sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mídia alternativa

Muita gente acha que eu não acompanho os acontecimentos do mundo porque não assisto TV e não leio jornal sistematicamente. Bem, eu me poupo de muita informação, propaganda, manipulação e lavagem cerebral. Quando acontecem coisas extraordinárias como por exemplo a queda das torres gêmeas em 2001 ou o tsnunami de 2004, as notícias chegam até mim através de pessoas que conversam comigo, não através de uma caixa que emite som e luz.

Morando numa república, não era de esperar que eu fosse um ser alienado. Mesmo com a TV desligada no horário nobre, tínhamos uma percepção assutadora do que acontecia no mundo, porque assistíamos alguns documentários. "Muito além do cidadão Kane" foi o primeiro que vimos juntos, na sala da primeira Oca da Tapioca. Na sequência vieram "Ponto de Mutação" e "An inconvenient truth". 

Assisti "The corporation" sozinha no cinema e voltei pra casa completamente desesperançada. Lembro de ter conversado com o Ruy na cozinha, madrugada adentro, sobre a organização política e econômica do mundo. Depois de ver um filme desses, não dava pra simplesmente ir dormir.

Com o tempo, fui percebendo que a realidade que eu não conhecia me assombrava muito mais que a ficção. "A sociedade do automóvel", "Cycling friendly cities", "The story of stuff", "Home", "Zeitgeist" e um filme que eu vi com a Olga num festival de documentários africanos sobre um certo peixe (enorme) foram me dando a percepção de que existe uma mídia alternativa. Uma mídia que procura documentar a exploração predatória do ser humano. Me senti muito mais conectada ao universo vendo esses documentários que passam de mão em mão do que vendo o Jornal Nacional. Não é que eu acredite que tudo nesses documentários seja verdade, mas tudo o que há nesses documentários eu considero relevante. 

Por causa do cineclube, pendrives contendo filmes rodam entre nós. Um mês atrás, um pendrive meu voltou com um documentário em cima: "Cidadão Boilesen". Como o título não era apelativo pra mim, deixei o filme lá. Ontem de noite resolvi dar uma olhada no documentário. Como um tapa na orelha, me pegou desprevinida. Meus conhecimentos sobre a assim chamada Revolução de 64 e a ditadura militar eram definitivamente insignificantes. Fiquei me perguntado por que, como cidadã brasileira nascida depois dessa época negra, sei tão pouco sobre ela. A censura perdura na mídia convencional.

Um comentário:

Leonardo disse...

já assisti alguns desses e vou anotar os outros pra ver depois