolsa Capes. Existe um convênio especial entre o Banco Real e as bolsas PED, e para receber esta bolsa, era necessário que eu abrisse uma conta corrente no Banco Real da reitoria (não podia ser em qualquer outra agência). Essa condição fez, por exemplo, com que o Renato, que mora em Floripa e vai ser PED, viesse às pressas pra Unicamp. Eu estava perto do Banco Real e parecia ser possível abrir a conta e informar o seu número à secretaria de pós em tempo hábil (nos deram 4 dias úteis).

No primeiro dia útil, fui ao banco, pra saber quais documentos queriam ver. RA, RG, CPF e comprovante de residência. Não sou a locatária da casa, nem tenho nenhuma correspondência no meu nome. Joguei todas as cartas que os meus dois outros bancos mandaram no lixo. Perguntei se aceitavam uma declaração do Júnior, que é o locatário da casa. Não, tem que ser uma declaração do proprietário, com o contrato de aluguel anexo. Dei risada, daquelas bem soltas. Como esperam que eu saiba quem é o proprietário da casa?
Fui aos meus dois outros bancos, dizendo que eu precisava que me mandassem correspondência urgentemente. Poderiam me mandar a segunda via de qualquer coisa, desde que eu pagasse pelo serviço e esperasse sete dias úteis.
Fui à secretaria de pós, avisar que eu não conseguiria um comprovante de residência até o fim do prazo. Tudo bem, você não é a primeira que não consegue comprovar residência. Nem sei por que querem o número da conta bancária agora, se o primeiro pagamento de vocês só vai cair em abril.

No segundo dia útil, mesmo sabendo que eu não precisaria correr, comprei um livro pela Livraria Cultura. Comprei pela Internet, com entrega super turbo. Imaginei que o carimbo dos Correios no pacote fosse o suficiente para comprovar que o meu endereço existe.

No terceiro dia útil, veio o pacote. Veio pelo moto-boy, sem passagem pelos Correios. Puxa, eu não tinha calculado este detalhe! Mas dentro do pacote, além do livro, havia a fatura, e na fatura constavam a data e o meu endereço. Confiante, levei a fatura e os outros documentos na agência da reitoria do Banco Real. A Nadir me passou pra Adriana que copiou os meus documentos e enviou os xeroxes pro Banco Central. Me deu um cartão com o seu endereço eletrônico e me instruiu a lhe escrever no dia seguinte, bem cedinho.

No quarto dia útil, escrevi pra Adriana. Sem resposta. Liguei na agência e conversei com o Fábio, que me disse que o número só sairia depois de 48 horas, e que era pra eu ligar no dia seguinte. A minha curiosidade estava em saber se a conta tinha sido aberta com base num documento (a fatura) que não vale como comprovante de residência.

No quinto dia útil, o Paulo me disse por telefone que todos estavam sobrecarregados e que eu deveria, por gentileza, ligar mais tarde. Mais tarde, o Renan me disse que estava sem sistema e que todos estavam em reunião, e que era pra eu ligar mais tarde. O número da conta já não me interessava, eu queria saber se teria que esperar pelas correspondências dos dois outros bancos, ou se podia finalmente dar essa estória por encerrada e a conta por aberta.

No sexto dia útil, desencanei.

No sétimo dia útil, o Márcio me informou o número da minha nova conta por telefone.

E viva a burrocracia que desestimula os descrentes! Eu botei mó fé que ninguém no Banco Central ia olhar pra fatura da Livraria Cultura e reclamar que aquilo não era comprovante de residência.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Itapetininga

Pois é. A Fapi, em Pinda, era acessível através de uma estradinha de terra e rodeada de pastos com cupinzeiros e gado desconfiado. Em Bragança, a Fesb era uma faculdade particular cedendo o espaço pro Teia, que atende aos professores da rede estadual. Em Itapetininga, as aulas foram no Coc. A Val descreveu a escola como sendo "fofa". Parece mesmo ser a melhor descrição, pra sair do limite do "brega".
Saímos em 7 professores mais o motorista e o monitor, às 5 e pouco da Unicamp. Madrugada fria e escura, céu estrelado e muito pouca gente nas ruas de Barão. Eu estava torta de sono, porque na noite de sexta teve festa em casa. Saí da festa e fui pra cama antes da meia-noite, mas não consegui dormir até depois das 2 da manhã, porque a galera ficava cantando todas as músicas que estão no repertório da Oca da Tapioca. Como eu conhecia as músicas, eu ficava acompanhando a letra mentalmente, sem conseguir me desligar e dormir.
Chegamos 45 minutos adiantados, o que eu acho um horror, especialmente depois de ter dormido apenas 2 horas, ter tomado café da manhã numa cozinha cheia de latas de cerveja e caixas de pizza, além dos lixos espalhados pela pia. Durante a viagem de 2 horas até lá não deu pra dormir, porque a van sacolejava demais, mas também não deu pra ficar de olho aberto.
Mesmo assim, dei uma boa aula de 8 horas.