terça-feira, 18 de maio de 2010

Aprendendo a ensinar

Dar aula de alemão ou inglês para brasileiros é muito diferente de dar aula de português para falantes nativos. Mas como se aprende a dar aula para universitários que se quer FORMAR, no sentido nobre da palavra? Algumas coisas eu aprendo com os alunos, outras com os colegas, outras eu busco nos livros. Estou até estranhando esse meu interesse por questões pedagógicas, mas é o que me move nesse momento.
Descobri que esse livro que o meu chefe me deu (emprestou? Não ficou bem claro) é altamente relevante para os meus propósitos de ensinar a pensar. Em certa altura, Bernardo dialoga com os matemáticos e afirma que eles argumentariam melhor se verbalizassem todos os passos de suas equações. Gostei da ideia. Mas se eu pedisse pros meus alunos de Matématica pra eles escreverem no papel, em palavras, o raciocínio matemático que fazem, eu provavelmente não seria capaz de entender o texto resultante.
Gardner me veio à mão por incentivo indireto de um certo professor de Matemática. Pedi aos alunos que trouxessem truques pra aula de hoje. Não só o conhecimento do truque e de sua execução, mas também o material necessário. Se precisassem de palitos de fósforo, dados ou cartas, que viessem preparados. Minha ideia era fazer com que escrevessem o truque e dessem a receita pra outra pessoa executar. 
Não escreveram nada. Disseram-se acometidos de amnésia seletiva e espontânea. Muito bem, eu podia improvisar. Quis fazer um truque, fazê-los descobrir o segredo e por fim botar tudo no papel. Apliquei um truque de cartas que eu tinha aprendido no livro do Gardner e ensaiado em casa. Mas como em casa eu não tinha quatro pessoas, não fui muito rigorosa no treino. Meu truque deu errado.

Faz de novo, professora. Presta atenção como as cartas voltam pra sua mão. Faz de novo, professora, a contagem das pessoas muda de lá pra cá e de cá pra lá. Não muda, não, professora. Faz de novo. Pronto! Agora aprendemos o truque!

Não tive ainda a chance de dizer a eles que eu aprendi (conscientemente) o truque graças a eles. Assim como eu pacientemente peço que escrevam novos textos prestando atenção em certos recursos, eles me pediram pra repetir o truque prestando atenção em detalhes da execução. Hoje a aula foi de matemática recreativa.

2 comentários:

Silvio Tambara disse...

Ei, isso me lembra um livro muito bom que recomendo fortemente: mathematical discovery, do George Pólya.

Não tenho teu email. Me escreve que te mando um resumo do capítulo mais emocionante!

Anônimo disse...

Ok. Era empréstimo, mas percebo que vc o aproveitará bem melhor do que eu... É portanto teu!, de pleno direito!!! :<)))))

...Com uma condição, porém: que me empreste o dito-cujo, quando eu precisar dele, tá??
E não ficarei com o Rushdie como refém, não, viste? É porque o tempo... Vc sabe!
JR