Enquanto pessoa criada com homeopatia, fico abismada como remédios alopáticos têm efeito rápido. Não que eu esteja tomando alopatia, não. Eu só observo.
A primeira vez que fiquei absurdada com o poder da alopatia, foi quando o Shaoran teve uma infecção intestinal. Um dia antes de chamar a minha atenção, ele dormiu muito. Aí me acordou com os seus gemidos. Tava no chuveiro, numa posição entre deitado e sentado. Quando eu tentava tocar nele, ele mordia. Não reconheci o Shaoran. Tirei o gatinho do chuveiro e pus no sofá. Era a barriga, o problema. Tinha febre. Achei um veterinário de plantão no domingo e Miyuki foi junto.
Sofri tanto quanto ele (ouvindo seus gritos, sendo arranhada e com pavor da visão da agulha). Nesse momento de dor, me senti mãe de Shaoran, não sua proprietária. De volta em casa, ele ficou bem grogue, se arrastando (a injeção tinha sido na perna) pela casa. Dormiu, teve diarréia e pronto, tava novo de novo. O que ficou dois dias causando incômodo crescente foi removido com uma injeção, sono e excreção.
A segunda vez foi estranho. O acupunturista, antes de vir, tinha ligado, avisando que ia se atrasar. O filho dele tava mal e ele precisava cuidar disso. Chegou dizendo que o filho tava vomitando e tudo, mas que ele enfiou umas agulhas no menino e já tava tudo bem. Repetiu essa história enquanto eu devia relaxar com as agulhas espetadas no corpo e acrescentou: "agora o menino tá lá, brincando. Não precisa de alopatia pra curar a pessoa. Precisa saber ler os sinais do corpo".
Toca o celular dele. É o menino, chorando de dor. Sentada no outro sofá, eu ouvi os lamentos do menino que saíam pelo celular. O pai deu as coordenadas: em cima da geladeira, Dipirona, 15 gotas.
Meia hora depois, o menino liga dizendo que está bem.
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