Começo a desconfiar que a palavra 'marxista' tem, em Rondônia, uma definição diferente daquela que eu aprendi na escola. Essa definição não é muito fixa, ela muda de cidade pra cidade. Talvez seja até uma metamorfose ambulante.
Quando dei aula no pólo em Rolim de Moura, comentei um exemplo de conhecimento compartilhado com os alunos. O exemplo foi o seguinte: um dia eu tava voltando da Unir pra casa, e quando eu tava na ladeira, vi, de canto de olho, um ciclista subindo a ladeira do outro lado da BR. Cheguei em casa e escrevi e-mail pro Guilherme contendo as seguintes palavras: "era você?" Por saber a que eu me referia (conhecimento compartilhado: 5:30 da tarde, BR, eu na bicicleta ladeira abaixo, ele pedalando ladeira acima, primeira vez que ele pedala pra Unir), ele respondeu na mesma linguagem telegráfica: "era, sim".
Como o exemplo envolvia bicicleta e BR, expliquei que eu não tem carro nem pretendo ter. No intervalo, uma das alunas chegou pra mim e perguntou se eu era marxista. Fiquei intrigada e pedi explicações para uma especulação tão inesperada. Ela disse que conhecia uma mulher que não tinha carro e era marxista. Queria saber se eu, por não ter carro, era marxista também.
Eu queria que os meus alunos de Letras e Matemática aprendessem a escrever resenhas. Pra começar, pedi a resenha de um filme - Eu Tu Eles. Escolhi esse filme porque eu tinha um texto teórico sobre resenhas que apresentava cinco resenhas desse filme. Pedi que lessem esse texto para terem um parâmetro de como pode ser uma resenha.
Numa das resenhas sobre o filme, o marxismo volta a rondar por Rondônia como um espectro (ou fantasma, depende da tradução):
Essa não aconteceu comigo, mas foi aqui em Rondônia. Ninno tava dando aula de Sociologia para pessoas formadas em Ciências Sociais. Um moço, com o espanto estampado na cara, levanta a mão e pergunta:
- Professor, então quer dizer que Marx era comunista?



Um comentário:
De fato, um espectro ronda Rondônia...
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